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S&P baixa "rating" da EDP e REN (act.)

Depois de esta manhã ter cortado a notação dos bancos portugueses e de ter avisado que também o poderá fazer para a República portuguesa, a Standard & Poor’s acaba de anunciar que cortou a notação de duas empresas públicas: EDP e REN.

Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 28 de Março de 2011 às 16:39
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No caso da EDP liderada por António Mexia (na foto), o “rating” baixa dois níveis, de A- para BBB, com perspectiva negativa, ou seja, com a probabilidade a pender para novas revisões em baixa da qualidade da dívida.

A REN vê a sua notação baixar de A- para BBB, igualmente com perspectiva negativa.

Estas mexidas surgem no rescaldo da revisão do “rating” da República, que na passada sexta-feira foi cortado pela S&P em dois níveis, de A- para BBB. A perspectiva negativa é justificada com a probabilidade de a República portuguesa sofrer novos cortes no seu "rating".

Os primeiros a sofrer o impacto foram, como é hábito, os bancos, que esta manhã viram a respectiva notação cair. Após um corte de dois níveis, BES, CGD, Totta e BPI têm agora o mesmo "rating" de Portugal e o BCP está a um passo de ser classificado de "junk". A perspectiva continua negativa, pelo que a agência alerta que pode vir a efectuar cortes adicionais.

No relatório que acompanha o anúncio da decisão, a S&P diz que o corte no “rating” da banca portuguesa “reflecte o impacto directo” da redução efectuada à classificação da República e não descarta um novo corte do "rating" da dívida soberana portuguesa já nesta semana.

A agência considera que Portugal enfrenta "um ambiente económico, financeiro e operacional cada vez mais difícil" e que a crise política está a penalizar o "já fraco nível de confiança dos investidores".

Na passada quinta-feira, um dia após o chumbo do Programa de Estabilidade e Crescimento no Parlamento e o pedido de demissão do Executivo de José Sócrates, a S&P baixou o "rating" da dívida soberana em dois níveis de A- para BBB, o nível mais baixo entre as três agência de "rating".

No mesmo dia da S&P, também a Fitch baixou a classificação da dívida de Portugal em dois níveis para A-.

A justificação de ambos os cortes de notação financeira foi a mesma: a crise política. "Na nossa perspectiva, a incerteza política [após a demissão de José Sócrates] poderá aumentar a desconfiança dos investidores e elevar o risco de refinanciamento de Portugal", diz a S&P.

Para a Fitch, o facto de o Parlamento português ter inviabilizado as novas medidas de austeridade, levando à demissão do Governo, aumenta "significativamente as hipóteses de Portugal pedir assistência multilateral num prazo próximo".

Fitch, Moodys e S&P tinham alertado recentemente que poderiam cortar o "rating" de Portugal. A Moody's não esperou pela crise política e cortou o "rating" logo após o Governo apresentar o PEC IV a 11 de Março.
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