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"Yield" da dívida grega pode indicar que país regressou à "estaca zero"

Uma semana depois da aprovação do plano de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, os custos de financiamento da Grécia continuam a crescer, naquele que pode ser um sinal de que o país regressou à "estaca zero" na luta contra o descontrolo das contas públicas.

Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 01 de Abril de 2010 às 11:36
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Uma semana depois da aprovação do plano de ajuda da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional, os custos de financiamento da Grécia continuam a crescer, naquele que pode ser um sinal de que o país regressou à “estaca zero” na luta contra o descontrolo das contas públicas.

Desde a última sexta-feira, as “yields” da dívida grega a 10 anos subiram em mais de 30 pontos base, levando os custos de financiamento do país a crescer para 6,496% ao ano. Uma taxa de retorno que chegou ontem a estar acima dos 6,5% e que corresponde a mais de duas vezes a exigida à Alemanha para se financiar nos mercados de dívida.

A Alemanha, cuja dívida serve de referência na Zona Euro, paga 3,115% nas obrigações a dez anos e a República portuguesa paga 4,173% ao ano para financiar a dívida pública no mesmo prazo. Um custo que compara favoravelmente com a Irlanda (4,446%) e desfavoravelmente com a nossa vizinha Espanha (3,818%).

A subida das “yields” da dívida grega sinaliza que o mercado reagiu com cepticismo à solução que os líderes da União Europeia encontraram para a crise orçamental do país. A União Europeia apresentou um plano que envolve o Fundo Monetário Internacional e a concessão de empréstimos bilaterais à Grécia, por parte dos restantes membros da união monetária.

“Aquilo que [os líderes europeus] desejavam era criar um acordo que nunca tivesse de ser usado”, disse o analista de obrigações da casa de investimentos Kleinwort Benson, Phyllis Reed à Bloomberg. “Os mercados intuíram isso e parecem estar a regressar à estaca zero”.

Uma taxa de juro acima dos 6,5% é possivelmente o máximo que a Grécia pode pagar antes de lançar um apelo de ajuda internacional, indicou ontem o embaixador grego em Portugal, Vassilios Costis à imprensa. “Vai ser impossível aguentar muito mais tempo taxas de juro tão elevadas”. Um tempo que parece estar ao virar da esquina.

A subida dos custos de financiamento pode implicar que os líderes europeus accionem as ajudas à Grécia, tendo, para isso de utilizar um mecanismo cujo funcionamento ainda necessita de ser aprofundado.

Os países da Zona Euro terão de decidir qual seria o papel do Fundo Monetário Internacional na solução de um problema que ameaça a moeda única e forçaria a chanceler alemã, Angela Merkel, a justificar à sua oposição um resgate da Grécia, com dinheiro dos contribuintes alemães.

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