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5 passos para se proteger da crise

A recessão impõe cautela na gestão do dinheiro, até porque o grau que ela vai assumir é ainda uma incerteza. Porque o melhor é prevenir, o Negócios sugere um plano, em cinco passos, para defender as suas finanças.

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1. Orçamento mensal

Assuma o controlo das suas despesas


Embora o rendimento disponível das famílias deva aumentar este ano, sobretudo devido à baixa inflação prevista (1% diz o Banco de Portugal) e à descida das prestações da habitação, a incerteza que ainda persiste sobre a evolução da economia recomenda maior disciplina na gestão do seu dinheiro. O primeiro passo é o de certificar-se que os seus gastos e dívidas não excedem o rendimento do agredado familiar.

Comece por determinar as suas despesas anuais, somando não só os gastos fixos mensais, como a habitação, a educação, a alimentação e as principais contas, mas também os pagamentos de periodicidade anual, como seguros e impostos. O extrato da conta bancária pode ser um auxiliar para determinar as despesas variáveis. No fim, divida por 12 para achar os seus encargos mensais. O passo seguinte será determinar os rendimentos anuais, incluindo salários e outros. A soma das despesas não deverá exceder os rendimentos.

Se o saldo da conta for negativo, deve começar por reduzir as despesas variáveis. Um orçamento rigoroso permite ter a noção precisa sobre quão altas estas podem ser. Deverá dar maior atenção ao preço. Aproveitar as promoções dos postos de abastecimento com talões de supermercado pode permitir uma poupança de até 144 euros em 15 mil quilómetros percorridos no seu carro (distância média percorrida anualmente).

2. Poupanças

Constitua um fundo de emergência


Definir um orçamento mensal rigoroso é o primeiro passo para determinar quanto pode poupar. E em períodos de maior turbulência, é aconselhável aumentar o “pé de meia” para fazer face ao imprevisto. Uma atitude que surge quase por instinto. “Face à incerteza, as pessoas têm precaução e, regra geral, adiam para mais tarde a compra de bens duradouros, como carros ou mobiliário, reforçando as suas poupanças”, afirma João Sousa, responsável da Proteste Poupança, a publicação financeira da DECO Proteste.

Um conselho que vale tanto para o momento actual como para o futuro é a constituição de um fundo de emergência para não ser apanhado por situações inesperadas, como o desemprego ou uma doença. “Geralmente o fundo de maneio deve corresponder a entre três e seis salários mensais dos membros do agregado familiar”, explica João Sousa. O montante reunido “deve ser aplicado de forma segura, em produtos de capital garantido, com rendibilidade previsível e disponibilidade imediata”. Ou seja, prefira um depósito a prazo.

3. Depósitos

São a melhor aplicação de baixo risco


Os tempos de incerteza recomendam cautela, pelo menos a quem não deseje correr riscos com as suas poupanças. As opções disponíveis vão desde o tradicional depósito a prazo aos fundos de tesouraria. Mas qual preferir? João Sousa, responsável da Proteste Poupança, a publicação financeira da DECO Proteste, aconselha os depósitos. Os números falam por si. De acordo com os dados recolhidos pela associação junto das instituições financeiras, a remuneração média líquida de um depósito de 5.000 euros a 12 meses é de 1,9%. Mas, ao optar pela taxa anual nominal líquida mais alta disponibilizada, o retorno pode ser de 3,4%, bem acima da inflação prevista para este ano pelo Banco de Portugal, que é de 1%.

Aquela rendibilidade supera a dos certificados de aforro. Em Janeiro, a taxa anual líquida foi fixada em 1,9%. E a tendência é para continuar a descer, já que o retorno deste produto de poupança do Estado está indexado à Euribor a três meses, que deverá diminuir, acompanhando o corte da taxa de referência por parte do Banco Central Europeu. De acordo com as contas da DECO Proteste, só quem tenha certificados da antiga série B há mais de quatro anos deverá manter a aposta. A rendibilidade em Janeiro era de 3,2%, próxima do máximo dos depósitos. Além disso, continuará a beneficiar do prémio de permanência acumulado.

