Bolsa Tarifas de Trump e receios em torno dos juros afundam Wall Street

Tarifas de Trump e receios em torno dos juros afundam Wall Street

As bolsas do outro lado do Atlântico seguem a cair perto de 2%, pressionadas pelo anúncio de Trump sobre a imposição de tarifas nas importações de aço e alumínio e pelos receios em torno do ritmo de subida das taxas directoras, num dia em que se voltou a falar de quatro aumentos este ano pela Fed.
Tarifas de Trump e receios em torno dos juros afundam Wall Street
EPA
Carla Pedro 01 de março de 2018 às 19:31

O Dow Jones segue a ceder 1,89%, para se fixar nos 24.557,26 pontos, e o Standard & Poor’s 500 recua 1,64% para 2.669,83 pontos. Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite perde 1,70% para se fixar nos 7.149,17 pontos.

 

Um dos factores que está a contribuir para esta maré vermelha em Wall Street é o do anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, relativamente à imposição de tarifas sobre a importação de aço e alumínio.

 

Trump referiu que vai assinar formalmente estas medidas na próxima semana, tendo prometido que ficarão em vigor "durante um longo período de tempo". Estas medidas comerciais visam, concretamente, a imposição de tarifas de 25% sobre a importação de aço e de 10% sobre o alumínio que entra no país.

 

Por outro lado, mantêm-se os receios em torno do ritmo de subida dos juros nos EUA.

 

Jerome Powell, o novo presidente da Reserva Federal (Fed), disse na terça-feira perante o Congresso norte-americano que considera que a melhor forma de responder à actual conjuntura é prosseguir a política de subida gradual dos juros nos EUA. Mesmo que o contexto seja de um crescimento económico forte e de um aumento dos preços no consumidor [a Fed espera que a inflação no país suba e atinja a sua meta de 2% até ao final do ano].

 

No entanto, pelo meio, Powell deixou no ar a possibilidade de até reforçar a normalização da política monetária. Estes comentários intensificaram as apostas de que o banco central dos Estados Unidos poderá aumentar os juros quatro vezes este ano – e não três, como antecipou em Dezembro passado. E isso deverá continuar a exercer alguma pressão sobre as bolsas, com os investidores a preferirem o mercado obrigacionista em detrimento do accionista numa altura em que os juros da dívida norte-americana estão em alta.

Espera-se, aliás, que na reunião de Março seja já decidida uma subida da taxa dos fundos federais.

 

O facto de Powell ter falado em "mais aumentos graduais" foi ao encontro do que já tinha sido divulgado na semana passada, aquando da divulgação das actas da reunião de 30 e 31 de Janeiro da Fed.

 

Agora, esta quinta-feira, o presidente da Fed de Nova Iorque, William Dudley, declarou que está convicto de que as subidas dos juros continuarão a ser necessárias devido ao impulso do corte de impostos nos EUA e ao aumento da despesa pública federal.

 

Dudley disse que o endurecimento "gradual" da política monetária poderá significar quatro aumentos da taxa directora dos fundos federais este ano.




A sua opinião0
Este é o seu espaço para poder comentar o nosso artigo. A sua opinião conta e nós contamos com ela.
Faltam 300 caracteres
comentar
Negócios oferece este espaço de comentário, reflexão e debate e apela aos leitores que respeitem o seu estatuto editorial, promovam a discussão construtiva e combatam o insulto. O Negócios reserva-se ao direito de editar, apagar ou mesmo modificar os comentários dos seus leitores se atentarem contra o bom senso e seriedade.O acesso a todas as funcionalidades dos comentários está limitada a leitores registados e a Assinantes.
pub