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Evolução da economia vai determinar desempenho

Depois de um ano marcado pelas quedas históricas, os preços das matérias-primas registam subidas acentuadas em 2009. Com o petróleo a subir cerca de 80% no ano e o ouro a bater novos máximos históricos nas últimas semanas, a pergunta impõe-se: esta...

Evolução da economia vai determinar desempenho
Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 11 de Novembro de 2009 às 09:30
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Peter Königbauer |
O ouro pode atingir 1.200 dólares por onça, caso comecem a surgir alguns sinais de inflação.

O gestor da Pioneer Investments acredita que as matérias-primas têm espaço para novas subidas

Depois de um ano marcado pelas quedas históricas, os preços das matérias-primas registam subidas acentuadas em 2009. Com o petróleo a subir cerca de 80% no ano e o ouro a bater novos máximos históricos nas últimas semanas, a pergunta impõe-se: esta tendência vai manter-se? Para Peter Königbauer, gestor de fundos de matérias-primas da Pioneer Investments, há margem para mais subidas, mas tudo vai depender da evolução da economia.

Após a forte valorização dos últimos meses, as matérias-primas ainda apresentam potencial de subida?
No momento, parece-me que esta boa performance pode durar um pouco mais. Do ponto de vista técnico, o mercado está num bom shape, e do ponto de vista fundamental há dados económicos que dão bons sinais para o mercado das matérias-primas. Os riscos é que estes sinais positivos que vemos na economia não cheguem realmente ao mercado. Se esta esperança não se traduzir em procura real, aí veremos alguns problemas no mercado das matérias-primas. Este é o risco. Mas, no momento parece que poderemos ver procura real nas matérias-primas e assistiremos a novos aumentos dos preços.

O gestor da Pioneer está mais optimista para os metais e os bens agrícolas. Quanto ao mercado energético mostra-se mais cauteloso.
Em relação à procura, já se vê de facto uma recuperação?
Isso depende da região para onde se olhar. Se olharmos para a Ásia a procura está a aumentar. Se olharmos para a China há muita procura, especialmente por metais. Na China há uma enorme procura de matérias-primas. Mas a procura não está tão forte na Europa e nos EUA. Há alguns sinais que esta procura real pode recuperar, mas estamos nos primeiros passos. Temos que esperar um pouco mais para ver algumas evidências que a procura está realmente a aumentar e isso irá impulsionar os preços. Por isso, há alguma esperança no mercado, baseada nos indicadores económicos.

A recuperação ainda está numa fase muito embrionária?
Estamos no início da recuperação da crise financeira. E tudo vai depender do consumo, em quão forte ele se vai tornar. E se o consumo recuperar, os consumidores voltam ao mercado de crédito e por aí diante. E isso vai depender do mercado de emprego. São tudo coisas que temos que esperar para ver o que acontece.

Enquanto a maior parte dos países não cresceu no último ano, a China mantém elevadas taxas de crescimento. O país vai desempenhar um papel cada vez mais importante no mercado das matérias-primas?
Desde 2002 vemos um forte aumento da procura da China. A economia continua a crescer 8% ou mais, por isso é uma forte economia e ainda está no processo de industrialização, o que significa que precisam de uma forte procura, sobretudo de metais e energia. E eles fazem-no de duas maneiras, compram no mercado, mas também compram empresas onde podem salvar os recursos destas empresas em diferentes "commodities".

Em que matérias-primas está mais optimista neste momento?
Neste momento gosto do mercado dos metais e de parte do mercado da agricultura e estou um pouco cauteloso quanto ao mercado da energia. O mercado está a recuperar um pouco, mas ainda temos grandes reservas no mercado, sobretudo de petróleo. A procura não está a recuperar como deveria. Por isso estou um pouco cauteloso, mas vejo que a tendência é de subida.

No mercado de metais a procura da Ásia é forte. Não diminuiu como esperávamos no Verão. Ainda há uma forte procura. E se a economia recuperar na Europa e nos EUA assistiremos a aumento da procura de metais.

Nas últimas semanas assistimos a uma forte subida do ouro para níveis recorde? Esta tendência vai continuar?
O ouro é difícil de dizer. Mas nós acreditamos em novos máximos no mercado americano. A questão é saber se estamos numa fase de crise, de inflação ou não. A inflação é a próxima fase. Mas, no momento vemos mais deflação do que inflação, mas o ouro está a responder ao risco de inflação criado pelas injecções do governos e bancos centrais para o mercado. E este é o "driver" que está a suportar o forte desempenho do ouro neste momento. Há muita gente a comprar ouro para se proteger contra a subida da inflação. O dólar está a enfraquecer, por isso se houver alguns sinais de inflação poderemos assistir a maiores subidas dos preços do ouro. Não acredito que chegue aos 1.500 dólares por onça, mas pode atingir os 1.200 dólares.

Manifestou algumas preocupações com o mercado energético. O petróleo sobe cerca de 80% no ano. Este é o preço justo?
Não sei se é o preço justo, mas 35 dólares era o errado. O custo da produção aumentou no ano passado, por isso tendo em conta que a produção anda à volta dos 50 a 60 dólares, o preço de 35 dólares era desajustado. Agora saber se o actual preço, na casa dos 80 dólares, é justo dependerá de como a actividade económica se vai comportar nos próximos tempos. Se todos os sinais que vimos chegarem ao mercado, então a procura vai aumentar fortemente no próximo ano. Aí poderemos ver os preços na casa dos 90 dólares ou até 100.

No entanto, se isto não se confirmar, então os preços de $80 são demasiado elevados. No contexto actual, se olharmos para as expectativas económicas, diria que os preços estão um pouco mais altos do que eu esperava. Com todos estes sinais da economia, 80 está bem. Mas, é preciso ver procura real.

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