Dividendos Um guia para a época de dividendos que está à porta

Um guia para a época de dividendos que está à porta

É já esta semana que vai arrancar a época de pagamento de dividendos das cotadas portuguesas. Conheça as datas de pagamento, quais os dividendos mais rentáveis e outros temas neste guia que o Negócios preparou.
Um guia para a época de dividendos que está à porta
Bloomberg

Arranca na quinta-feira a época de pagamento de dividendos por parte das cotadas portuguesas. O pontapé de saída vai ser dado pela REN, que coloca à disposição dos accionistas o dividendo de 17,1 cêntimos a partir de 2 de Maio, sendo que as acções passam a negociar sem direito à remuneração a partir de 28 de Abril.

 

Esta altura do ano é das mais apetecíveis para muitos investidores, sobretudo os que privilegiam a aposta nas cotadas com os dividendos mais generosos. São sobretudo duas as estratégias seguidas pelos investidores. Há os que apostam no longo prazo nas cotadas que pagam os dividendos mais rentáveis, e também os que privilegiam uma estratégia de caça ao dividendo, entrando na acção pouco antes da data de pagamento, vendendo pouco depois de embolsar a remuneração.

 

A rentabilidade do dividendo

 

Aos que seguem uma estratégia de longo prazo, um dos indicadores mais relevantes é o "dividend yield", que mede a relação entre o dividendo e a cotação da empresa.

 

E neste campeonato da rentabilidade, os investidores até nem têm razão de queixa das cotadas portuguesas, pois a grande maioria até é generosa. Há mesmo casos de empresas que reservaram para os accionistas mais do que o lucro obtido no ano passado. Pedro Lino, administrador da Dif Broker, alerta que isso "deve ser visto com cautela pelos investidores e como algo que não é sustentável a não ser que os resultados da empresa cresçam substancialmente". Isto mesmo que a rentabilidade seja atractiva. 

 

Fundamental é calcular quanto vai receber com os dividendos das empresas onde é accionista, ou onde pretende investir. Para tal utilize a calculadora do Negócios. Basta introduzir o número de acções para saber o valor que vai receber, já líquido do imposto de 28% (assumindo que não opta pelo englobamento). Se colocar também a cotação da acção, fica a saber a rentabilidade implícita.


AS ACÇÕES COM OS DIVIDENDOS MAIS RENTÁVEIS


Há cinco cotadas nacionais que se destacam na rentabilidade do dividendo. Todas pagam um dividendo com uma rentabilidade superior a 5%.

• Novo dividendo da Portucel é dos mais rentáveis
Apesar de ter distribuído um dividendo bruto de 0,1813 euros por acção no final de 2015, a Portucel vai pagar mais 0,237 euros (em duas datas diferentes), uma remuneração extra que vai fazer com que a empresa entregue um valor mais elevado do que os lucros do ano passado. Só esta nova "fatia" apresenta uma rentabilidade de 7,55%.

7,55%
Dividendo
Taxa de rentabilidade do dividendo bruto da Portucel.


• Altri com taxa de rentabilidade de 7,53%
A Altri também já tinha distribuído dividendos no final de 2015, mas volta a fazê-lo este ano. Vai pagar mais 0,25 euros. Apesar da maior remuneração que o esperado, o BPI nota que a empresa de pasta e papel não tem grandes necessidades de refinanciamento. Ou seja, acredita que é sustentável.

7,53%
Retorno
Peso do dividendo bruto de 0,25 euros no valor das acções da Altri.


•  EDP manteve dividendo apesar das dúvidas
A EDP manteve o valor do dividendo por acção em 0,185 euros, montante que está inalterado há alguns anos. Mas entidades como o Goldman Sachs e o Société Générale alertaram para a sustentabilidade dos dividendos, preocupação descartada pelo BPI. A taxa de rentabilidade é de 6,01%.

6,01%
Rentabilidade
O dividendo proposto pela EDP corresponde a 6,01% da cotação actual.


• REN com resultados e dividendos estáveis
Os dividendos da REN têm tido uma trajectória de estabilidade nos últimos anos. E os analistas do BPI destacaram que a empresa liderada por Rodrigo Costa tem um dividendo acima das pares. O valor de 0,171 euros por acção a pagar nos próximos meses pressupõe uma taxa de rentabilidade de 6,23%.

