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Com o vento a favor

A EDP Renováveis está este ano em alta, para algum alívio dos muitos milhares de investidores que participaram na operação pública de venda e registam uma avultada perda. Já a rival ibérica, a Iberdrola Renovables, cai 2%.

Negócios negocios@negocios.pt 10 de Março de 2009 às 11:12
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A presença nos Estados Unidos beneficia as duas empresas, mas mais a portuguesa

A EDP Renováveis está este ano em alta, para algum alívio dos muitos milhares de investidores que participaram na operação pública de venda e registam uma avultada perda.

Já a rival ibérica, a Iberdrola Renovables, cai 2%. Em ambos os casos, o regresso da cotação ao preço de colocação inicial deverá ficar adiado para, pelo menos, 2010.

A vitória do Partido Democrata nas eleições americanas, que defende mais incentivos para as energias alternativas, deu novo fôlego às acções do sector. No dia 17 de Fevereiro, Barack Obama assinou uma nova lei que estende por mais três anos (até 2012) os créditos fiscais à produção de energia eólica. Através da Horizon Wind Energy, um quarto dos resultados operacionais da EDP Renovavéis já vêm dos EUA. Também a Iberdrola Renovables joga neste tabuleiro, de onde vem 14% do EBITDA ('cash-flow' operacional).

A presença do outro lado do Atlântico é um dos pontos fortes das duas empresas. Mas há mais. Os outros mercados em que estão presentes gozam também de alguma estabilidade regulatória, o que torna as receitas mais previsíveis. Além de Portugal e EUA, a EDP Renováveis tem uma forte presença em Espanha e está também em França e na Bélgica. A Renovables está ainda no Reino Unido e em vários outros países da Europa. Ambas têm ambiciosos planos de expansão. A empresa portuguesa anunciou este ano que pretende avançar para o Brasil.

Mas nem tudo são rosas. A forte desaceleração da inflação, um factor considerado na actualização dos preços da energia, terá um impacto negativo nas receitas das duas empresas ibéricas. Além disso, a crise financeira fez subir os custos da dívida contraída para novos investimentos. E ambas dependem da casa-mãe, a EDP e a Iberdrola, para obterem financiamento. Aqui surge o primeiro aspecto que as separa, já que o rácio de endividamento da eléctrica portuguesa é mais alto do que o da espanhola além do risco do país ser também mais elevado.

Há também uma grande diferença de dimensão. A Iberdrola Renováveis é a maior empresa do sector e vale em bolsa 12,6 mil milhões de euros, mais do dobro da empresa portuguesa. A capacidade de produção da empresa portuguesa, que no final de 2008 era de 5052 megawatts (MW), é quase metade da espanhola.

As empresas de energias renováveis não escaparam à forte queda da bolsa em 2008, provocando elevadas menos-valias na carteira dos investidores que compraram acções nas respectivas OPV. A Iberdrola Renovables entrou e bolsa em Dezembro de 2007 a valer 5,30. Cada acção custa agora menos 44%. A Renováveis chegou em Junho do ano passado. A cotação actual de 5,81 euros fica 27% abaixo dos 8,00 euros do IPO.

Jorge Gonzalez, analista da Ibersecurities, nota num estudo realizado há um mês que os activos mais elevados da Iberdrola permitem-lhe reduzir mais facilmente a dívida e oferecer uma rentabilidade superior dos dividendos, que a empresa começa a pagar este ano. "O perfil da Iberdrola parece mais defensivo", conclui.

Por outro lado, "a EDP Renováveis apresenta proporcionalmente um crescimento mais elevado e um 'portofólio' mais exposto aos EUA", considera Jorge Gonzalez. O que poderá levá-la a reagir de forma mais expressiva a boas notícias do outro lado do Atlântico.

Outra diferença é que a EDP Renováveis está a negociar em bolsa com um preço bem inferior à avaliação, garantindo-lhe uma recomendação de "comprar" da Ibersecurities, enquanto a Renovables recebe o carimbo de "vender".

O preço-alvo médio das avaliações emitidas este ano para a empresa portuguesa é de 7,00 euros, um potencial de valorização de 20%. O "target" médio da rival espanhola é de 3,73 euros, o que lhe dá uma margem de progressão de 25%. Ambas as avaliações, que têm como horizonte o final do ano, ficam aquém do preço a que as acções foram vendidas aos investidores no IPO.

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