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Evolução demográfica afecta rendibilidades do investimento

A relação entre a evolução demográfica e o desempenho dos activos financeiros tem sido um tema querido dos especialistas. A Mellon Capital Management foi a última a produzir um estudo sobre o assunto. Se há mercados accionistas que serão beneficiados, com

André Veríssimo averissimo@negocios.pt 26 de Abril de 2007 às 14:14
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A relação entre a evolução demográfica e o desempenho dos activos financeiros tem sido um tema querido dos especialistas. A Mellon Capital Management foi a última a produzir um estudo sobre o assunto. Se há mercados accionistas que serão beneficiados, como o espanhol, outros, como os Estados Unidos e o Japão, vão sofrer.

O estudo, da responsabilidade do CEO da Mellon Capital Management, Charles Jacklin, e do responsável pelo "research", Ralph Goldsticker, conclui que os retornos das acções serão mais afectados nos países onde a população entre os 40 e os 64 anos está a diminuir. Recorde-se que o último grande momento de alta nas acções aconteceu nas décadas de 80 e 90, com a chegada aos 40 anos da população nascida durante o "Baby Boom", que se seguiu à Segunda Guerra Mundial.

Já a venda de activos pela chegada à reforma dos "babyboomers" não deverá ter um impacto muito expressivo. "Os reformados podem vender os seus activos a um ritmo mais baixo do que o esperado, devido ao receio de viverem mais tempo do que previam, à necessidade de cobrirem despesas médicas crescentes e à vontade de deixarem uma herança", afirma Charles Jacklin.

Com estas coordenadas, quais são os mercados que serão mais penalizados e beneficiados? Utilizando apenas os critérios demográficos, o estudo da Mellon Capital conclui que as acções espanholas serão o melhor investimento, com as rendibilidades a serem impulsionadas em 39,8% no período entre 2005 e 2015. O que se justifica pelo aumento da população entre 40 e 65 anos, que deverá canalizar mais investimento para o mercado de capitais. Outro país beneficiado é a Alemanha, com um impacto de 16,5% em dez anos.

A outra face desta moeda está reservada para o Japão e os Estados Unidos. As acções japonesas são as mais penalizadas pela diminuição da população de meia idade, afectando o retorno em 8%. Para o mercado accionista americano o impacto é de 1,7%.

Quando é analisado o período entre 2015 e 2025, a penalização abrange quase todos os países analisados e em maior escala. Neste cenário, a bolsa holandesa é a mais afectada, com uma quebra de 24,1%. Para as acções americanas o impacto negativo é de 17,8%.

Os padrões demográficos dos Estados Unidos são semelhantes à maioria dos países mais desenvolvidos, com uma diminuição da população de meia idade. Nos últimos anos, tem sido amplo o debate sobre o impacto da reforma da geração do "baby boom". O estudo salienta que entre 2011 e 2019, 75 milhões de americanos nascidos naquele período atingem a idade de reforma. E a chamada "Geração X", que compreende cerca de 50 milhões de pessoas, será incapaz de compensar o fim da vida activa dos "baby boomers".

Fundada em 1983, a Mellon Capital é especializada em estratégias de investimento quantitativas. A empresa pertence à americana Mellon Financial Corporation, uma das maiores gestoras de activos do mundo, com uma carteira de investimento de 5,8 biliões de dólares.

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