6,23%
Taxa de retorno
Taxa de rentabilidade da remuneração por acção da REN.


• CTT entregam remuneração de 5,84%
Os CTT propõem um dividendo por acção de 0,47 euros, o que pressupõe uma taxa de rentabilidade de 5,84%. E os analistas do CaixaBI antecipam que a empresa continue a aumentar a remuneração aos accionistas devido à " forte geração de fluxos de caixa, excluindo o Banco CTT".

5,84%
Remuneração
Taxa de rentabilidade do dividendo de 0,47 euros.


A IMPORTÂNCIA DO CALENDÁRIO


As datas em que as cotadas pagam os dividendos são outro factor fundamental para os investidores. Muitas das cotadas já viram os seus accionistas aprovarem o valor a pagar e estão agora a anunciar as datas em que vão colocar o dinheiro à disposição dos investidores.

 

Foi o fizeram diversas cotadas portuguesas nos últimos dias, sendo que já são conhecidas as datas de pagamento de nove companhias.

 

Mais do que a data do pagamento do dividendo, o que é relevante é a data de ex-dividendo, ou seja, quando a acção passa a negociar em bolsa sem direito à remuneração.

 

Vejamos o caso da REN. A empresa vai pagar o dividendo a partir de 2 de Maio, mas é no dia 28 de Abril que a acção passa a negociar sem direito à remuneração. Assim, para receber o dividendo da empresa de energia, terá que manter a acção em carteira até ao fecho da sessão de 27 de Abril.

 

Será na sessão de 28 de Abril que a cotação da REN vai reflectir o facto de ter entrado em ex-dividendo, pelo que a cotação deverá ajustar em baixa o valor da remuneração. Contudo, o ajuste não é automático e será o mercado a ditar a cotação de abertura da REN na sessão de 28 de Abril.

 

Os investidores de dividendos de curto prazo seguem a estratégia de entrar numa acção antes do período de ex-dividendo, esperar que a cotação não ajuste na totalidade o valor da remuneração e vender o título pouco tempo depois.

 

Daí ser muito relevante estar a par das datas de pagamento de dividendo, que pode conferir no calendário em baixo. Que será actualizado sempre que forem conhecidas novas datas.


QUASE METADE DOS DIVIDENDOS VAI PARA 10 INVESTIDORES

 

Se a época de pagamento dos dividendos é seguida de muito perto sobretudo pelos pequenos investidores, são os grandes que levam a maior fatia dos lucros que as cotadas pagam aos accionistas.

 

Cálculos efectuados pelo Negócios e publicados no final de Março dão conta que as cotadas do PSI-20 vão pagar 2,3 mil milhões de euros aos accionistas este ano, sendo que quase metade deste valor ficará nas mãos de apenas dez investidores.

Esses dez investidores vão absorver 1,05 milhões de euros, ou 46% do total, segundo cálculos do Negócios baseados nas informações disponibilizadas pelas empresas. 

Foram considerados os 65 investidores com posições acima de 2% nas empresas, patamar a partir do qual a posição tem de ser divulgada. Estes absorvem 1,49 mil milhões de euros do "bolo" dos dividendos. Os restantes 810 milhões de euros ficam para pequenos investidores. Ou seja, os accionistas com participações abaixo de 2%, o que pode incluir também fundos, ficam com 35,2% da remuneração total.
 
Os maiores cheques

A Sociedade Francisco Manuel dos Santos, da família Soares dos Santos, é a entidade que receberá o maior montante em dividendos, fruto da posição de 56,1% na Jerónimo Martins. Depois de ter distribuído 235,7 milhões de euros no final de 2015, a retalhista conta pagar mais 167 milhões de euros, o que, no total, dará 226 milhões de euros ilíquidos ao seu maior accionista.

No entanto, a Semapa não fica muito longe na lista das entidades que mais dividendos recebem. A empresa controlada por Pedro Queiroz Pereira deverá receber 208 milhões de euros, fruto da posição de 64,84% na papeleira. 

Já as empresas da família Queiroz Pereira receberão 43,5 milhões de euros de dividendos relativos à posição de 71% na Semapa, e são o décimo investidor que mais irá receber de dividendos. A "holding" distribuiu mais de 60 milhões pelos accionistas no final de 2015.

