Fundos de investimento Fundos desinvestem na banca em Janeiro

Fundos desinvestem na banca em Janeiro

Os gestores reduziram a exposição a acções da banca no primeiro mês do ano. Já a Jerónimo Martins aumentou o seu peso nas carteiras em Janeiro, segundo os dados da CMVM.
Fundos desinvestem na banca em Janeiro
Miguel Baltazar/Negócios
Patrícia Abreu 16 de fevereiro de 2016 às 18:38

A forte turbulência que abalou as bolsas mundiais em Janeiro levou os gestores de fundos nacionais a reduzirem a exposição à banca, segundo os dados divulgados pela CMVM. Sonae, EDP Renováveis e Jerónimo Martins lideram as apostas.


Os fundos geridos por entidades nacionais desinvestiram nos títulos do BCP e do BPI no último mês. O banco liderado por Nuno Amado, que ocupava o terceiro lugar na preferência dos gestores em Dezembro, deixou de estar no "top 3". Capta agora 6,2% do capital investido em acções nacionais, face aos 8,2% que recolhia um mês antes, de acordo com a síntese divulgada pelo regulador do mercado de capitais.


Já o BPI continua a ser a quarta participação nas carteiras, mas com menos montante investido. A instituição recolhe 14,2 milhões de euros, equivalentes a cerca de 7% do património, enquanto no final de Dezembro captava 15,1 milhões.


Este desinvestimento coincidiu com um período conturbado nas bolsas, com os títulos da banca, a par da energia, no centro da turbulência. Apenas em Janeiro o BCP caiu 20,46%, o terceiro pior desempenho da bolsa, e o BPI perdeu 7,33%.


Retalho lidera apostas


Ao contrário do sector financeiro, o retalho reforçou o seu peso nas carteiras, com os investidores a mostrarem-se confiantes na evolução do sector. A Sonae SGPS continua a ser a empresa nacional preferida dos gestores. Representa 9,8% do capital investido em acções lisboetas, seguida pela EDP Renováveis, que recolhe 8,5% do investimento.


Apesar da liderança no "top" das apostas, a Jerónimo Martins foi a grande aposta dos gestores no último mês. A dona da cadeia de supermercados Pingo Doce passou da 9ª posição nas empresas com maior representatividade nas carteiras para a terceira maior aposta.


Os gestores confiaram 7,2% do capital à Jerónimo Martins, uma percentagem que compara com os 5,3% investidos no final de Dezembro.


Esta aposta revelou-se certeira. A retalhista liderou os ganhos na bolsa de Lisboa no primeiro mês do ano, com uma valorização de 7%, e é actualmente o único título com um retorno positivo em 2016. Soma 3,96%.


Refúgio na dívida


O pessimismo em torno dos activos de risco reflectiu-se numa quebra da procura de acções nacionais e estrangeiras, bem como dívida de empresas. O mesmo aconteceu com a dívida pública portuguesa, que viu o valor das aplicações descer 0,2% para 124,5 milhões de euros.


A dívida pública estrangeira foi a única categoria que captou maior investimento, perante a preferência por investimentos mais seguros. Subiu 3,5% para 1.048,7 milhões. 


Em termos globais, o valor sob gestão dos organismos de investimento colectivo em valores mobiliários (OICVM) totalizou 8.682,8,4 milhões de euros, menos 275,6 milhões de euros do que em Dezembro, adianta a CMVM. Nos fundos de investimento alternativo o valor sob gestão caiu 1,1% para 2.969,5 milhões de euros. 




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