Fundos de investimento Três anos depois fundos voltam a captar investimento

Três anos depois fundos voltam a captar investimento

Os fundos de investimento nacionais registaram o primeiro ano positivo desde 2012, com os investidores a voltarem a apostar nestes produtos de poupança. Fundos mais conservadores lideraram.
Três anos depois fundos voltam a captar investimento
Reuters
Patrícia Abreu 20 de janeiro de 2016 às 13:18

Os portugueses voltaram a investir em fundos nacionais no último ano. Os investidores aplicaram 328,5 milhões de euros nestes produtos de poupança em 2015, naquele que foi o primeiro ano positivo para a indústria desde 2012.

Os fundos de investimento nacionais fecharam 2015 com um balanço positivo, depois de ter fechado os anos de 2014 e 2013 com mais resgates que subscrições. Apesar de a diferença entre subscrições e saídas ter sido negativa durante grande parte do ano, o investimento em fundos acelerou nos últimos meses, com os investidores a procurarem diversificar as suas poupanças, num momento em que os depósitos a prazo pouco mais que 0%.

Apenas em Dezembro, os investidores colocaram 827,6 milhões de euros nos fundos, enquanto os resgates ascenderam a 480,3 milhões de euros, o que equivale a um saldo positivo no valor de 347,3 milhões de euros no mês.

Com este investimento, a indústria, que acumulava perdas de 55 milhões de euros no final de Novembro, terminou 2015 com subscrições líquidas positivas de 328,5 milhões de euros, segundo o relatório mensal divulgado pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP).

Esta inversão no investimento em fundos coincidiu com a entrada em vigor do novo regime fiscal dos organismos de investimento colectivo, que veio equiparar fundos nacionais e estrangeiros. A nova legislação prevê o pagamento do imposto apenas "à saída" e só sobre as mais-valias.

Mais defensivos são aposta

Os fundos mais conservadores recolheram a aposta dos investidores nacionais em 2015. Os fundos multi-activos defensivos captaram a maior parcela de património, ao captarem mais de 601 milhões de euros. Já os fundos de mercado monetário euro foram a segunda classe mais procurada no último ano.

Apesar das rendibilidades praticamente nulas, os fundos monetários receberam 473,3 milhões de euros. Esta é aliás a categoria que gere a maior fatia de património, representando 14,9% (1.773,1 milhões de euros) do valor total investido em fundos.

Os fundos PPR, cujas rendibilidades continuam a ser bastante atractivas face a outras classes de activos, foram outro dos grupos que recebeu mais interesse. Os portugueses reforçaram em 395,2 milhões de euros a aposta nestes produtos.

BPI lidera

Entre as gestoras, a BPI Gestão de Activos não deu hipótese. Captou 885,3 milhões de euros nos últimos 12 meses, quase o dobro do valor das subscrições registadas pela segunda gestora – a Caixagest – que recolheu mais investimento em 2015. A gestora do banco estatal recebeu 452,2 milhões de euros no último ano.

O forte volume de entrada em fundos do BPI tem sido visível ao longo dos últimos meses e foi determinante para o balanço final positivo da indústria. Esta evolução positiva surge num momento em que o BPI já não está a dar qualquer remuneração nos depósitos inferiores a 5.000 euros.

Já do lado dos resgates, a GNB, a antiga gestora do BES que está agora no Novo Banco, voltou a sofrer resgates avultados. Ao longo de 2015 viu sair 629,8 milhões de euros. Após mais estes resgates, a entidade gere apenas 356,7 milhões de euros, uma pequena parcela do valor que mantinha sob gestão em Abril de 2014 (2.518,4 milhões de euros), antes de ter rebentado a crise no BES.




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