 

Os milhões da EDP

A Jerónimo Martins e a Portucel até distribuem um valor superior ao lucro obtido para premiar os accionistas. Mas a EDP mantém a maior remuneração da bolsa. A eléctrica vai distribuir mais de 670 milhões de euros pelos investidores, o que permite à China Three Gorges, ao Capital Group, à espanhola Oppidum e à Blackrock entrarem na lista dos dez investidores que mais dividendos irão receber. 

A empresa chinesa que controla 21,35% da eléctrica irá receber 144 milhões de euros e consegue o terceiro maior cheque da bolsa. Já a posição de 16,97% da Capital Group deverá render 114 milhões de euros, o que faz da gestora americana a quinta entidade que encaixará um maior valor em dividendos. 

Na lista dos cinco investidores que mais dinheiro irão receber na época de dividendos estão ainda entidades relacionadas com Américo Amorim. A posição de 55% na Amorim Energia, que detém 33,84% da Galp, e a posição maioritária na Corticeira Amorim deverão render mais de 120 milhões de euros. 

Entre as dez entidades que mais dinheiro irão receber com dividendos está ainda a Efanor, da família Azevedo, devido às posições na Sonae e na Sonae Capital. Deverão render cerca de 50 milhões de euros. Já a  empresária angolana Isabel dos Santos deverá encaixar 47 milhões com as posições na Nos e na Galp.

Bruno simão Miguel Baltazar Bloomberg Miguel Baltazar/Negócios



GLOSSÁRIO

O que é o dividendo? 

É a fracção dos lucros da empresa cotada que é distribuída aos investidores. Normalmente, quando uma empresa obtém lucros num exercício, distribui, no ano seguinte, uma parte desses aos detentores de acções, sendo o valor proposto pelo Conselho de Administração e votado em Assembleia Geral.

  

Quanto pago de imposto? 

A carga fiscal sobre os dividendos está em 28%, sendo o imposto pago na altura em que recebe a remuneração. Pode optar antes pelo englobamento, incluindo este rendimento na sua declaração de IRS, mas esta opção só é favorável caso a sua taxa de imposto seja inferior a 28%.  

 

Qual a diferença entre dividendo complementar e intercalar? 

O dividendo intercalar é aquele que é pago quando ainda decorre o exercício a que este diz respeito. O dividendo complementar é o que é pago no final do período a que se referem os resultados. Em Portugal, a Galp opta por dividir o pagamento do dividendo em duas fases, já lá fora são várias as que pagam em quatro fases (uma por trimestre).

  

O que representa o "dividend yield"? 

Resulta da divisão do dividendo pela cotação e determina a rendibilidade da remuneração. Apresentado em percentagem, este é um importante indicador da atractividade do dividendo, devendo ser comparado, especialmente, com o das cotadas do sector. 

 

O que é o "payout"? 

É percentagem dos lucros que a empresa distribui sob a forma de dividendos. Quanto maior é este rácio, mais atractiva é a política de remuneração da empresa aos accionistas. O "payout" pode superar os 100%, caso a empresa distribua um valor superior aos lucros.

 

Como posso ter direito aos dividendos? 

Para ter direito aos dividendos, terá que ter na sua carteira os títulos antes da data do destaque dos dividendos. As acções entram em ex-dividendo dois dias úteis antes da data de pagamento, sendo que para receber os dividendos basta comprar os títulos no dia anterior à data ex-dividendo, podendo os títulos ser vendidos na sessão em que entram em ex-dividendo. 

 

Quando é que recebo os dividendos? 

A remuneração accionista tende a ser feita entre Abril e Maio, sendo anunciado o valor a receber pelos investidores aquando da apresentação das contas do último exercício, ou nas semanas seguintes. Os dividendos são creditados na conta bancária do investidor, sendo o valor já líquido de impostos (a menos que opte pelo englobamento).

 

O que acontece às acções? 

No dia em que as acções entram em ex-dividendo passam a negociar sem direito à remuneração accionista. No mercado, os títulos das empresas ajustam negativamente de forma a reflectir o valor do dividendo. A queda do valor das acções não tem obrigatoriamente que ser na mesma proporção do dividendo, sendo o mercado a determinar qual a cotação das mesmas após o destaque da remuneração.

 




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