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Crise em Espanha e indicações da Reserva Federal dominam atenções

Itália testa o mercado de dívida depois do leilão decepcionante em Espanha. Investidores procuram pistas sobre a possibilidade de estímulos pela Fed

Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt 09 de Abril de 2012 às 11:16
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Ben Bernanke | Investidores receberam negativamente, na semana passada, a indicação de que a Fed não está para já a preparar novos estímulos.


Os dados económicos animadores divulgados nos últimos meses nos EUA estão a levar cada vez mais membros da Reserva Federal a descartar novas rondas de estímulos. Essa indicação abalou um pouco o sentimento nos mercados na semana passada, pelo que este será um tema em destaque também esta semana. Na Europa, os sinais de fragilidade em Espanha vão continuar a dominar as atenções.

No mês passado, os primeiros sinais de que poderá não haver um terceiro programa de expansão monetária ("quantitative easing") foram bem recebidos pelos investidores, por sugerirem que a recuperação económica dispensa mais estímulos. No entanto, as minutas da última reunião do Comité de Operações no Mercado Aberto citaram "um par" de membros que defendem mais estímulos, em contraste com o "alguns" no mês anterior. A reacção das bolsas foi, desta vez, negativa.

Na quarta-feira será divulgado o "Livro Bege" da Reserva Federal, que contém as últimas projecções económicas do banco central e comentários sobre a conjuntura. Será um acontecimento capaz de influenciar a direcção dos mercados, sobretudo com o menor volume típico de uma semana que começa com as bolsas da Euronext encerradas devido ao feriado da Páscoa.

Nos EUA, será também publicada a a taxa de inflação no mês de Março, um indicador crucial para a definição da política monetária da Fed. "O índice de preços no consumidor estará em destaque numa semana com poucos motivos de interesse no plano macroeconómico", escreve o RBC Capital Markets, em nota de antecipação da semana.



A Fed está mais concentrada no mandato de estimular o emprego. Pelo que o outro mandato, de conter a inflação, tem agora menos influência.
RBC Capital Markets



"Os preços da energia vão continuar a pressionar a inflação em alta, mas a inflação subjacente (que exclui os preços da energia) deverá manter-se estável", diz o banco de investimento, acrescentando que "a Fed continua concentrada no mandato de estimular o emprego, pelo que o outro mandato, de conter a inflação, tem nesta altura menos influência na política monetária".

Do lado de cá do Atlântico, o destaque vai para os dados sobre a produção industrial, que apesar de se referirem ao mês de Fevereiro serão úteis para aferir o ritmo de recuperação económica na União Europeia. O indicador será divulgado pelo Eurostat na quinta-feira.

Nesse mesmo dia, Itália vai testar o mercado com uma emissão de dívida de longo prazo, uma operação que será seguida de perto pelos observadores do mercado pelos sinais de fragilidade em Itália e, sobretudo, de Espanha. Especialmente agora que começa a "esfumar-se" o efeito positivo das injecções de liquidez do BCE e os investidores voltam a concentrar-se nas perspectivas fundamentais de cada país. Espanha não tem leilões agendados para esta semana, mas foi decepcionante o resultado do leilão de curto prazo realizado na semana passada.


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