Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Taxas negativas no Japão congelam mercado interbancário

Em apenas um mês, as taxas de juro negativas no Japão já estão a ter efeitos indesejados. O mercado interbancário afundou 77%, pondo em causa o objectivo do banco central de que as instituição passem a conceder mais crédito às famílias e empresas.

Bloomberg
André Tanque Jesus andrejesus@negocios.pt 29 de Fevereiro de 2016 às 12:38

O Banco do Japão foi último banco central a adoptar taxas de juro negativas. Juntou-se, assim, a instituições como o Banco Central Europeu e o Banco Nacional da Suíça, na adopção de medidas não convencionais, de modo a impulsionar a inflação. Um objectivo que quer alcançar através da maior concessão de crédito pelos bancos. Mas isso parece não estar a acontecer.

Há precisamente um mês, a instituição liderada por Haruhiko Kuroda colocou a taxa de referência em -0,1%. Desta forma, passou a cobrar aos bancos pelos depósitos que estes efectuem no Banco do Japão. O esquema é em tudo semelhante ao adoptado pelo BCE: para não pagar juros ao banco central, as instituições financeiras tenderão a conceder mais crédito a famílias e empresas, de modo a estimular o consumo, o investimento e, assim, a inflação.

O problema é que, desde a adopção da medida, o efeito parece estar a ser exactamente o oposto. Segundo os dados da Bloomberg, a negociação interbancária no Japão afundou mais de 77% para 4,8 biliões de ienes (cerca de 39 mil milhões de euros), desde o anúncio da decisão. Este é o valor mais baixo em pelo menos 23 anos.

Esta evolução reflecte que a liquidez que os bancos japoneses estão, actualmente, dispostos a emprestar entre si é muito inferior. Um sinal de que este canal de transmissão da política monetária do Banco do Japão terá sido abruptamente interrompido, pondo em causa os estímulos à economia e, assim, à recuperação da inflação. Em Janeiro, esta caiu para 0%.

 

Ver comentários
Saber mais Banco do Japão Haruhiko Kuroda taxas de juro taxas negativas bancos centrais política monetária juros da dívida obrigações mercados
Outras Notícias
Publicidade
C•Studio