Mercados Semapa adquire Supremo Cimentos mas deveria assegurar financiamento da compra da Secil

Semapa adquire Supremo Cimentos mas deveria assegurar financiamento da compra da Secil

BPI considera que aquisição é "positiva do ponto de vista estratégico". Contudo, indica que a empresa deveria estar preocupada em comprar os 49% que ainda não tem na Secil em vez de adquirir novas companhias.
Diogo Cavaleiro 20 de fevereiro de 2012 às 12:06
A notícia da compra de 50% da brasileira Supremo Cimentos pela Semapa é "positiva do ponto de vista estratégico", porque o Brasil tem margem para crescer, mas a “reduzida flexibilidade financeira” não deveria dar espaço para comprar novas empresas, salienta o BPI no seu comentário diário.

Na sexta-feira, a empresa liderada por Pedro Queiroz Pereira divulgou a conclusão do negócio em que passa a deter uma participação representativa de 50% do capital social da empresa brasileira Supremo Cimentos.

A formalização do contrato de compra e venda assinado em Dezembro é uma notícia, no seu todo, “neutral” na opinião das casas de investimento do BES e do BPI. O facto de não terem sido dados a conhecer os detalhes da operação impede que se possa fazer uma análise exacta, esclarecem os analistas de ambas as entidades.

Do ponto de vista estratégico, a aquisição de metade da cimenteira brasileira pela Semapa é “positiva”, “tendo em conta as fortes perspectivas de crescimento do país”, indicam os analistas José Rito e Bruno Bessa, na nota diária do BPI.

Do mesmo modo, o BESI salienta que “a Supremo Cimentos tem um moinho de cimento e detém operações no sul do Brasil, estando a expandir a sua capacidade para 1,5 milhões de toneladas métricas de cimento”. Nesta altura, tem uma capacidade de 300 mil toneladas métricas, indica o BPI.

“Reduzida flexibilidade financeira”

Contudo, os especialistas do BPI consideram que a Semapa tem uma “reduzida flexibilidade financeira, dado o capex necessário para financiar a aquisição das posições minoritárias na Secil”, salienta a unidade de investimento do BPI. Nesta altura, a Semapa tem 51% da cimenteira Secil e poderá comprar os 49% que ainda não tem na sua mão por 574 milhões de euros.

“Por isso, preferíamos ver a Semapa a anunciar a conclusão dessas exigências de financiamento para recomprar a Secil em vez de adquirir novas empresas”, defende a casa de investimento do BPI.
Em bolsa, as acções da Semapa sobem 0,38% para negociarem nos 5,752 euros.

Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.

(Notícia corrigida às 13h05: No antetítulo e "lead" externo deve ler-se BPI e não BESI, como estava escrito anteriormente)



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