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A altura certa

Quando indicadores, como o que revela a confiança dos consumidores portugueses, indicam a existência de expectativas muito negativas sobre o futuro, o que sucede actualmente, aquilo que se pode esperar é uma quebra no consumo...

João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 27 de Março de 2009 às 10:00
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Quando indicadores, como o que revela a confiança dos consumidores portugueses, indicam a existência de expectativas muito negativas sobre o futuro, o que sucede actualmente, aquilo que se pode esperar é uma quebra no consumo e um aumento da poupança. O receio dos maus tempos tempera a vontade de gastar recursos e aguça o apetite pelos hábitos de aforro, muito mal amados durante os anos mais recentes.

Aparentemente, os indicadores qualitativos e quantitativos que tentam retratar e antecipar o comportamento da economia nacional estão a evoluir de forma coerente. Em Janeiro, depois de um último mês de 2008 em que a época do Natal disfarçou os impactos da crise, o recurso ao crédito registou o mais lento ritmo de crescimento dos últimos cinco anos, enquanto os depósitos efectuados junto das instituições financeiras aumentaram 13%. Até aqui, tudo parece estar de acordo com o que seria expectável.

Os dados contraditórios surgem nas conclusões do Observatório Cetelem, divulgados na semana passada pelo Negócios. O trabalho não só revela quanto gastam os consumidores portugueses e no que gastam, mas também dá pistas sobre as motivações futuras quanto ao destino que pretendem dar aos seus rendimentos. Neste capítulo, há algumas surpresas a contabilizar.

Apesar da conjuntura preocupante em que Portugal está mergulhado, a vontade de consumir não será abalada com facilidade. Pelo menos em matéria de viagens, computadores e aquisição de electrodomésticos, onde o fascínio pelos plasmas é a expressão prática do elevado número de horas dedicado a ver televisão, o Observatório Cetelem refere que os portugueses prevêem aumentar as suas despesas. São boas notícias para as empresas que actuam nesta área. E sinal, também, de que, provavelmente, a recessão não será tão demolidora quanto se esperava. Será mesmo assim? Ver-se-á.

Melhor, para um país de famílias e empresas necessitadas de corrigir os excessos cometidos no recurso ao crédito, é o facto de os valores aplicados em depósitos estarem a subir. Entre Janeiro de 2008 e o mesmo mês deste ano, 37 milhões de euros entraram, por dia, nos bancos por via da constituição de depósitos, o que as respectivas administrações certamente muito agradecerão, tendo em consideração as dificuldades de financiamento que têm caracterizado a actual turbulência.

Resta saber se os aforradores que estão agora apostados em desviar uma fatia dos seus rendimentos para os depósitos bancários estarão a fazer a opção correcta, nos casos em que a decisão tenha a ver com a vontade de acumular dinheiro para satisfazer necessidades a longo prazo. Como as situações em que a poupança visa assegurar um complemento da pensão de reforma minguante que o Estado ainda se compromete a pagar, por exemplo.

No curto prazo, as bolsas andarão nervosas durante mais alguns meses, em busca de alicerces na saúde da economia para iniciarem uma recuperação. Mas, para quem quer investir com horizontes temporais alargados, as cotações das acções ou o valor das unidades de participação dos fundos de investimento andam, por esta altura, a níveis convidativos. Se há altura certa para entrar no mercado, ela anda por aí.
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