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Brisa - "Via verde" para mínimos na Bolsa

A queda no tráfego em Portugal arrasou as acções. E há dúvidas sobre a distribuição de dividendos

Negócios negocios@negocios.pt 09 de Agosto de 2011 às 08:49
Vasco de Mello | Presidente garante que tem liquidez para fazer face à política de dividendos da Brisa.


Ninguém consegue travar a Brisa. As acções da concessionária de auto-estradas não param de derrapar… na bolsa. Têm sido das mais castigadas pelos investidores, nas últimas semanas, em antecipação de algo que parece inevitável: a forte queda nas receitas, em resultado da conjuntura negativa em Portugal. A somar a isso há o possível corte de "rating", que ameaça a política de dividendos da Brisa.

A empresa liderada por Vasco de Mello cumpriu, no final da semana, uma série de 10 sessões consecutivas em queda. Um ciclo negativo que atirou as acções da Brisa para o valor mais baixo desde 1997. Neste período, marcado por fortes quedas em Lisboa, a Brisa afundou 23%.

O valor de mercado da concessionária encolheu em 488 milhões. O que despoletou esta forte correcção? Os resultados. As contas dos primeiros seis meses decepcionaram o mercado, tradunzindo o forte impacto da recessão em Portugal no tráfego nas auto-estradas da Brisa. Mas mostraram que a situação é mais negativa que o esperado.

"A conjuntura é o principal factor" a queda das acções da Brisa, uma empresa com "exposição exclusiva ao mercado português", diz Helena Barbosa. E "não há perspectivas de melhorar dado que a partir do quarto trimestre deixa de 'beneficiar' da recuperação do tráfego das ex-SCUT", refere a analista do Caixa BI.

As receitas de portagem diminuíram 1,7% para 261,7 milhões de euros. Nas restantes concessões, nomeadamente na Atlântico e na Brisal, o tráfego decresceu 8,3% e 30,2% respectivamente, "em virtude da economia recessiva e da alteração de condições inerentes às infra-estruturas adjacentes", explica a empresa liderada por Vasco de Mello.





Os resultados da Brisa desencadearam uma série de revisões em baixa de estimativas, que acentuaram o movimento negativo dos títulos. JPMorgan, Credit Suisse, Goldman Sachs e Morgan Stanley, ajustaram todos as suas avaliações em baixa.

A deterioração das perspectivas para a economia penalizará ainda mais os resultados da Brisa, numa altura em que paira sobre a concessionária a possibilidade de ver o seu "rating" descer para "lixo". Várias empresas da bolsa de Lisboa foram cortadas para este nível.

No caso da Brisa, a especulação de que tal revisão afecte a política de remuneração também tem castigado as acções. Um corte de "rating" é "sempre um factor negativo, ainda mais porque a Brisa tem elevadas necessidades de refinanciamento em 2012/2013", diz Helena Barbosa.

"Em termos de liquidez, a BCR detém linhas bancárias contratadas de cerca de 700 milhões de euros, muito superiores às necessidades de financiamento de curto prazo", explicou a Brisa. Parte desta "folga" resulta da venda da CCR, que rendeu 1,3 mil milhões de euros.

"A Brisa tem uma forte posição de caixa para fazer face aos seus compromissos de investimento e à sua política de dividendos", garante a concessionária. É esta política de remuneração que pode "salvar" as acções da empresa. A analista do Caixa BI destaca o facto da Brisa ter "uma rentabilidade do dividendo bastante elevada (acima dos 10%)". Além disso, está em marcha o "programa de recompra de acções, até ao final do ano".



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