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China e Índia – Ainda há tempo para apanhar o comboio

José Sócrates liderou duas cimeiras europeias nas últimas semanas, na qualidade de presidente da União Europeia. A primeira com a China, a segunda com a Índia. Mas o que leva o primeiro-ministro português e outros líderes europeus a procurar reforçar a co

Patrícia Silva Dias patriciadias@negocios.pt 13 de Dezembro de 2007 às 11:00
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José Sócrates liderou duas cimeiras europeias nas últimas semanas, na qualidade de presidente da União Europeia. A primeira com a China, a segunda com a Índia. Mas o que leva o primeiro-ministro português e outros líderes europeus a procurar reforçar a cooperação entre a Europa e aqueles dois países asiáticos? O seu enorme potencial de crescimento económico que, dentro de 30 anos, será garantia da liderança mundial.

Ou seja, exactamente o mesmo motivo que está a atrair milhões de pessoas de todo o mundo a investir nos respectivos mercados financeiros.

É que o crescimento acelerado das economias chinesa e indiana tem sido muito generoso para as contas das empresas, assim como para os orçamentos das famílias. Resultado: os elevados lucros e a melhoria do poder de compra chegaram à bolsa. China e Índia têm vivido anos eufóricos, com os índices bolsistas a registar valorizações de 54% (índice Hang Seng) e 40% (índice Sensex), respectivamente. Números que já começam a levantar algumas questões. Estarão estes mercados à beira de uma "bolha" especulativa prestes a rebentar, como já avisou Alan Gresnpan, antigo presidente da Reserva Federal dos Estados Unidos? Será tarde demais para apanhar o comboio?

Os especialistas que seguem de perto estes mercados acreditam que não, embora existam vozes mais alarmistas. Alegam que os fortíssimos ganhos dos últimos anos, mesmo que aparentem ser muito inflacionados, são justificados pelo grande crescimento passado e, também, futuro das empresas e das economias. No entanto, recomenda-se prudência.

"A economia chinesa está muito bem, o PIB cresceu 11,5% no terceiro trimestre. O consumo e o investimento doméstico só podem aumentar. O governo vai continuar a apoiar o crescimento da economia, o que provavelmente terá efeitos positivos no mercado", explica Richard Wong, gestor do fundo de investimento mais rentável no último ano entre os que são vendidos em Portugal - o HSBC GIF Chinese Equity - que valoriza mais de 80%.

O gestor acredita que, do ponto de vista de quem investe, o mais interessante na China não se limita à economia. Estende-se também ao crescimento potencial do seu mercado accionista. A China não chega a representar 2% da capitalização bolsista mundial, apesar da dimensão conquistada nos últimos anos. Por isso, Richard Wong não vê outra alternativa que não seja a expansão do mercado accionista. "É uma enorme oportunidade para as empresas e, claro, para quem investe".

A situação da Índia não é muito diferente. A economia está vigorosa e as autoridades têm a inflação controlada. O mercado accionista cresce, com a vantagem adicional de apresentar uma reduzida correlação tanto com os mercados desenvolvidos como com os emergentes. O que se evidencia nos retornos dos fundos especializados neste mercado que, no último ano, variam entre 46% e 60% (ver tabela).

A Índia difere da China também pela alta qualificação da mão-de-obra, que contribuiu para o crescimento exponencial de sectores como as tecnologias de informação, engenharia, indústrias farmacêutica e financeira. Já a China cresceu mais pelos sectores da construção, materiais e infra-estruturas, embora este cenário esteja a mudar.

Caminho não é isento de imprevistos

Os indicadores positivos que surgem destes países não podem, contudo, fazer com que se ignorem as valorizações excessivas destes mercados accionistas. Nem sequer algumas das suas debilidades económicas. A China, por exemplo, enfrenta problemas de excesso de liquidez e subida da inflação. A Índia, por seu turno, deverá sofrer um agravamento das taxas de juro nos próximos meses, sendo de esperar uma maior volatilidade do mercado. Daí que investir nestes países seja um passo de alto risco.

Sendo dois mercados onde é possível ter o rendimento extra tão desejado, o segredo está em reservar apenas uma pequena parte da carteira a estes fundos. Assim, não deixa de beneficiar do alto potencial de valorização e, em simultâneo, as correcções de mercado não são tão sentidas. As gestoras recomendam uma exposição máxima entre 5% e 10%, que dependerá sempre da apetência individual ao risco, do horizonte e dos objectivos do investimento. Cinco anos é a permanência mínima aconselhada.

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