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BPI - E depois do aumento de capital?

Além da recapitalização, reforços dos principais accionistas tem centrado atenções do mercado

Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 23 de Julho de 2012 às 11:31
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BPI | O banco liderado por Fernando Ulrich apresenta os resultados do primeiro semestre na próxima quarta-feira.

2012 tem sido um ano positivo para as acções do BPI. Contrariando o desempenho dos últimos, o banco lidera mesmo as subidas entre as cotadas portuguesas. E várias têm sido as notícias a centrar as atenções dos investidores, ao longo dos últimos meses. Desde o plano de recapitalização, às mudanças na sua estrutura accionista, foram muitos os desenvolvimentos que marcaram o primeiro semestre. Nas próximas semanas, o principal destaque será o aumento de capital.

A operação de recapitalização do banco, no valor de 200 milhões de euros, arrancou, na semana passada. Em apenas duas sessões de negociação, os direitos de subscrição do aumento de capital desceram mais de 60% e pressionaram a evolução da cotação do banco, que acumulou uma desvalorização de 5,5% no mesmo período. Contudo, "a operação deverá decorrer sem sobressaltos", considera um analista do sector que preferiu não ser identificado.





O risco de sucesso total na operação de recapitalização, caso a cotação do BPI baixe os 50 cêntimos (deixando de compensar a subscrição das novas acções) não se põe, acredita o especialista. "O banco continua com uma estrutura accionista bastante sólida, com os três principais accionistas a controlarem cerca de três quartos do seu capital, pelo que acaba por ser um banco relativamente protegido", explicou ao Negócios.

A estrutura accionista do BPI sofreu, aliás, algumas alterações, ao longo dos últimos meses. Mudanças que se traduziram na saída do Itaú e reforço dos outros dois maiores accionistas: La Caixa e Isabel dos Santos. A instituição espanhola aumentou a sua posição de 30,1% para 39,57%, depois do Itaú lhes vender os seus 18,87%, parte dos quais foram posteriormente vendidos à Santoro. A "holding" de Isabel dos Santos passou a controlar 19,4% do banco português. Estes accionistas já manifestaram que vão acompanhar a operação de aumento de capital do BPI, que contará também com o apoio do Estado através dos "CoCo's".

Com esta operação, o banco deverá atingir, em Setembro, um rácio de solvabilidade de 'core tier 1' entre os 9 e os 11%, segundo a definição da Autoridade Bancária Europeia, e em torno dos 14%, segundo a definição do Banco de Portugal. Por outro lado, o banco liderado por Fernando Ulrich também beneficiou das operações de financiamento a longo prazo realizadas pelo BCE.

Deste modo, "os problemas estruturais de capital e de financiamento ficam, para já, resolvidos", sublinha o analista do sector financeiro. No entanto, mantêm-se outras questões que podem ter um impacto negativo na actividade do banco. A situação macroeconómica em Portugal deverá continuar a provocar uma deterioração da qualidade dos activos do BPI, pelo que as perdas com o crédito concedido deverão continuar a aumentar.

O banco apresenta os seus resultados do primeiro trimestre, na próxima quarta-feira. "A actividade doméstica deverá continuar sob pressão", antecipam os analistas do BESI. O banco de investimento estima lucros de 33 milhões de euros, no segundo trimestre, "suportados pelo negócio angolano", uma queda de 2% perante o período homólogo.




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