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Juros portugueses acentuam subida e spread face às obrigações alemãs toca nos 500 pontos base

As taxas de juro das obrigações portuguesas negociadas no mercado secundário continuam a subir em todas as maturidades, tendo já atingido os 6,648% a 10 anos, atingindo novos máximos de Fevereiro. Hoje, o spread nacional a 10 anos face às obrigações alemãs já esteve nos 500 pontos base.

Jorge Garcia jorgegarcia@negocios.pt 11 de Junho de 2013 às 15:24
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Nos últimos dias, o comportamento das “yields” das obrigações europeias tem sido de subida, com os investidores a saírem do mercado de dívida numa altura em que se receia alterações na política da Reserva Federal (Fed).

 

O Banco Central Europeu (BCE) parece pouco inclinado a avançar com novas medidas de estímulo, adoptando uma postura mais cautelosa, e menos disposta a suavizar a política monetária, o que tem levado a uma subida das taxas de juro das obrigações portuguesas, que esta terça-feira já tocaram os 6,648%, na maturidade dos 10 anos.

 

O spread nacional face às obrigações alemãs a 10 anos chegou, hoje, a estar acima dos 500 pontos base, encontrando-se agora a 498 pontos, face a uma taxa de juro das obrigações alemãs a 10 anos de 1,624%.

 

As taxas de rendibilidade (“yields”) associadas aos títulos da dívida pública portuguesa trocados no mercado secundário continuam nesta terça-feira, 11 de Junho, a subir em todas as maturidades, acima dos 29 pontos base, mas, na maioria dos casos, a subida é superior a 40 pontos base.

 

O sucedido significa que a dívida portuguesa está sob pressão no mercado secundário, e que os investidores pedem um retorno mais elevado para negociar os títulos da dívida nacional, o que se tem verificado nas últimas sessões.

 

A taxa de juro implícita nos juros a dois anos está a subir 25 pontos base para 3,461%, o que corresponde ao valor mais elevado desde 27 de Fevereiro. A taxa a cinco anos avança 42,3 pontos para 5,472%, para máximos de 9 de Janeiro, e a “yield” a 10 anos cresce 38,6 pontos para 6,605%, o que representa o valor mais elevado desde 26 de Fevereiro.

 

A percepção de que o BCE adoptou uma postura mais 'hawkish' [menos disposta a suavizar a sua política monetária], a julgar pelas declarações de Draghi, fez subir os juros no centro da Zona Euro e na periferia. 

 

David Schnautz, estratega do Commerzbank

 

Este comportamento tem sido generalizado entre as taxas de juro implícitas nas obrigações italianas e espanholas. Em Itália, a “yield” das obrigações a 10 anos está a subir 13,6 pontos base para 4,428%.

 

Cenário semelhante observa-se em Espanha, onde a taxa de juro a 10 anos está a avançar 13 pontos base para 4,726%. Ainda assim, a subida dos juros portugueses está a ser mais acentuada.

 

A subida dos juros está também relacionada com os receios dos investidores em relação à Fed e às alterações na sua política monetária. Os dados têm apontado para melhorias da economia norte-americana, o que sugere que o banco central poderá começar a retirar alguns estímulos à economia.

 

Segundo os analistas, parece não se passar nada em concreto com Portugal, sendo que o Nomura afirmou, depois da reunião do BCE, que "talvez os mercados tenham recuperado demasiado rapidamente com expectativas de novas medidas de estímulo, pelo que depois desta conferência de imprensa se calhar é hora de reajustar as expectativas".

O agravamento dos juros da dívida, que voltou a colocar "no prejuízo" os investidores que participaram na emissão de dívida a 10 anos, surge numa altura em que está a ser preparado o plano para o regresso aos mercados, que poderá ser divulgado pelo IGCP nos próximos dias.

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