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Acções com desconto

Os investidores voltaram às compras nas últimas semanas, depois de a forte queda das acções ter deixado as cotações em níveis atractivos. A incerteza que ainda persiste obriga a ser selectivo e a escolher empresas a desconto

Negócios negocios@negocios.pt 27 de Março de 2009 às 10:02
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Os investidores voltaram às compras nas últimas semanas, depois de a forte queda das acções ter deixado as cotações em níveis atractivos. A incerteza que ainda persiste obriga a ser selectivo e a escolher empresas a desconto


Os investidores deram sinais de um apetite renovado pelo risco nas últimas duas semanas, levando a fortes ganhos das bolsas. É cedo para saber se as acções já bateram no fundo. Certo é que a elevada desvalorização das acções deixou muitas delas com cotações atractivas. O Negócios foi à procura das empresas que oferecem um maior desconto na praça portuguesa. Sonae, EDP e Semapa foram as seleccionadas.

Muitos investidores procuram fazer o chamado "market timing". Isto é, entrar no ponto mais baixo e sair no ponto mais alto do mercado. A probabilidade de sucesso é remota e o risco elevado. A melhor opção é entrar quando se tem a convicção de que a oportunidade existe e manter o investimento por um prazo longo, no mínimo cinco anos.

O crescimento dos lucros é a medida do aumento do valor das empresas e, logo, do seu desempenho no mercado accionista. Regra geral, os investidores aceitam pagar um prémio, incorporando no preço em bolsa a expectativa de vários anos de lucros. O que é expresso na relação entre a cotação e os lucros ("price-earnings ratio").

A praça lisboeta tem registado este ano um melhor comportamento do que a maioria das bolsas da Europa, caindo 3% em 2008, contra 15,8% do alemão DAX, os 13,4% do francês CAC ou os 16,8% do espanhol IBEX. O que faz com que as empresas do PSI-20 transaccionem com um PER estimado de 12,69, contra 10,55 do DAX, 8,89 do CAC40 e 7,68 do IBEX. Números que equivalem aos anos que os investidores terão de esperar para receber em lucros o preço pago pela acção. Daqui se conclui que a praça portuguesa está mais cara, o que pode servir de aviso.
Inegável é que, em termos históricos, o PER actual é baixo, encontrando-se ao nível de finais de 2005. O único senão, é a incerteza sobre quanto mais vão cair os lucros.

Para chegar às empresas que apresentam um desconto mais atractivo o Negócios começou por analisar o PER, com base nas estimativas de lucros para 2009 dos analistas consultados pela Bloomberg. Com um rácio de 10,47 vezes, a Semapa transacciona com um desconto de 45% face ao sector da pasta e papel na Europa.

Para excluir o efeito extraordinário sobre os lucros, a análise inclui também os resultados operacionais (EBITDA) registados nos últimos 12 meses. Neste critério, é a Teixeira Duarte quem surge com o maior desconto face ao sector (72%), seguida da Sonae SGPS (68%), comparada com a distribuição. Se for utilizado o rácio dos conglomerados industriais, o desconto sobe para 88%.

A "holding" liderada por Paulo Azevedo surge, também, entre as empresas cujos activos estão mais subavaliados pelo mercado. A cotação actual da Sonae SGPS não reflecte a totalidade do valor líquido dos activos da empresa e está a desconto face ao sector.

As empresas escolhidas resultam da conjugação dos três critérios, sempre partindo do desconto face ao sector. Apesar de não surgir à frente em nenhuma das análises, a consistência apresentada pela EDP leva a que a eléctrica surja no lote das três oportunidades. Mas lembre-se que investir na bolsa exige sempre diversificação, para reduzir o risco. Aplique as poupanças em diferentes títulos, mercados e classes de activos.
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