Mercados Resgates da Pimco atingem dez mil milhões de dólares após saída de Bill Gross

Resgates da Pimco atingem dez mil milhões de dólares após saída de Bill Gross

O maior fundo de obrigações do mundo viu sair dos seus cofres dez mil milhões de dólares em apenas três dias. A Allianz, empresa responsável pelo fundo, já garantiu que "não vai vender a empresa".
Resgates da Pimco atingem dez mil milhões de dólares após saída de Bill Gross
Diogo Ferreira Nunes 29 de setembro de 2014 às 13:06

A Pacific Investment Management (Pimco) sofreu resgates de dez mil milhões de dólares (7,9 mil milhões de euros) desde a saída de um dos fundadores, Bill Gross (na foto). A notícia está a ser avançada pelo "The Wall Street Journal" esta segunda-feira, 29 de Setembro, citando fonte conhecedora do processo. 

 

Um facto que não abala a confiança da liderança da Pimco: "gerimos cerca de dois biliões de dólares e estamos confiantes que a esmagadora maioria dos nossos clientes vai continuar connosco", garantiu Douglas Hodge, presidente executivo da gestora em comunicado

 

Contudo, o mercado está a reflectir, pela negativa, a saída de um dos gestores mais conhecidos de Wall Street.

 

"Há uma grande possibilidade de a Pimco perder a liderança nesta área", referiu Gary Pollack, gestor do Deutsche Bank em Nova Iorque, citado pela mesma fonte.

 

Das rivais nesta área, o Morningstar estima "saídas de centenas ou de milhares de milhões de dólares" da Pimco. O Bernstein antecipa um "aumento de 10% a 30% dos resgates".

 

Allianz mantém-se ligada à Pimco

 

"Não temos qualquer plano para vender a Pimco. A saída de Bill Gross não terá qualquer impacto na relação entre a Allianz e a Pimco", assegurou Jay Ralph. "Temos exactamente o mesmo controlo [actualmente] do que tínhamos há dez anos", salientou também o líder de gestão de activos da seguradora alemã, citado pelo "Financial Times".

 

Os títulos da Allianz, empresa responsável pela Pimco, têm sido afectados pelo caso nos últimos dias. O Credit Suisse reduziu de "outperform" para "neutral" a presença da seguradora nas carteiras de acções. Ou seja, o banco suíço recomenda uma exposição aos títulos dentro da média ("neutral"). Anteriormente, aconselhava uma exposição acima da média ("outperform"). O Deutsche Bank cortou o preço-alvo para os títulos para 135 euros, mas sem alterar a recomendação de "manter" sobre os títulos, segundo o site da estação "CNBC". 

 

Na bolsa alemã, a Allianz está a aliviar das perdas superiores a 6% registadas na sexta-feira. Os títulos da seguradora seguem a apreciar 0,43% para 128,75 euros.

 

Gross era o gestor do Pimco Total Return, um fundo que sofreu elevados resgates na semana passada. Em causa está uma investigação do regulador da bolsa dos EUA, a Securities and Exchanges Comission (SEC). Após o anúncio da investigação, Bill Gross surpreendeu o mercado e anunciou a saída da Pimco e a transferência para a Janus Capital.

 

Na Janus, que tem activos avaliados em 178 mil milhões de dólares, Gross vai gerir o Janus Unconstrained Bond Fund, com 12,86 milhões sob gestão. Menos de 1% sobre os 221,6 mil milhões de dólares activos sob gestão do Pimco Total Return.

 

Uma entrada com reflexos bastante positivos para a Janus Capital, que disparou 43% na sessão de sexta-feira em Wall Street.

 

Trata-se da segunda "baixa" na Pimco em 2014. No início do ano, Mohamed El-Erian, co-chefe de investimento, saiu da Pimco em desacordo com a estratégia de Bill Gross.




Saber mais e Alertas
pub

Marketing Automation certified by E-GOI