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Banco mantém charme após quebra dos lucros

Titã de Wall Street decepcionou com descida de 82% nos resultados do segundo trimestre

Banco mantém charme após quebra dos lucros
Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt 27 de Julho de 2010 às 08:40
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No auge da turbulência nos mercados financeiros que marcou 2009, quando as primeiras páginas dos jornais da especialidade eram quase diariamente ilustradas com imagens de operadores bolsistas com as mãos erguidas à cabeça, o titã da banca de investimento de Nova Iorque, Goldman Sachs, revelava uma capacidade invulgar para, de forma consecutiva, chegar ao final do trimestre e anunciar lucros extraordinários.

Até que, depois de uma Primavera marcada pelo eclodir da crise da dívida soberana europeia, o gigante surpreendeu os investidores na semana passada com a apresentação de uma quebra de 82% nos lucros relativos ao segundo trimestre deste ano.

O banco de investimento não foi além de lucros de 613 milhões de dólares entre Abril e Junho, algo como 473,4 milhões de euros. Parece muito, mas não quando comparado com os 3,44 mil milhões de dólares obtidos no mesmo período do ano anterior. "Tínhamos revisto em baixa as nossas expectativas de resultados, à medida que as condições se deterioravam, mas, mesmo assim, a Goldman conseguiu decepcionar-nos", comentou Brad Hintz, um analista da Bernstein Research em Nova Iorque, contactado pelo Negócios.

O Goldman Sachs, que luta para manter a reputação de exímio gestor do risco, contabilizou nas contas do trimestre o efeito da coima de 550 milhões de dólares paga num acordo judicial com a Securities and Exchange Commission, que acusou o banco de ter defraudado os investidores com um produto endossado a hipotecas de alto risco.




































Mas o que mais contribuiu para que este fosse o pior trimestre desde 2008 foi a derrocada de 36%nas receitas, penalizadas pelos resultados em operações de mercado e particularmente no segmento de derivados.

"Estivemos direccionalmente errados", reconheceu David Viniar, o administrador financeiro da Goldman. "Não fomos suficientemente rápidos na protecção contra a volatilidade", admitiu o responsável, que espera "obter melhores retornos do que estes no futuro".

"A Goldman Sachs continua a ser a Goldman Sachs"
Apesar de os resultados terem ficado aquém das expectativas, a cotação subiu 3,23% nesse dia. O mercado não parece muito atemorizado pelo tropeço do gigante. "Vemos as notícias que penalizam a acção como factores que proporcionam oportunidades de entrada para os investidores", considera Brad Hintz, que reitera uma recomendação de "outperform" para o título.

Das 20 notas de investimento divulgadas após as contas, 16 mantiveram a recomendação de compra das acções. Uma, ainda reviu em alta a sua visão para o banco, passando a aconselhar a entrada no papel. Nenhuma recomenda vender.

"Continua a haver uma grande indefinição em torno do futuro quanto à regulação e quanto a eventuais novos problemas com a justiça, mas a Goldman continua a ser a Goldman - a mais importante casa de investimento do mundo".


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