Obrigações Taxas negativas "fora de jogo" no leilão de dívida de Portugal

Taxas negativas "fora de jogo" no leilão de dívida de Portugal

Após a turbulência, o IGCP deverá conseguir voltar a colocar dívida sem problemas. Espanha já fez o teste, mas por cá os juros não deverão ser negativos.
Taxas negativas "fora de jogo" no leilão de dívida de Portugal
Bruno Simão/Negócios
André Tanque Jesus 17 de fevereiro de 2016 às 07:00
A última semana revelou-se "negra" para a dívida portuguesa. As taxas de juro dispararam, atingindo máximos de 2014 nos títulos de referência, as obrigações a 10 anos. Mas a tendência negativa chegou mesmo a todas as maturidades. Com o pânico agora ultrapassado, o regresso de Portugal ao mercado não deverá ser marcado por "stress" na venda de bilhetes do Tesouro (BT). Contudo, as taxas de juro negativas também deverão ficar "fora de jogo" desta vez.

O Tesouro português prepara-se para vender entre 750 milhões e 1.000 milhões de euros em dívida a três e 11 meses. Uma dupla operação que já estava prevista no programa de financiamento para o trimestre, mas que a confirmação pelo IGCP, na passada sexta-feira, 12 de Fevereiro, veio rever.

É que o montante indicativo previsto era de entre 1.000 milhões e 1.250 milhões de euros. A última vez que o instituto liderado por Cristina Casalinho colocou títulos com estas maturidades foi em Novembro, tendo obtido então uma taxa de juro média ponderada de -0,023% nos BT a três meses e de 0,03% nos títulos mais longos.

Estes resultados foram obtidos num período de tranquilidade nos mercados, sendo que a semana passada ficou marcada exactamente pelo oposto. Ainda assim, o duplo leilão deverá ocorrer sem problemas. "Não vamos ter qualquer problema em colocar esta dívida e tomara o país poder emitir sempre a taxas próximas de zero", atira Filipe Silva. O director de gestão de activos do Banco Carregosa explica que, "mesmo que as taxas subam ligeiramente, não vejo qualquer drama ou 'stress'".

A testar o mercado esteve o Tesouro espanhol na terça-feira. O também país da periferia da Zona Euro angariou um total de 5,72 mil milhões de euros num duplo leilão de dívida a seis e 12 meses, com a taxa de juro média no prazo mais curto a ficar nos -0,061%. Já a taxa dos títulos com maturidade a um ano foi de 0%. Agora, o mesmo não deverá acontecer com Portugal.

"Tivemos taxas negativas na última vez que emitimos dívida a três e 12 meses, mas não espero valores negativos" na emissão desta quarta-feira, diz Filipe Silva. A dívida a três meses, conclui, poderá ter "uma taxa muito próxima de zero e a dívida de 11 meses uma taxa positiva, em redor dos 0,06%".



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