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Ásia - Os ganhos do futuro moram aqui

Sem impacto directo do “subprime”, a Ásia deverá continuar a registar um elevado crescimento económico. Depois da recente correcção, Maria Abonnizio, da Fidelity International, considera que este é o momento para entrar nas acções do continente. E ficar p

André Veríssimo averissimo@negocios.pt 28 de Abril de 2008 às 14:27
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Na quinta-feira passada, as acções chinesas subiram 9,3%, registando a maior valorização em mais de seis anos, depois de as autoridades terem reduzido o imposto sobre as mais-valias. O objectivo foi travar a queda do mercado, que este ano já perdeu 1,7 biliões de dólares ao corrigir 43%. Este “esvaziamento” não foi um exclusivo da China. Um pouco por toda a Ásia os títulos registaram perdas acentuadas. Será esta uma boa oportunidade para regressar? A sociedade gestora de fundos americana Fidelity diz que sim.

“Quando se olha para as várias regiões do mundo, a Ásia é das poucas que ainda oferece uma perspectiva de crescimento robusto da economia e dos resultados das empresas”, afirma Maria Abonnizio, directora de investimento da Fidelity International.  A responsável assinala que o crescimento do PIB estimado para a região, que é de 7% para  os próximos dois anos, é três a quatro vezes superior ao dos EUA e Europa ocidental.

Se a força do argumento macroeconómico parece inquestionável, já o nível das cotações suscita dúvidas. Entre o início de 2003 e o final de Outubro de 2007, os mercados asiáticos, exceptuando o Japão, multiplicaram por quatro o seu valor de mercado, proporcionando o melhor retorno do globo. Nessa altura, as acções da região chegaram a transaccionar a 60 e 70 vezes os lucros. Entretanto, os índices caíram cerca de 30% até meados de Março. Mesmo com a recuperação de cerca de 16,5% nas últimas semanas o PER recuou para a casa das 30 vezes. O que compara com as 13,4 vezes a que transaccionam as acções europeias ou as 22 vezes a que negoceiam as americanas.

Maria Abonnizio não se esquiva à resposta: “Não é uma avaliação extremamente barata. Para isso, o rácio teria de estar abaixo das 11 vezes, o que não acontece desde 2003. Mas, embora o PER esteja em redor das 30 vezes, é preciso ter em conta que as estimativas apontam para um crescimento de 50% nos lucros”. A especialista em mercados asiáticos salienta que, “de uma maneira geral, o preço das acções está mais interessante que há uns meses atrás”.

Outra vantagem da região é não ter exposição relevante ao “subprime”. “O efeito directo da crise financeira é limitado”, considera a responsável da Fidelity, já que, de uma forma geral, a exposição dos bancos e seguradoras aos activos do crédito hipotecário de alto risco dos EUA é reduzida. “O risco de amortizações e revisão em baixa dos lucros é limitado e não existe um risco estrutural para o sistema financeiro”.

Motivos que levam Maria Abonnizio a considerar ser este “um bom momento para investir na Ásia”, “uma história que oferece um potencial de ganhos no longo prazo”. Esta é, aliás, a única região do mundo que recebe uma recomendação positiva da Fidelity. Taiwan e Tailândia estão entre os países em que a sociedade gestora está mais optimista. Mesmo a China e a Índia estão “mais atraentes” depois das fortes correcções registadas nos últimos meses, e “deverão continuar a beneficiar de um crescimento sustentado dos lucros”. “Não penso que estejam à beira de cair num precipício”, remata a responsável.

E quanto a investir na Ásia? “Depende muito da tolerância ao risco”, responde a especialista. Mas seguramente mais do que os 7% que a Ásia pesa no mercado accionista global. “Eu acredito fortemente que o futuro está na Ásia”, remata.

Outra dúvida que se coloca aos investidores portugueses e restantes aforradores da Zona Euro é se devem investir em fundos que façam cobertura cambial ou se devem ficar expostos à variação das moedas. “Relativamente ao euro é-me difícil avaliar, mas em relação ao dólar, o meu conselho é investir sem cobertura”, afirma a directora de investimento da Fidelity. E justifica: “a maioria das moedas asiáticas estão estruturalmente subavaliadas”.

Maria Abonnazio reconhece, no entanto, que existem riscos. O principal é uma recessão profunda nos EUA, o que afectaria as exportações da região para aquele que é um dos principais parceiros. Neste caso, será de esperar um “sell-off” nos mercados accionistas. “Mas esse não é o cenário-base”, garante.

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