Outra opção são os fundos de tesouraria euro. Mas também eles serão afectados pela descida das taxas de juro. Além disso, não garantem o capital investido. Durante o último ano, vários fundos apresentaram mesmo rendibilidades negativas.



Contas feitas, o depósito é mesmo a solução mais rentável. A descida dos juros, que já se vem a verificar há alguns meses, recomenda que a aplicação seja feita por um período mais longo (12 meses), de forma a garantir uma melhor taxa por mais tempo.

4. Reduzir a prestação da casa

Alargar prazo do crédito ou adiar pagamento de capital


Há várias formas de reduzir os encargos mensais com os empréstimos. Todas as soluções existentes aliviam os orçamentos das famílias, mas apenas no curto prazo, porque no final das contas o preço pago será sempre maior. Ainda assim, há boas soluções para quem quer diminuir os gastos mensais. Um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um “spread” de 0,7% e indexado à Euribor a seis meses, corresponde a uma prestação de 466,93 euros (tendo em consideração a média da Euribor de 9 de Dezembro a 9 de Janeiro). Mas há soluções para reduzir o encargo mensal deste empréstimo: diluir por mais tempo o crédito, pedir uma carência de capital, pagando apenas juros durante os primeiros anos, ou optar por um diferimento de capital, passando para o final do empréstimo uma fatia do financiamento pedido. Estas opções reduzem significativamente o encargo mensal com o empréstimo. No caso de pagar os 100 mil euros a 50 anos em vez de 30, passaria a ter um encargo mensal de 373,67 euros, ou seja, menos 93,26 euros. Contudo, no final do empréstimo pagaria um total de 224.200,39 euros pelos 100 mil euros pedidos, mais 56 mil euros do que o custo total do mesmo empréstimo a 30 anos. No caso de optar por uma carência de capital de cinco anos pagaria, no período contratado, 318,08 euros e, passados os cinco anos, passaria a ter um encargo mensal de 470,45 euros. No total, um empréstimo nestas condições custará quase oito mil euros a mais. Assim, optar por qualquer uma destas soluções é transferir para o futuro uma parte dos encargos, mas aliviando o presente.



As simulações apresentadas têm por base um empréstimo de 100 mil euros, com um “spread” de 0,7% e a média da taxa Euribor a seis meses (de 9 de Dezembro a 9 de Janeiro) e com prazos de 30 e 50 anos. Em termos de custo total, o contrato de crédito simples e de menor duração é o mais barato. Mas para reduzir encargos mensais pode não ser o mais apropriado.

5. Dívidas

Amortizar e evitar fazer novos empréstimos


Numa altura de crise, o melhor é evitar maiores problemas. Ideal seria poupar, colocar de parte uma fatia do orçamento para enfrentar percalços que possam surgir. Os especialistas aconselham que se guarde 10% dos rendimentos. Mas, se não conseguir cumprir esta meta, não contrair novas dívidas já é bom. Controlar o endividamento é importante e, numa época em que a incerteza é grande, o melhor é evitar mais despesas. Por isso, reduza ao máximo os gastos e evite contrair novos empréstimos até porque esta altura é adversa, nem que seja porque as instituições financeiras, em época de grande incerteza, tendem a cobrar juros mais elevados. Outra solução para reduzir encargos é amortizar o empréstimo. É certo que terá de gastar parte das poupanças, mas esta medida fará com que o encargo mensal do crédito diminua e, se todos os anos o fizer, o custo total do empréstimo será menor do que se nunca amortizar a dívida. O Negócios fez as contas e, para um empréstimo de 100 mil euros, a 30 anos, com um “spread” de 0,7% e indexado à Euribor a seis meses (média dos 30 dias até 9 de Janeiro), a prestação associada é de 466,93 euros. Se decidir amortizar 5.000 euros desta dívida, a prestação correspondente para um empréstimo nestas condições é de 443,58 euros, ou seja, menos 23,35 euros por mês, ou 5%.
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