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Estratégias de gurus rendem quase 30%

As acções seleccionadas há um ano, seguindo os ensinamentos dos maiores especialistas de bolsa, acumularam um ganho de 29,50%, bem melhor do que os índices accionistas.

David Almas 30 de Julho de 2010 às 09:00
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Não é à toa que são conhecidos como "gurus da bolsa". As acções escolhidas por si - ou seguindo os seus mantras - têm vocação para as mais-valias. A Associação Americana de Investidores Individuais, que segue 64 estratégias de especialistas há mais de 12 anos, calcula que rendem cerca de 14 por cento por ano. Nessa dúzia de anos, esse desempenho foi quatro vezes melhor do que o retorno médio das acções norte-americanas.

A AAII replica as estratégias dos gurus apenas nas bolsas norte-americanas, o que fica longe de ser a solução ideal para os investidores portugueses. Por isso, há um ano, o Negócios estudou e seleccionou títulos das bolsas mais acessíveis, seguindo os ensinamentos de sete gurus.

As 14 acções escolhidas pelos modelos dos especialistas renderam 29,50 por cento em cerca de um ano, um registo melhor do que o alcançado pela maioria dos índices accionistas e dos fundos de acções de mercados desenvolvidos. Benjamin Graham, o guru mais antigo do grupo, foi o que concedeu o melhor resultado: as acções avançaram, em média, 46,95 por cento. O pior desempenho foi o da táctica de William O'Neil, que acumulou um ganho pouco superior a cinco por cento. Nenhuma das 14 acções perdeu valor. Duas das empresas seleccionadas há um ano foram alvo de ofertas públicas de aquisição.

Face aos bons resultados, o Negócios só podia repetir. Ao lado, pode conhecer melhor os gurus, os livros e trabalhos que permitem aprofundar a sua história e os resultados da aplicação dos seus ensinamentos. À excepção dos livros sobre Warren Buffett, que são os únicos que podem ser adquiridos em português, os preços indicados são da Amazon britânica (amazon.co.uk). Todavia, não demore muito nestas páginas: passe à próxima para descobrir as novas 14 acções que os gurus poderiam comprar neste mercado.




Benjamin Graham

O investidor original é o melhor
Rendibilidade anual 46,95%

As empresas escolhidas pelo método de Benjamin Graham no ano passado - a química DSM e a papeleira e cimenteira Semapa - são excelentes exemplos de recomendações do guru: negócios monótonos a preços baixos. Apesar de poder ser mais aborrecido investir na DSM e na Semapa do que na Google e na Portugal Telecom, a verdade é que a monotonia deu melhores frutos. Só as acções da neerlandesa DSM renderam mais de 57 por cento.

Warren Buffett pode ser o investidor mais conhecido do mundo, mas foi aluno e funcionário de Graham. "As ideias de base do investimento consistem em considerar as acções como negócios, utilizar as flutuações do mercado em nosso proveito e procurar uma margem de segurança. Foi isso que Ben Graham nos ensinou. Daqui a 100 anos, estas continuarão a ser as pedras basilares do investimento", disse Buffett, num discurso em 1994.

Graham começou a carreira como estafeta numa corretora, onde chegou a sócio, saindo posteriormente para formar a sua própria firma, a Graham-Newman. Pelo meio, deu aulas na Universidade de Colúmbia, perdeu todo o dinheiro no "crash" de 1929, mas acabou por recuperar o dinheiro. Escreveu dois livros: "Security Analysis" (35,46 euros), em parceria com David Dodd, e "The Intelligent Investor" (7,76 euros), escrito pela primeira vez em 1947. "The Intelligent Investor" foi actualizado várias vezes, a última das quais pelo jornalista financeiro Jason Zweig, que o colocou à luz dos acontecimento entre 1972 e 2003.



Para saber mais sobre este guru


O guru de Warren Buffett perdeu uma fortuna em 1929, mas acabou por recuperá-la. "The Intelligent Investor" é uma obra de referência.











Warren Buffett

Busca pelo controlo de grandes empresas


Rendibilidade anual 40,15%

Se Warren Buffett acreditar que está a fazer um bom investimento, vai comprando as acções de uma empresa. No limite, compra todas as acções que existem, tomando o controlo da firma. Foi isso que aconteceu no último ano: a Berkshire Hathaway, a sociedade que serve de veículo de investimento do guru, lançou uma oferta pública de aquisição sobre os 77,5 por cento da Burlington Northern Santa Fe que não controlava. Graças a isso, as acções da companhia de caminhos-de-ferro seleccionadas há um ano pelo Negócios renderam mais de 50 por cento até Fevereiro passado, altura da OPA.

