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Trichet diz a Yellen para ignorar apelos para não subir juros esta semana

O antigo presidente do BCE considera que o banco central americano não deve ceder a pressões e deve manter todas as hipóteses em cima da mesa, inclusive uma subida de juros na reunião desta semana.

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 15 de Setembro de 2015 às 12:21
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Todos os olhares estão focados em Janet Yellen esta semana. E o que não faltam são conselhos e recomendações para a líder do banco central norte-americano. A maioria dos apelos é para que a presidente da Reserva Federal não suba juros na reunião desta quinta-feira,17 de Setembro. Mas, Jean-Claude Trichet, o antigo presidente do BCE, defende que Yellen deve ignorar os avisos de instituições como o FMI ou o Banco Mundial e manter todas as hipóteses em cima da mesa.

É grande a expectativa em torno da reunião da Fed que começa esta quarta-feira, 16 de Setembro, e termina no dia seguinte. Ao contrário do que acontecia antes do Verão, em que a maioria dos economistas previa uma subida de juros neste encontro, agora os especialistas apontam para uma probabilidade de manutenção das taxas. A crise na China e os receios em torno da estabilidade financeira mundial deverão levar o banco central americano a adiar a decisão.

Mas, e à semelhança do que foi o seu mandato à frente do BCE, Jean-Claude Trichet argumenta que a governadora americana não deve ceder a pressões. "A Fed tem de ser independente" dos bons conselhos que recebe de outras instituições, defendeu o ex-presidente do BCE, numa entrevista à CNBC. "É parte da credibilidade da política monetária", acrescentou.

As declarações de Trichet surgem depois do FMI e do Banco Mundial terem alertado a Fed quanto aos riscos de subir juros já, perante a expectativa de um abrandamento da economia chinesa e depois da correcção vivida nos mercados financeiros nos meses do Verão.

"Eles podem dar bons conselhos numa base a mais médio prazo, mas não em relação a uma decisão concreta num determinado momento", explicou Trichet, acrescentando que "não é o seu mandato fazer isso".

Para o ex-presidente do BCE, se a Fed decidir subir juros no encontro desta semana, isso não deverá apanhar ninguém de surpresa. "Foram, na minha opinião, muito claros em avisar o mercado que uma subida de juros era provável, por isso ninguém pode dizer no mercado que não foram avisados", rematou.

Mais estímulos na Europa

Em relação à política monetária na Zona Euro, Trichet, que ao contrário do seu sucessor foi mais resistente na introdução de programas de estímulo enquanto esteve à frente do BCE, também considera que novas medidas de suporte não deverão ser uma surpresa, uma vez que o presidente do BCE, Mario Draghi, já adiantou que poderia estender o plano de compras na região caso seja necessário.

O responsável mostra-se ainda mais optimista para a situação na região, com o risco soberano a ser progressivamente eliminado. "É claro quando olhamos para Espanha que Espanha está a crescer agora e da maneira correcta, Irlanda está a crescer, Portugal está a crescer", adiantou, acrescentando que a Grécia "é um caso especial".

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