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2008, o ano dos recordes

Para a grande maioria dos investidores, não há duas opiniões sobre isto: 2008 foi um ano terrível e também o ano dos recordes absolutos.

Carlos Varela 26 de Dezembro de 2008 às 10:22
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Para a grande maioria dos investidores, não há duas opiniões sobre isto: 2008 foi um ano terrível e também o ano dos recordes absolutos. A volatilidade nos mercados accionistas, medida para o S&P 500 pelo VIX, atingiu um máximo de cerca de 90, os preços do ouro e do petróleo alcançaram novos máximos e o euro atingiu uma valorização recorde face ao dólar e à libra. Algumas companhias financeiras também registaram as maiores perdas de sempre, enquanto os dados económicos dos EUA, Reino Unido e da Zona Euro registavam mínimos recorde e alguns bancos centrais cortavam as taxas de juro a uma velocidade sem precedentes.

Durante a primeira metade do ano, o sentimento foi dominado por receios quanto à subida da inflação, enquanto os preços das mercadorias aumentavam. A situação inverteu-se, à medida que se confirmavam os constantes receios quanto aos riscos de um enfraquecimento no crescimento económico. Os EUA, a Zona Euro e o Reino Unido registaram um crescimento negativo do PIB real no terceiro trimestre. Os preços das mercadorias caíram, particularmente o preço do petróleo, o que, eventualmente, alimentou taxas de inflação mais baixas e alguns observadores começaram mesmo a preocupar-se com as perspectivas de deflação. Isto abriu a porta para que o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco de Inglaterra aliviarem a política monetária e cortarem as taxas de juros para os 2% no Reino Unido e para os 2,5% na área do euro, em Dezembro. A Reserva norte-americana reduziu agressivamente as taxas de juros ao longo do ano, enquanto, entre outros, o Banco da Reserva Australiana, o Banco do Canadá, o sueco Riksbank e o Banco do Japão também reduziram as taxas de juros em 2008.

Os mercados accionistas estiveram sob pressão em Março, quando o Bear Stearns sofreu uma crise de confiança, antes de ser rapidamente salvo pelo JPMorgan, num negócio mediado pela Reserva Federal. Setembro também foi um mês dramático e as cotações das acções caíram antes do governo dos EUA ter salvo os gigantes hipotecários Fannie Mae e Freddie Mac. Depois, apenas uma semana mais tarde, o colapso do gigante Lehman Brothers e a venda do Merrill Lynch ao Bank of America desencadeou réplicas por todo o sistema financeiro global. Além disso, o gigante dos seguros AIG recebeu um pacote de ajuda no valor de 85 mil milhões de dólares da Fed. Também em Setembro, o Halifax Bank of Scotland aceitou ser adquirido pelo Lloyds TSB, o Bradford & Bingley foi nacionalizado, o Goldman Sachs e o Morgan Stanley, os últimos bancos de investimentos remanescentes nos EUA, tornaram-se bancos regulados e o Fortis recebeu ajuda das autoridades do Benelux.

Com o sistema financeiro global em dificuldades, o "Troubled Asset Relief Program" (TARP), avaliado em 700 mil milhões de dólares, foi aprovado no Congresso dos EUA no início de Outubro, como meio de adquirir crédito malparado aos bancos.Em Novembro, os EUA e o Reino Unido tomaram novas medidas: a Fed anunciou o Term Asset Backed Securities Loan Facility (TALF) avaliado em 800 mil milhões de dólares para adquirir divida hipotecária e apoiar os empréstimos ao consumidor, enquanto o Reino Unido reduziu o IVA de 17,5% para 15%.

Os mercados obrigacionistas globais também passaram por 12 meses voláteis, numa conjuntura de mudança no sentimento dos investidores e de acentuadas reversões nas expectativas quanto às taxas de juros. No Verão, a perspectiva de potenciais aumentos das taxas de juro levaram a uma venda generalizada nos mercados obrigacionistas. Contudo, à medida que os problemas no sector financeiro se agravaram em Setembro, os títulos de dívida pública voltaram a registar uma forte procura levando a uma queda nas rentabilidades e a um aumento dos preços dado que a crise no crédito desencadeou uma fuga para a qualidade, que se manteve durante o resto do ano apesar das reduções das taxas de juros.

O que esperar de 2009
Actualmente, é muito difícil medir a profundidade e a duração da recessão económica global. É importante que os políticos quebrem de algum modo o ciclo de opiniões negativas entre os fracos dados económicos e a restrição das condições no mercado do crédito. Várias medidas foram tomadas nos últimos meses e esperam-se novos anúncios por parte do presidente eleito dos EUA Barack Obama e, por conseguinte, se tudo correr bem, será apenas uma questão de tempo até que estas políticas colham frutos.

Do lado positivo, o declínio nos preços da energia deverá constituir um útil incentivo ao poder de compra das famílias. Os níveis de inflação já começam a cair, o que deverá fornecer algum suporte ao rendimento real mesmo que os salários nominais não cresçam. As taxas de juro também foram significativamente reduzidas nas principais economias o que, desde que estas sejam de facto aplicadas e que o crédito seja realmente disponibilizado, deverá fornecer algum alívio ao conturbado mercado hipotecário e aos mutuários empresariais.

Para que os investidores ganhem realmente confiança gostaríamos de assistir a um recuo da volatilidade para níveis mais "normais" - está extremamente alta desde há vários meses. Gostaríamos igualmente de ver os diferenciais entre a Libor a 3 meses e as taxas políticas a estreitarem-se para as respectivas médias históricas no Reino Unido, zona euro e EUA. A Libor a 3 meses está actualmente bastante mais alta, mas é importante porque é amplamente utilizada para cotar hipotecas, empréstimos e no mercado de derivados. Finalmente, é um sinal positivo o facto das taxas de juro e dos níveis de inflação estarem já em queda.

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