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Resgate dos certificados de aforro podem igualar fuga massiva de 2008

Os certificados de aforro continuam a perder investidores. E o ritmo de fuga de capital deste produto de poupança do Estado está mesmo a acelerar.

Paulo Moutinho 16 de Julho de 2010 às 00:01
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Só nos primeiros seis meses, os portugueses retiraram 444 milhões de euros, sendo que se a tendência se mantiver até ao fim do ano, 2010 poderá igualar a fuga massiva observada há dois anos, aquando da introdução dos novos certificados.

Em 2008, com a entrada em vigor da nova Série C - menos atractiva do que a anterior, tanto em termos de taxa de juro como dos prémios de permanência, além de passar a ter um prazo máximo de 10 anos - os portugueses resgataram, em termos líquidos, um total de 997 milhões de euros. Este ano, o saldo líquido é negativo em 444 milhões, ou seja, 45% do valor retirado há dois anos.

O valor resgatado este ano é bastante superior ao retirado no total de 2009, considerando já a fuga observada no mês passado. Em Junho, e de acordo com dados revelados ontem pelo IGCP, foram resgatados 136 milhões de euros dos certificados de Aforro, sendo que as novas subscrições cifraram-se em 39 milhões. O saldo foi, assim, negativo em 97 milhões de euros.

Para encontrar um mês com um saldo líquido tão negativo em termos de resgates é preciso recuar até Setembro de 2008, o que comprova a crescente fuga dos portugueses deste produto do Estado. Os certificados de Aforro pretendem ser uma alternativa aos depósitos oferecidos pelos bancos, e também uma forma de incentivar a poupanças das famílias.

O principal motivo da fuga está na baixa rentabilidade oferecida, isto apesar da subida recente das Euribor e, consequentemente, do juro aplicado aos certificados. A taxa de juro bruta anual para as novas subscrições de certificados de Aforro realizada até ao final deste mês é de 0,873%. Em termos líquidos, com a nova tributação, o juro líquido baixa para os 0,685%.

É uma taxa baixa em comparação com a que o Estado está a oferecer nos novos certificados do Tesouro. Lançado no início deste mês - pelo que ainda não existem dados de qual o montante aplicado -, este novo produto tem taxas bem mais atractivas, para quem mantiver o investimento no médio a longo prazo.

Nos primeiros quatro anos, a taxa bruta anual é de 1,25%. No quinto, sobe para 4,45% e passa para 5,5% no décimo ano, sendo o investidor recompensado do diferencial de juros ao atingir estes dois patamares.

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