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Um terço dos fundos resistiu à correcção das bolsas

É cedo para perceber se a correcção dos mercados accionistas em todo o mundo chegou ao fim. Ainda que na Europa as principais bolsas levem já duas sessões consecutivas de ganhos, nos EUA e Japão a tendência de queda regressou. Terminada ou não, é possível

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É cedo para perceber se a correcção dos mercados accionistas em todo o mundo chegou ao fim. Ainda que na Europa as principais bolsas levem já duas sessões consecutivas de ganhos, nos EUA e Japão a tendência de queda regressou. Terminada ou não, é possível fazer um primeiro balanço aos estragos que a "fuga" dos investidores provocou nos fundos.

Com base nos dados disponibilizados pela agência Bloomberg, o Jornal de Negócios analisou o comportamento dos fundos comercializados pelas sociedades gestoras portuguesas entre 26 de Fevereiro e a última terça-feira, dia 6 de Março. Dos 261 fundos com liquidez diária, apenas um terço conseguiu ganhos naquele período. Todos os restantes perderam valor.

A classe de mercados emergentes foi a mais penalizada. O fundo que mais perdeu durante a correcção foi o ESAF Brasil, com uma desvalorização de 9,13%. O segundo com a maior queda pertence também à sociedade gestora do Banco Espírito Santo, o ESAF Mercados Emergentes, com uma perda de 9,13%. Além destes fundos, entre os dez mais penalizados figuram mais três desta classe: o Millennium Mercados Emergentes, o Multigestão Mercados Emergentes (Montepio) e o Caixagest Acções Emergentes. As quedas destes fundos reflectem o desempenho dos respectivos mercados. Entre 26 de Fevereiro e 6 de Março, o índice de referência MSCI Mercados Emergentes recuou 8,05%.

De uma forma geral, os fundos mais expostos ao risco, isto é, às acções, foram os que mais sofreram. Entre as dez maiores quedas encontram-se também fundos de acções europeias e internacionais. Os fundos de acções portuguesas, que desde o início do ano e até ao fim de Fevereiro registaram uma valorização média de 7,45%, também foram arrastados na correcção, com perdas entre 3,59%, do fundo Santander Acções Portugal, e 5,98%, do Espírito Santo Acções Portugal.

Se, por um lado, os fundos de acções emergentes foram os mais penalizados, por outro os fundos de obrigações foram os que melhor resistiram. A correcção do mercado levou os investidores a procurarem refúgio em activos de menor risco. Ainda assim, os ganhos foram quase sempre marginais, inferiores a 1%. O fundo Raiz Global, do Central Banco de Investimento, registou o melhor retorno, com uma valorização de 2,2%.

Gestores mantêm confiança nos mercados emergentes

O impacto negativo da correcção das bolsas na "performance" dos fundos é visto com grande naturalidade pelos seus gestores, que já estão habituados a este tipo de movimentos do mercado. "É normal haver correcções nos mercados de capitais, que são mais sentidas nos emergentes. Mas continuo muito positivo para os emergentes, que têm boas perspectivas em termos de crescimento económico, da subida dos lucros das empresas, do elevado retorno do investimento e avaliações atractivas. Estão a transaccionar com um PER de 12,11 vezes", afirmou Sam Mahtani, gestor do Millennium Mercados Emergentes, um dos fundos mais penalizados neste período.

Outro gestor português realça que "esta situação é momentânea, porque as economias emergentes continuam a crescer muito bem", embora alerte para a existência de volatilidade no curto prazo. Já Sam Mahtani acredita que a correcção irá prolongar-se durante mais dez dias. E explica: "Os mercados emergentes ainda não caíram muito em relação ao pico. Em termos históricos, os emergentes têm correcções de 10% e, por enquanto, só estão a cair 7%." Para o gestor do Millennium Mercados Emergentes, só a partir do momento em que as perdas atinjam os 10% é que será "uma boa oportunidade para comprar".

Os gestores apontam um cenário de recessão económica nos EUA como o principal risco dos mercados emergentes.

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