Foi através de operações como esta que a Berkshire conseguiu um desempenho de 434.057 por cento entre 1964 e 2009, o equivalente a mais de 20 por cento por ano, o dobro da performance do S&P 500, o principal índice accionista norte-americano. Embora seja discípulo de Benjamin Graham, Warren Buffett tem incorporado outros modelos de avaliação e selecção de acções. Quando lhe perguntam que tipo de empresas comprará no futuro, responde que procura negócios que compreende, com um bom perfil económico (por exemplo, monopolista) e conduzidos por administradores de confiança.

Já há meia dúzia de livros editados em Portugal sobre Warren Buffett. "Warren Buffett e as Estratégias de Um Grande Investidor" (20,19€), de Robert G. Hagstrom, é provavelmente a melhor compra para estudar o método de investimento de Buffett e conhecer os seus "segredos".



Para saber mais sobre este guru


Warren Buffett procura negócios que compreende, com um bom perfil económico e administradores de confiança.











James O'Shaughnessy

A verdade está nos números


Rendibilidade anual 35,37%

James O'Shaughnessy quis saber se uma estratégia simples, baseada em dados contabilísticos e preços de bolsa, seria suficiente para maximizar as mais-valias. Para isso, adquiriu uma base de dados de informação financeira sobre mais de 10 mil acções norte-americanas desde a década de 1950 e testou sucessivamente várias estratégias usando rácios financeiros. Conclusão: o rácio preço-vendas baixo em conjunto com aumentos anuais de lucros permite seleccionar as grandes empresas que mais valorizarão no ano seguinte. Crente na sua descoberta, James O'Shaughnessy registou uma patente para o modelo (intitulada "Estratégia automatizada para gestão de activos") e escreveu o livro "What Works on Wall Street" (20,34€), mais tarde actualizado no "Predicting the Markets of Tomorrow: A Contrarian Investment Strategy for the Next Twenty Years". Além de dar a conhecer a estratégia que teria rendido mais de 17 por cento por ano, o dono da gestora de activos O'Shaughnessy Asset Management fez previsões para os mercados para as duas décadas seguintes.

As acções do especialista em distribuição e "outsourcing" Bunzl e da petrolífera Royal Dutch Shell, seleccionadas no ano passado seguindo a doutrina do gestor de fundos, demonstram que a estratégia de James O'Shaughnessy continua a funcionar: em média renderam 35,37 por cento.



Para saber mais sobre este guru


Para James O'Shaughnessy, os bons investimentos não estão nas empresas que mais crescem, mas em pequenas e médias sociedades estáveis.











Joseph Piotroski

Da universidade para a bolsa


Rendibilidade anual 29,78%

Piotroski, actualmente professor do departamento de Contabilidade da Universidade de Stanford, na Califórnia, é o único académico entre os vários gurus da bolsa. Nunca trabalhou na indústria da gestão de activos, nem escreveu livros sobre o assunto, tão-pouco dá entrevistas sobre o método de selecção de acções que desenvolveu. Porém, a estratégia que publicou no ano 2000 é uma das mais populares entre os investidores que procuram soluções automatizadas de escolha de títulos.

Os resultados descritos no trabalho de investigação publicado no "Journal of Accounting Research" ("Value Investing: The Use of Historical Financial Statement Information to Separate Winners from Losers") continua a surpreender. Aliás, a estratégia do agora considerado guru Piotroski foi a única a sobreviver com lucros à queda generalizada das acções em 2008, segundo a Associação Americana de Investidores Individuais. E sobreviveu muito bem: ganhou mais de 30 por cento, em linha com o desempenho médio da EADS e da ArcelorMittal, seleccionadas no ano passado pelo Negócios seguindo a investigação de Piotroski.

Desde há muito que os académicos e praticantes da arte do investimento dizem que o rácio preço-valor contabilístico é o melhor para escolher acções de empresas. Contudo, também sabiam que uma parte das empresas de rácios baixos está em dificuldades. No universo das empresas de preço-valor contabilístico reduzido, Piotroski decidiu separar as boas das más. Para isso construiu um conjunto de nove testes. Os investidores só devem comprar as acções que passam oito ou nove testes.



Nove testes fazem um segredo


A relação entre a cotação e o valor contabilístico de uma empresa, adicionada de nove testes são o "segredo" de Joseph Piotroski.




Martin Zweig

Alimente a excentricidade através das acções


Rendibilidade anual 25,47%

É preciso ser milionário para conseguir ter "o estilo de vida extravagante e luxuoso" de Martin Zweig, diz a revista "Forbes". Entre as suas excentricidades contam-se uma casa no topo do hotel Pierre, na Quinta Avenida de Manhattan (entretanto posta à venda por 50 milhões de euros), uma mesa de bilhar de 40 mil euros, uma guitarra de Buddy Holly e uma das primeiras camisolas de Michael Jordan nos Chicago Bulls. O desejo de Zweig em chegar a milionário começou aos 13 anos, quando começou a negociar acções e concretizou entre as décadas de 1980 e 1990.

