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6 regras para investir em "exchange traded funds"

Os activos dos fundos cotados estão prestes a ultrapassar a marca de um bilião de euros. Entre neste mundo mas conheça as normas básicas para vingar no universo dos ETF.

David Almas 14 de Julho de 2010 às 07:00
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As vantagens dos fundos cotados, normalmente conhecidos por "exchange-traded funds" ou ETF, estão a aumentar o interesse dos investidores nestes produtos de aforro colectivo: em 2010, o valor global dos ETF deverá ultrapassar um bilião de euros, segundo os cálculos da BlackRock, que, após a aquisição da Barclays Global Investors, se tornou na maior companhia do sector. Os fundos cotados compram-se e vendem-se na bolsa como se fossem acções. Actualmente, há mais de seis mil ETF nas bolsas de todo o mundo, de acordo com a base de dados da Bloomberg. Um quarto desses instrumentos são de fácil acesso aos investidores portugueses, já que se encontram nos mercados Euronext (embora a bolsa de Lisboa não tenha ETF listados) e nas praças norte-americanas.

Embora um bilião de euros seja uma marca impressionante, ainda está longe dos 16 biliões de euros dos fundos tradicionais. A maioria dos aforradores portugueses confia nos fundos de investimento geridos e comercializados no seio dos bancos para bater o mercado, ou seja, para alcançar um desempenho superior a um índice de referência. É possível que encontre um dos melhores fundos de uma determinada categoria de investimento, mas é pouco provável que o gestor desse fundo consiga bater o seu índice de referência.

John Bogle, o pai dos fundos de índice, estima que apenas 4% dos fundos tradicionais consegue ultrapassar a rendibilidade do índice que elegeu seguir. "Aposte em números e não em pessoas", aconselha Bogle, autor do livro "The Little Book of Common Sense Investing". O Vanguard 500 Index Fund, lançado a meio da década de 1970 por John Bogle, rendeu 2.637% ao seguir de perto o índice Standard & Poor's 500, o equivalente a ganhar 10,3% por ano. É um feito de que poucos gestores se podem orgulhar.

São várias as vantagens dos fundos cotados em bolsa. Além de serem baratos, são flexíveis, muito transparentes e bastante diversificados. Contudo, antes de apanhar o comboio da indexação dos investimentos, há seis coisas fundamentais que deve saber sobre o universo dos ETF.

1. Corte nas comissões
É verdade que os ETF são os instrumentos de investimento colectivo mais baratos. As comissões de gestão podem descer abaixo de 0,10% por ano, o que é impressionante. Nesses casos, isso quer dizer que a entidade gestora lhe cobra menos de um milésimo do seu património por ano. É o caso do Vanguard Total Stock Market ETF, que investe em cerca de 3.380 acções norte-americanas. Como controla uma das maiores carteiras do mundo - avaliada em mais de 110 mil milhões de euros, cerca de 10 vezes o valor dos fundos mobiliários geridos em Portugal -, a Vanguard pode dar-se ao luxo de apenas cobrar 0,07% por ano aos investidores.

A comissão média de gestão dos ETF de acções é de cerca de 0,40%, o que significa são quase quatro vezes mais baratos do que os fundos tradicionais. Além disso, essas comissões são normalmente cobradas numa base diária, o que quer dizer que os investidores nem sentem a sua cobrança.

Apesar de os ETF serem baratos, é preciso estar atendo. Quanto mais específico for o ETF, mais os gestores se afastam da comissão média de gestão. É o exemplo do PowerShares Middle East North Africa Nasdaq OMX, um fundo cotado em Paris que aplica o dinheiro nos mercados accionistas do Médio Oriente e de África: a comissão anual aproxima-se de 1 por cento.

Como são negociados nas bolsas como se fossem acções, há outro nível de comissionamento que é preciso observar: as comissões do intermediário financeiro. Os investidores que querem consolidar os seus pés-de-meia no mundo dos fundos cotados devem investigar e seleccionar os bancos ou corretores mais económicos. Avalie o efeito no seu património das comissões de bolsa, de custódia de títulos e, eventualmente, de pagamento de dividendos.

2. Confirme que segue o índice
A maioria dos fundos cotados tenta replicar um índice, embora haja alguns que adoptam posições mais activas (o que invariavelmente significa comissões mais elevadas). Embora se esforcem por dar aos investidores o retorno do índice de referência deduzido da comissão de gestão, nem sempre isso acontece. Há várias técnicas para copiar o desempenho de um índice (como comprar uma carteira idêntica ou usar o mercado de instrumentos derivados), mas o funcionamento não é garantido. Por essa razão, vale a pena verificar se o ETF conseguiu aproximar-se da sua referência.

