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Cautela e “caldos de galinha” nunca fizeram mal a ninguém

O final de Março / início de Abril testemunhou uma recuperação nas principais bolsas de valores, apesar da simultânea avaliação negativa da economia dos EUA por parte do presidente da Reserva Federal, Bernanke, de uma subida no indicador de desemprego nos

Carlos Varela 28 de Abril de 2008 às 14:14
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Ao invés, os investidores concentraram-se no relativo alívio no âmbito do qual a UBS e a Lehman Brothers conseguiram angariar novo capital no mercado, embora esta última tenha anunciado uma nova perda relacionada com a crise do subprime no valor de 19 mil milhões de dólares. 

Acreditamos que se trate de um optimismo prematuro. Primeiro, não é ainda claro se as provisões efectuadas pelos bancos relativamente aos respectivos balanços irão cobrir os custos totais de novas perdas relacionadas com o subprime. Desde há alguns meses que afirmamos que até ao segundo e ao quarto trimestres de 2008, as elevações no novo preço dos créditos hipotecários “subprime” estão fora de questão e que o sector financeiro permanece vulnerável a surpresas desagradáveis. Além disso, o aumento do desemprego nos EUA e a significativa queda na confiança dos consumidores no Reino Unido estão a deixar claro que as perspectivas económicas alargadas de ambos os países estão em deterioração. Entretanto, a economia da área do euro está vulnerável devido à força do Euro (ainda que os mais recentes indicadores de confiança empresarial da Alemanha e da França sejam tranquilizadores).

Face a esta conjuntura, o “E” nas previsões do PE (price/earnings) é bastante incerto. Nos últimos meses, temos visto os analistas de investimento reverem em baixa as perspectivas de resultados das empresas para 2008 para o Reino Unido, zona euro e Japão. As perspectivas para o crescimento de resultados nos EUA parecem ligeiramente melhores do que no início do ano, principalmente devido aos decepcionantes dados de 2007 com os quais estão a ser comparados (nomeadamente no sector financeiro).
 
Bancos centrais sob observação

A Reserva Federal já demonstrou que está preparada para usar meios pouco convencionais para resolver a actual crise do mercado de crédito, através da aquisição de títulos garantidos por hipotecas para o seu próprio balanço, de modo a permitir que as instituições financeiras obtenham o tão necessário financiamento a curto prazo.

O primeiro trimestre observou um corte da taxa dos Fundos Federais em 200 pontos base para 2,25%, o que é um montante considerável de alívio. Mas os benefícios ainda não se fizeram sentir nas áreas da economia que mais precisam. Ao longo do mesmo período, as taxas sobre créditos hipotecários e o custo do crédito às empresas não caiu neste montante. Na realidade, em alguns casos, o custo do crédito subiu.

Isto sugere que ainda há mais para vir no que respeita ao alívio da política monetária. É provável que a Reserva Federal efectue mais cortes nas taxas de juro nas reuniões do FOMC (Federal Open Market Committee) a 30 de Abril e 25 de Junho e é possível que a taxa dos Fundos Federais desça para 1,5% até meio do ano. Isto comparativamente com a actual inflação básica de 2,3% homóloga e tal significaria que as taxas reais dos Fundos Federais ficariam negativas, tal como aconteceu nas duas últimas recessões.

A resposta agressiva da Reserva Federal aos actuais problemas da economia dos EUA encontra-se em contraste nítido com a postura de dureza do BCE. A postura estrita do BCE luta contra a aceleração da inflação na área do euro, a qual se encontra agora em 3,3% em termos homólogos. Embora a inflação seja um problema, acreditamos que os riscos para o crescimento são superiores e é provável que o factor de mudança seja o euro. Em termos reais, o euro está num extremo, com o índice efectivo real da JPMorgan ao mais alto nível na sua história de 38 anos. Isto significa problemas, os quais poderiam ser exacerbados caso os bancos centrais dos principais parceiros de negócios da área do euro (como o Reino Unido) aliviem a política monetária.

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