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ESMA: Há greenwashing nos fundos "ESG", mas é "involuntário"

O regulador reconhece as dificuldades em acompanhar o rápido crescimento do mercado e as dificuldades para as próprias gestoras em lidar com o tema da sustentabilidade.

DWS, detida pelo Deutsche Bank, foi questionada pelo regulador alemão e norte-americano sobre a sustentabilidade dos seus fundos ESG
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 05 de Novembro de 2021 às 11:57
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O risco de "greenwashing" nos fundos com selo verde é elevado e há produtos que se vendem como verdes que não o são. Quem o reconhece é Natasha Cazenave, diretora-executiva da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA). Ainda assim, a responsável nota que este "greenwashing" é "involuntário".

 

"O mercado está a mudar muito rapidamente. Há 5 anos ninguém se importava com ESG, era um mercado de nicho para algumas pessoas. Em 5 anos tornou-se ‘mainstream’", reconhece Natasha Cazenave, a participar num painel de debate da conferência anual da CMVM, em LIsboa. Para a diretora-executiva do regulador europeu, a rápida mudança nesta área está a colocar desafios não só ao regulador, como também às próprias sociedades gestoras.

 

"Há um grande risco de alguns produtos que se vendem como verdes possam não ser tão verdes. Isto não é necessariamente criticar a forma como fazem a gestão. É involuntário, não estão a fazer greenwashing de propósito", admite a responsável, salientando que este é um dos focos do regulador, evitar esta prática e proteger o interesse dos investidores.

 

O desafio, diz Cazenave, é perceber que medidas se devem implementar, como o fazer, de modo a garantir que se responde a uma procura dos investidores, num momento marcado pelo forte crescimento dos fundos sustentáveis na região.

 

Segundo a mesma responsável, atualmente  18% dos fundos são sustentáveis. "É enorme. Isto levanta uma questão ao regulador. Como regulamos?"

 

"Encontramo-nos num caminho em que uns produtos que se dizem verdes, mas têm estratégias de investimento completamente diferentes de um país para outro e de uma gestora para outra", reconhece, admitindo as dificuldades dos reguladores em acompanhar a rápida evolução do mercado.

 

"Havia uma espécie de ambiente estável no passado – não quer dizer que não houvessem grandes crises – mas o ambiente e o tipo de entidades eram conhecidas: as seguradoras e os bancos", explica.

 

"Vai ser um tema da nossa agenda na ESMA, combater greenwashing e proteger os investidores e garantir que não perdemos a oportunidade de colocar os mercados privados a contribuir para este grande desafio que temos", remata.

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