Embora o Lyxor ETF MSCI Greece tenha perdido praticamente o mesmo valor que o índice de acções gregas no último ano, cerca de 44%, o Amundi ETF MSCI India, o fundo cotado que mais rendeu na Europa no último ano ao investir na bolsa indiana, ficou longe da sua referência: a sua valorização de 128% fica três pontos abaixo do índice, quando a comissão anual de gestão é de 0,80%.

3. Há alguém no mercado?
É importante que o fundo cotado que quer adquirir tenha diariamente muitos interessados. Se isso não acontecer, corre o risco de um dia querer desfazer-se da sua participação e não conseguir um bom preço.

Em muitos casos não tem de se preocupar, porque os volumes são gigantescos. É o caso do SPDRS&P500ETF,que acompanha o principal índice de acções norte-americanas: negoceiam-se cerca de 250 milhões de títulos por sessão bolsista, que somam mais de 22 mil milhões de euros, cerca de 20 vezes o valor transaccionado diariamente em todo o mercado à vista da Euronext lisboeta.

Os investidores mais cuidadosos devem evitar os fundos que estão várias horas (ou, mesmo, dias) sem transaccionarem. É o caso, por exemplo, do norte-americano ProSharesUltra MSCI Mexico, que negociou uma média de 400 títulos por dia nos últimos três meses. Os sítios na Internet das bolsas e das sociedades gestoras fornecem muita ajuda preciosa nesta área.


4. Evite a comissão oculta
Além das comissões de bolsa e da comissão de gestão da sociedade gestora do fundo, os investidores devem ter cuidado com outro custo implícito na transacção de ETF: a diferença entre os preços de compra e de venda. Nos negócios de bolsa, as operações só se realizam se o preço mais elevado proposto por um comprador ("bid") iguala o preço mais baixo proposto por um vendedor ("ask"). Enquanto não se "casam" ordens, o "spread bid-ask" mede a diferença percentual entre as melhores propostas de compra e venda. Do ponto de vista do investidor, quanto maior o "spread" mais arriscado é o negócio.

Em Amesterdão, quando a sessão de bolsa que antecedeu o Dia de Portugal ia a meio, um investidor que comprasse o ETFX DAXglobal Gold Mining, que reúne as maiores companhias mineiras do mundo, gastaria 34,17 euros ("ask") por título. Contudo, se quisesse garantir que o venderia logo a seguir, apenas receberia 29,71 euros ("bid" na mesma altura). Esta perda hipotética de 13% é uma medida de risco: quando o investidor quiser se desfazer da posição que adquiriu poderá não conseguir um bom preço.

5. Não pague um prémio pelo seu fundo
Pela mesma altura, depois de transaccionar mais de 110 mil euros, o Lyxor ETF Euro Corporate Bond negociava-se a 114,26 euros na bolsa parisiense. O preço até parecia "normal": estava em linha com o valor das últimas operações e o número de ordens de compra e de venda ultrapassavam o milhar.

No entanto, quem comprasse uma unidade do fundo a 114,26 euros estaria a pagar mais do que obteria efectivamente. Segundo as contas da entidade gestora, nessa altura o valor líquido dos activos por unidade do fundo era de 113,76 euros. Logo, o preço na bolsa estava quase meio ponto percentual acima do valor justo. Para alguns investidores, meio ponto percentual pode ser irrisório, mas se se fizerem muitas operações de bolsa a pagar prémios então o prejuízo já se pode tornar substancial.

Convém manter o valor líquido dos activos debaixo de olho antes de realizar uma operação sobre ETF. Regra geral, as sociedades gestoras publicam um valor no final da sessão de bolsa (chamado vulgarmente de NAV, de "net asset value") e indicadores intradiários (iNAV, de "indicative NAV"). As sociedades gestoras mais avançadas calculam e publicam o iNAV a cada 15 segundos ao longo das sessões bolsistas, de forma a que os investidores tenham sempre acesso actualizado ao valor de mercado das unidades do fundo. O seu intermediário financeiro pode ajudá-lo a desvendar este valor, bem como os sítios na Internet das sociedades gestoras e das bolsas.

6. Cuidado com os dividendos
O PowerShares High Yield Equity Dividend Achievers Portfolio parece ser o fundo ideal para o investidor que quer apostar nas melhores pagadoras de dividendos dos Estados Unidos da América. Os gestores adquirem acções das 50 melhores pagadoras que aumentaram o dividendo anual pelo menos nos últimos 10 anos. Contudo, o investidor que comprar este fundo terá uma surpresa mensal: este ETF distribui dividendos todos os meses. Para os pequenos aforradores portugueses, isso claramente não é o ideal, porque sempre que recebem um dividendo têm de pagar comissões de intermediação ao banco ou corretor e de ser taxados pelo rendimento.

Se não pretende receber dividendos, seleccione fundos cotados que não os distribuem, optando por capitalizar todas as suas receitas. A missão está longe de ser impossível: embora nos EUA a maioria faça distribuições trimestrais ou semestrais, nas bolsas europeias quatro em cada nove ETF são de capitalização.


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