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De olhos postos nos dados do mercado de trabalho norte-americano

A forte recuperação de Wall Street entre Março e Maio reflectiu o alívio entre os investidores pelo facto de a resposta política oficial à crise ter evitado uma repetição da Grande Depressão. Este alívio teve por base, essencialmente, dados...

Carlos Varela 02 de Setembro de 2009 às 10:16
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A forte recuperação de Wall Street entre Março e Maio reflectiu o alívio entre os investidores pelo facto de a resposta política oficial à crise ter evitado uma repetição da Grande Depressão. Este alívio teve por base, essencialmente, dados económicos "menos maus" que os temidos, e não claros sinais de recuperação económica. Em virtude disso, até ao início de Junho, as valorizações tinham começado a parecer menos atraentes e o mercado entrou num impasse face à ausência de notícias económicas mais positivas.

O Índice S&P 500, por exemplo, está agora numa relação entre cotaçãoe resultados Shiller (usando dados dos lucros médios a 10 anos) de 16,1x, que compara com a média de 16,3x desde 1881. Para que as valorizações se tornem mais atraentes ao mesmo tempo que permitem uma ascensão nos mercados, precisamos ver surgir uma rápida recuperação nos lucros empresariais.

Os dados divulgados na época de apresentação de resultados do segundo trimestre foram de algum modo encorajadores. Notámos, igualmente, uma firme ascensão no ritmo dos ganhos (medido pelo rácio de revisões em alta face às revisões em baixa das previsões dos analistas) desde Abril. Mas para que o ritmo de ganhos se mantenha positivo, os investidores esperarão que os rebentos económicos floresçam completamente.

Grande parte da esperança de uma forte recuperação no segundo trimestre baseia-se nas expectativas de um aumento na produção industrial, à medida que as empresas reaprovisionam os inventários. Estas esperanças foram impulsionadas pelo facto de os inventários industriais parecerem ter voltado aos níveis normais relativamente às encomendas.

Contudo, apesar de provável que uma subida no fabrico forneça um impulso temporário ao crescimento, estamos cépticos de que qualquer recuperação liderada pelos inventários se transforme numa ascensão económica duradoura antes do mercado de trabalho melhorar e ajudar a aumentar as despesas dos consumidores.

O consumo representa cerca de 70% do total do produto interno bruto dos Estados Unidos, pelo que qualquer recuperação económica sustentada está claramente dependente da retoma na procura dos consumidores. Particularmente preocupante para os investidores, por conseguinte, tem sido o constante declínio nas vendas de retalho básicas nos EUA (que excluiu os voláteis sectores automóvel, gasolina e materiais de construção). Além do mais, os principais indicadores de confiança dos consumidores permanecem pressionados pelas perdas de emprego. O índice de confiança dos consumidores Reuters/University of Michigan, por exemplo, caiu de 70,8 em Junho para 64,6 em Julho - uma queda superior à esperada - com a taxa de desemprego a subir para os 9,5% em Junho.

"A opção crucial de investimento reside em apurar se a subida que parece estar a desenrolar-se será mais que um ajuste de inventários a fornecer um curto impulso aos dados de produção."
Vale a pena ter em mente que os dados do mercado laboral têm a reputação de serem indicadores de atraso e que qualquer retoma na economia não seja exibida através de uma queda na taxa de desemprego durante algum tempo. Este foi, certamente, o caso, nas recessões de 1990-91 e 2001, quando o desemprego só diminuiu 15-18 meses depois da economia ter recuperado. Contudo, aquelas duas recessões não foram a norma - em todas as outras recessões do pós-Segunda Guerra Mundial, o pico no desemprego surgiu apenas alguns meses após o início da recuperação.

Neste ponto do ciclo, embora os pedidos iniciais de subsídio de desemprego estejam a assinalar um eventual abrandamento no ritmo de perdas de emprego, a maioria dos indicadores sugere que o desemprego nos EUA não está perto do pico. É provável que as empresas dos EUA queiram ver ganhos de rendimento antes de começarem a aliviar os seus esforços de redução de custos. No entretanto, a contínua perda de empregos irá, no mínimo, restringir o ritmo de qualquer recuperação.

Na pior das hipóteses, o aumento do desemprego tem o potencial de minar totalmente a confiança dos consumidores, fazendo com que a recuperação económica se esvaneça prematuramente. A opção crucial de investimento reside, portanto, em apurar se a subida que parece estar a desenrolar-se será mais que um ajuste de inventários a fornecer um curto impulso aos dados de produção. Os próximos um ou dois trimestres de actividade serão importantes relativamente a isto.


*Director de vendas para Portugal da JP Morgam Asset Management


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