A bolsa levou Zweig a escolher um curso na área económica, que acabou por culminar num doutoramento em Finanças na Universidade do Michigan. Só depois disso, na década de 1970, é que entrou no mercado: começou por publicar relatórios de previsão, mas a sua popularidade só chegou quando escreveu um conjunto de artigos certeiros na revista "Barron's". Seguiu-se a presença assídua na televisão, num dos quais previu o "crash" de 1987, e, finalmente, uma gestora de fundos, que acabou por vender em 2005, quando passou a se dedicar ao mundo académico.

No seu livro "Martin Zweig's Winning on Wall Street" (20,23€), o guru norte-americano diz que não é preciso estudar uma empresa ao pormenor para saber se vale a pena comprá-la. Zweig defende que basta estudar os indicadores contabilísticos para saber se é um bom negócio, o que é uma heresia para a maioria dos grandes investidores.



Para saber mais sobre este guru


Não é preciso analisar uma empresa ao pormenor para se perceber se vale a pena comprar as suas acções, diz Martin Zweig em "Winning On Wall Street".











John Neff

À procura de acções aborrecidas


Rendibilidade anual 23,77%

Quando os próprios gestores de activos queriam investir num fundo de investimento, eles escolhiam o fundo Windsor, gerido por John Neff entre 1964 e 1995. Durante esse período, Neff levou o fundo da sociedade gestora Vanguardar a uma rendibilidade anual de 13,7 por cento, alguns pontos acima do desempenho dos principais índices de acções norte-americanas. O guru não gostava de dar nas vistas (aliás, uma vez disse que o Windsor era "relativamente prosaico, aborrecido e conservador"), mas as mais-valias a que chegava obrigavam-no a ser uma estrela.

Neff é um investidor no contrário: muitas vezes aposta no sentido oposto das massas de investidores. Ele explica no seu livro "John Neff on Investing" (20,34€) que os mercados são repetitivos e que as novas tecnologias a cada momento acabam por gerar bolhas. Isso aconteceu no final da década de 1990, quando muitas empresas adicionaram ".com" às suas designações para atrair os investidores, mas também quando várias as firmas norte-americanas acrescentaram o sufixo "tronics" na década de 1950, captando a atenção dos investidores que estavam apaixonados pela explosão do mercado da electrónica. John Neff prefere deixar passar as bolhas tecnológicas, porque, invariavelmente, rebentam. A Fresenius Medical Care e a BG Group, seleccionadas no ano passado seguindo os passos de Neff, estão em indústrias tradicionais: a primeira nos serviços de diálise e a segunda no petróleo e gás. Renderam 23,77 por cento nos últimos 12 meses.



Para saber mais sobre este guru


Quando a grande massa de investidores foge do mercado, John Neff entra. Fez bons negócios com as petrolíferas nos anos 80.











William O'Neil

As letras para o sucesso


Rendibilidade anual 5,02%

É óbvio que o desempenho de 12 meses das acções seleccionadas segundo as estratégias dos gurus da bolsa não é indicativo da qualidade das tácticas, porque todos eles investem com o objectivo de longo prazo. Porém, salienta-se que o resultado alcançado pelas acções de William O'Neil ficou muito longe da receita obtida pelos restantes superinvestidores. As acções seleccionadas há um ano - a construtora espanhola ACS e a farmacêutica Schering-Plough - avançaram 0,04 por cento e 9,99 por cento, respectivamente.

Três anos depois de terminar o curso em Gestão de Empresas em 1955, William O'Neil tornou-se num corretor em Wall Street. Graças ao seu modelo de selecção de acções que foi desenvolvendo progressivamente, ascendeu ao pódio do melhor corretor da firma onde trabalhava, a Hayden, Stone & Co. Em 1963, funda a sua própria empresa, a William O'Neil & Co., e, aos 30 anos, foi o corretor mais novo na bolsa de Nova Iorque.

A sua estratégia de investimento evoluiu de um simples modelo para o que é agora o CAN SLIM, um conjunto que regras para seleccionar acções. É esse método, em que cada letra do acrónimo corresponde a uma variável a controlar, que está na base do lançamento, em 1983, do jornal "Investor's Business Daily". O seu livro "How to Make Money in Stocks: A Winning System in Good Times and Bad" (9,12€) promete mostrar "como descobrir a próxima Google ou Apple".



Para saber mais sobre este guru


Com a estratégia que apelidou de CAN SLIM, William O'Neil garante que é possível descobrir o próximo Google ou Apple.







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