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Combustíveis para fidelizar clientes

Os preços mais atractivos praticados pelos grupos de retalho estão a cativar, cada vez mais, os portugueses. As filas de espera nas bombas são uma constante. A aposta no "preço mais baixo" faz dos postos de abastecimento dos hipermercados um sucesso a nível nacional...

Negócios negocios@negocios.pt 26 de Dezembro de 2008 às 10:00
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A aposta no "preço mais baixo" faz dos postos de abastecimento dos hipermercados um sucesso a nível nacional, que consegue "roubar" milhões de litros de combustíveis às grandes companhias petrolíferas, com marcas de renome, presentes em Portugal. A estratégia para oferecer preços competitivos passa por abdicar de margens mais elevadas, compensando a diferença com a captação e fidelização de clientes para as lojas de retalho, o negócio principal da maioria das novas gasolineiras.

"A estratégia é a mesma dos produtos vendidos no hipermercado: produtos de qualidade vendidos ao melhor preço. Pontualmente, fazemos campanhas cruzadas que levam clientes das gasolineiras aos nossos hipermercados. No entanto, globalmente, a nossa imagem de baixo preço é também beneficiada com esta situação", revela Miguel Costa, responsável do Grupo Auchan (Jumbo).

O Grupo Jerónimo Martins não esconde que os postos de abastecimento, colocados junto da área comercial, funcionam como "pólos de atracção de novos consumidores", gerando receitas adicionais, que na maior parte dos casos são marginais, face ao volume de negócios obtido com a área alimentar.

No caso do E. Leclerc, segundo o presidente-executivo do grupo, em Portugal, Jacques de Oliveira, "a venda de combustíveis representa já uma fatia significativa do negócio em Portugal", aproximando-se dos 30% da facturação total do E. Leclerc em 2007. "A abertura de novos postos de venda de combustíveis, bem como a maior afluência, permitiram aumentos nas vendas de combustíveis em 2008", destacou o Intermarché. Este foi um dos primeiros grupos de distribuição a abrir postos de abastecimento de combustível no País. O primeiro foi inaugurado há mais de 13 anos, em Outubro de 1995.

"Para 2009, o Grupo Mosqueteiros irá manter as suas políticas de preços baixos que, associado a novas aberturas de postos de combustíveis, permite antecipar a continuação dos crescimentos verificados no corrente ano", acrescentou.

O crescimento das "marcas brancas" tem sido elevado (ver caixa). A maior procura pode ser justificada com a escalada dos preços dos combustíveis, que levou muitos portugueses a procurar o mais barato.

No caso do Jumbo, "a procura tem sido, desde o início, a máxima", revela Miguel Costa. "Os nossos postos estão sempre cheios, com filas de espera", como se constata em várias das estações de serviço do Grupo, espalhadas pelo País.

"Não há espaço para oscilações. Vendeu-se sensivelmente o mesmo número de litros em 2008, que em 2007. O aumento global das vendas está relacionado com a abertura de mais gasolineiras. Para 2009, esperamos aumentar as vendas por via de novas aberturas", conclui.


Qualidade dos produtos vista à lupa

Os combustíveis dos hipermercados são mais baratos. Mas terão a mesma qualidade dos que são vendidos pelas grandes companhias petrolíferas? É a questão que muitos automobilistas colocam. A desconfiança já foi maior e, dizem os especialistas, não há motivos que a justifiquem.

"A qualidade à saída das refinarias tem que ser sempre igual [comparativamente com os combustíveis de insígnias como a Galp Energia, BP, Respol, ou Cepsa], porque existe um decreto-lei que a regulamenta. Existem, também, normas internacionais", que definem padrões de qualidade, explicou ao Negócios um professor licenciado em engenharia química, que não quis ser identificado.

Miguel Costa, responsável pela área de negócio das gasolineiras do Grupo Auchan, do Jumbo, sublinha que "os combustíveis comercializados nas nossas estações são idênticos, em composição e qualidade, aos comercializados na generalidade das gasolineiras em Portugal". São, aliás, "adquiridos a importantes empresas petrolíferas que estão presentes no mercado português", acrescenta.

A mesma resposta foi dada pela generalidade das empresas contactadas. O Grupo Mosqueteiros frisa: "adquirimos combustíveis líquidos nos mesmos terminais de carga que os das companhias, ou seja, a nossa qualidade de produtos é equiparada".

"Os combustíveis comercializados nos postos de abastecimento das insígnias do Grupo Jerónimo Martins respeitam os mais altos padrões de qualidade. Além disso, estão disponíveis a preços muito competitivos", salienta a proprietária do Feira Nova e do Pingo Doce.

Augusto Cymbron, presidente da Anarec (Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis), não acredita que a qualidade seja a mesma. Em declarações ao Negócios, salientou que "o preço dos combustíveis é inferior porque não é exactamente igual ao que vai para os postos tradicionais".

Jacques de Oliveira, presidente-executivo E. Leclerc Portugal, rebate a opinião de Augusto Cymbron. Lembra que "o petróleo é um negócio somente acessível a países ou grupos gigantescos", pelo que "só podemos recorrer à compra dos combustíveis onde todos o compram". Ou seja, "nas refinarias que abastecem todas as marcas" presentes no mercado.

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