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Títulos do BPI perdem 3% e já valem menos que as novas acções

As acções do BPI estão hoje a cotar abaixo de 0,50 euros. Quer isto dizer que é mais barato comprar estas acções no mercado do que subscrever os direitos que vão permitir adquirir as novas acções no aumento de capital.

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As acções do BPI estão a valer menos de 0,50 euros em bolsa, estando assim abaixo do preço das novas acções que o banco vai emitir no aumento de capital.

Cada acção do banco liderado por Fernando Ulrich (na foto) está a cotar nos 0,498 euros, ao cair 3,30%. Num dia de forte pressão nos mercados, o BPI já esteve mesmo a recuar perto de 6%, quando tocou nos 0,485 euros.

Já os direitos de subscrição do BPI, aqueles que vão permitir participar no aumento de capital pois dão direito a comprar as novas acções do banco, seguem nos 0,002 euros, o valor de fecho de sexta-feira. Com as acções abaixo de 0,50 euros, os direitos de subscrição têm um valor teórico nulo.

Neste momento, um investidor pode comprar acções do BPI abaixo de 0,50 euros, pelo que não será racional, em termos simplistas, comprar direitos de subscrição para deter acções, isto porque o investidor estará a gastar mais dinheiro do que se comprasse directamente os títulos. Ainda assim, não é uma situação tão óbvia, já que os investidores podem comprar os títulos a este preço e as acções podem acabar por ganhar valor.

As acções do BPI acabaram por descer abaixo do preço de subscrição já que o valor a que os novos títulos vão ser subscritos correspondia a um reduzido desconto em relação ao preço a que cotavam no dia do anúncio.

Grandes accionistas podem reforçar

A questão é que este tipo de situações pode afastar os pequenos investidores, ficando o aumento de capital a cargo dos grandes accionistas, não havendo instituições colocadoras que garantam o sucesso do aumento de capital (instituições que asseguram que todas as novas acções a emitir são subscritas).

Os grandes accionistas, como o La Caixa e Isabel dos Santos, já se comprometeram em acompanhar o aumento de capital do banco português. Ou seja, se os pequenos investidores não acompanharem a operação, poderá ter lugar um reforço da posição destes accionistas, de modo a que todo o montante que o banco pretende seja todo colocado. Neste momento, o La Caixa detém 39,5% do BPI, enquanto a Santoro, de Isabel dos Santos, é dona de 19,4% do banco.

O BPI pretende reforçar o seu capital em 200 milhões de euros. Um reforço que é feito com a emissão de novas acções. Novas acções que são adquiridas pela venda de direitos de subscrição. Tanto as antigas acções como os direitos seguem a cotar, neste momento, em bolsa.

Desde que os direitos de subscrição do aumento de capital começaram a negociar, na quinta-feira, o banco presidido por Ulrich tem vindo a cair. Na quarta-feira, as acções cotavam nos 0,545 euros, tendo perdido, até aos 0,498 euros a que negoceiam hoje, uma queda de 8,62%.

Novas acções a 13 de Agosto

Por cada direito de subscrição, será possível subscrever 0,406924 novas acções do BPI. Cada acção será emitida a 0,50 euros. A cada momento, é possível comparar o preço de uma acção no mercado secundário com o custo de comprar uma das novas acções que deverão ser emitida a 13 de Agosto, de acordo com a tabela que o BPI disponibiliza no seu site.

Os direitos de subscrição do BPI vão negociar em bolsa até 30 de Julho, sendo que o período de exercício, que também hoje arrancou, só termina a 3 de Agosto. As ordens de subscrição das novas acções podem ser revogadas até 30 de Julho.

O BPI estima que o apuramento dos resultados da oferta ocorra no dia 7 de Agosto, prevendo-se que as novas acções possam vir a ser admitidas à negociação no dia 13 de Agosto.

Nessa altura, o banco português passará a ter, caso o aumento de capital seja todo subscrito, um capital composto por 1,39 mil milhões de acções.
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