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Rally na China: "O que é importante é não seguir a cegueira do mercado"

As bolsas na China continuam a subir, mesmo quando a tendência nos outros pontos do mundo é de contenção. Os analistas apelam para alguma contenção, olhando para o historial de 2015.

Reuters
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 08 de Julho de 2020 às 13:18
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Numa altura em que os índices em todo o mundo estão a pausar os ganhos registados nas semanas anteriores, as bolsas na China continuam em força. O índice CSI 300 continua a renovar máximos de cinco anos e na segunda-feira registou a maior subida diária do último ano.

Tudo começou com os vários artigos publicados pelos meios de comunicação estatais do país, com destaque para o editorial do China Securities Journal, que anunciaram a chegada de um novo "bull market" e enfatizaram a importância de um bom funcionamento dos mercados de capitais, numa altura em que a economia do país começa a dar sinais de retoma.  

Uma nota da casa de investimento norte-americana Bleakley Advisory Group, citada pela CNBC, diz que "enquanto nós [EUA] temos a Fed, a China tem a comunicação estatal". 

Contudo, a repentina subida nos índices da China, principamente em Xangai e Shenzhen, em contraciclo com o resto do mundo, levanta novamente questões sobre a duração e a robustez deste "rally". Isto porque a história recente mostra que entre 2014 e 2015, também os orgãos de informação detidos pelo governo chinês impulsionaram as bolsas locais, alimentando a euforia e o crescimento de uma bolha.

"Os investidores vão ver mais períodos de excessos de compras. O que é importante é não seguirem a cegueira do mercado", alerta Nocholas Yeo, analista de ações chinesas da Aberdeen Standard China, numa nota. Acresenta que "aquilo que estamos a ver é uma rotação de empresas em setores defensicos, como cotadas de assistência médica ou produtos báscos de consumo". "Isto está a criar oportunidades de compra para investidores ativos e de longo prazo", remata. 

Até ao momento, o CSI 300 - que reúne as maiores cotadas listadas em Xangai e em Shenzhen - acumula um ganho de 14% neste ano. Verifica-se então uma prestação superior 
à dos congéneres de todas as restantes geografias, uma vez que o S&P 500 continua com um saldo negativo em torno dos 3% e o Stoxx 600 com uma perda de 11% em 2020.


A juntar às notícias e editoriais escritos nos jornais estatais chineses, estão os recentes indicadores económicos do país que mostram uma retoma no sentimento do consumo. Entre eles está o PMI (purchasing managers’ index) que mede o pulso à atividade económica dos países e que em junho subiu no ritmo mais elevado em mais de uma década no setor dos serviços chineses. 

Por esta altura evidencia-se uma recuperação acentuada no consumo por parte dos cidadãos chineses, o que tem contribuído para uma retoma em alguns setores da economia acima do esperado inicialmente. O PMI sublinhou que "os empresários estão altamente confiantes com as perspetivas económicas do país", apesar de saberem que uma recuperação total irá levar o seu tempo. 

"Embora os investidores possam esperar uma correção do mercado, ainda há razões para ser positivo na perspectiva de longo prazo. À medida que a China deixa de depender das exportações, o seu crescimento será impulsionado pelo consumo interno e pela crescente classe média", adianta Yeo. 

O analista salienta que "estamos também a verificar um entendimento crescente de que os padrões ESG (de sustentabilidade e governança) aprimorados podem ser um impulsionador do retorno dos acionistas", com várias oportunidades de investimento em áreas "que vão beneficiar com a mudança nos padrões de trabalho e consumo devido à pandemia, como segurança cibernética e data centers" a surgirem. 


Uma nota do Bank of America, e citada pelo Financial Times, mostrou ainda que "os casos de covid-19 na China estão aparentemente sob controlo e a reabertura da economia está a ser relativamente bem sucedida".

Para além dos dados animadores sobre a saúde da economia do país, o suporte orçamental e monetário robusto por parte do Banco Popular da China e do governo é outro dos fatores que proporciona este desempenho, tal como está a acontecer com o Banco Central Europeu ou a Reserva Federal dos Estados Unidos.
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