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Dívida de alto risco - Vale a pena comprar?

O preço das obrigações gregas subiu de forma expressiva esta semana , em reacção ao acordo de ajuda financeira alcançado pelos líderes da União Europeia. A cotação da dívida pública aumentou, porque a percepção de risco sobre o país também...

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Ter muita dívida está fora de moda. Mas comprá-la não. Os especialistas dizem que o preço das obrigações está atractivo. Sobretudo as de maior risco


O preço das obrigações gregas subiu de forma expressiva esta semana , em reacção ao acordo de ajuda financeira alcançado pelos líderes da União Europeia. A cotação da dívida pública aumentou, porque a percepção de risco sobre o país também diminui. O mesmo efeito ocorre nas obrigações das empresas em períodos de retoma da economia, perante a probabilidade de uma recuperação dos negócios. É possível tirar partido desta mudança de perspectiva, investindo em obrigações. E quanto maior o risco, melhor.

Tal como as acções, também o preço das obrigações oscila diariamente em função das expectativas dos investidores, o que permite obter ganhos. A diferença está no facto de as obrigações pagarem um juro regular. Na prática, é como uma empresa que paga dividendos todos os anos. E, tal como nos lucros distribuídos aos accionistas, quanto mais alta está a cotação da obrigação, menos rende o juro.

A grave crise que se abateu sobre os mercados de crédito e a economia deprimiu os preços dos títulos de dívida das empresas e dos Estados, sobretudo os de maior risco, fazendo aumentar os juros. Os investidores passaram a descontar níveis de falência historicamente altos.

Com os primeiros sinais de recuperação económica veio também o apetite pela dívida, incluindo a de alto risco. Nos últimos 12 meses, as chamadas obrigações de alto rendimento ou "high yield" ofereceram um retorno superior a 60% nos EUA e a 80% na Europa, de acordo com os dados do Bank of America Merrill Lynch, citados pelo Financial Times. Um desempenho superior ao das acções.

A questão é se, depois de tanto subir, ainda compensa meter as poupanças nesta classe de activos, sobretudo quando a comparamos com as obrigações grau de investimento. Roberts Grava, gestor de clientes do JPMorgan AM, considera que sim. Na sua opinião, "ainda há espaço para um estreitamento dos 'spreads' da dívida" (ver entrevista na página VI). Ou seja, uma aproximação entre os juros das obrigações de alto risco e de baixo risco, pela subida dos preços das primeiras. Mas avisa: "Daqui para a frente os retornos serão mais baixos e será mais difícil ir buscar rendibilidade."

A perspectiva optimista para esta classe de activos é justificada por vários factores. "O risco de incumprimento está a cair rapidamente, favorecendo as obrigações de alto risco", aponta Wes Sparks - responsável pelos fundos de obrigações americanas da gestora de activos britânica Schroders (ver entrevista na página VI).

O ritmo de falências também está a baixar com a recuperação da economia. "As taxas de "default" da dívida estão a cair, depois de terem chegado a um pico de 10% no final do ano passado", refere Roberts Grava. "A nossa perspectiva é que possam descer até aos 4% a 6%".

Segundo o banco holandês ING é esperada uma melhoria da avaliação por parte das agências de notação financeira, num momento em que "os emitentes ainda estão focados em fortalecer os seus balanços".

A oportunidade não está apenas nos títulos de dívida de empresas com níveis de "rating" baixos. Também as obrigações de países emergentes oferecem valor. Nos últimos 12 meses a dívida destes países rendeu cerca de 30%. E a procura continua elevada. Durante as primeiras semanas de Março os fundos de obrigações de países em desenvolvimento registaram entradas recorde de dinheiro, segundo os dados da EPFR.

Com taxas de crescimento económico bastante acima da média e níveis de endividamento inferiores aos países desenvolvidos, os mercados emergentes assumem-se como boas apostas. O ING e o JPMorgan estão optimistas para as obrigações da América Latina. Mas existem oportunidades também em países da Ásia e do Médio Oriente e Norte de África.

Roberts Gravas assegura que "há oportunidade para obter ganhos de capital pela subida dos preços das obrigações e continuar a beneficiar do rendimento dos juros elevados". Mas avisa que é preciso ter algum estômago para lidar com o maior risco destas aplicações.






Os países e empresas de menor risco têm um "rating" de "AAA". A partir daí o número de "As" vai baixando e passa a "BBB". A partir de "BB" a dívida é considerada de risco elevado. Razão pela qual os investidores exigem um juro mais elevado para a comprar. É também nestes países que reside o maior potencial de ganhos. A lista acima reúne alguns dos Estados mais arriscados.







O índice Credit Suisse High Yield sobe mais de 50% nos últimos 12 meses, com investidores a procurarem o elevado retorno da dívida de alto risco.

Riscos

O principal risco de comprar dívida é a empresa falir e não reembolsar o dinheiro emprestado.

Esse perigo é mais real nas empresas ou Estados com pior "rating". Investir neste segmento exige, por isso, moderação e tolerância perante a possibilidade de sofrer perdas.

A melhor forma de aplicar as poupanças é fazê-lo através de fundos de investimento.

Tal como nas acções, as obrigações também são cotadas e o seu valor oscila em função da expectativa em relação à evolução da economia, das taxas de juro ou das condicionantes de um determinado sector.

A crise financeira e económica provocou uma forte queda no preço das obrigações de alto rendimento. O mesmo acontecerá caso se verifique uma recaída da economia ou uma subida rápida das taxas de juro.






Fundo

Para os investidores que querem apostar neste segmento, existem vários fundos que investem quer em dívida de países emergentes, quer de empresas com qualidade de crédito inferior


Apostar na dívida de países emergentes

As economias dos países emergentes lideram o crescimento económico a nível mundial. Ainda assim, a dívida destes países é classificada de alto risco, por razões que se prendem, por exemplo, com a instabilidade política. O que resulta em remunerações atractivas. O elevado potencial de crescimento tem atraído muitos investidores para os mercados accionistas emergentes.

Mas, não é apenas nas acções que há oportunidades. De acordo com os especialistas, também o mercado da dívida merece a aposta. Há vários fundos para os investidores que pretendam investir na dívida de países com obrigações classificadas de alto rendimento. Os cinco melhores apresentam valorizações superiores a 46% nos últimos 12 meses e rendem entre 7,8% e 13,8% nos últimos três anos. Estes fundos de investimento apostam em obrigações emitidas por empresas e governos de países em vias de desenvolvimento. No caso do Templeton Emerging Markets, o produto que oferece a melhor rentabilidade a um ano, a maior posição do fundo é em obrigações da República da Coreia.




Empresas oferecem melhor remuneração

O agravamento da crise financeira conduziu a uma aversão ao risco por parte dos investidores, que praticamente paralisou os mercados do crédito. Perante este cenário, as companhias estavam a descontar um risco de falência idêntico ao da Grande Depressão, o que resultou na escalada das "yields" das obrigações. Num ambiente em que as taxas de juro das obrigações de empresas permanecem elevadas, os fundos de investimento que apostam no segmento "high yield" apresentam retornos elevados. Nos últimos 12 meses, os melhores fundos rendem até 75,5%. Com a classificação máxima da Morningstar, o Eurizon EasyFund Bond High Yield é o fundo que apresenta o melhor desempenho a três anos. O produto valoriza mais de 9%. Este fundo investe em dívida emitida por empresas com um "rating" mínimo de "B-". Perto de 30% do património está investido na sueca Stena AB. A qualidade média de crédito destes fundos é de "BB", à excepção do fundo da Fidelity, que apresenta uma qualidade creditícia média de "B".


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