Investidor Privado “Excesso na oferta de cursos não é bom serviço à sociedade”

“Excesso na oferta de cursos não é bom serviço à sociedade”

Nalgumas áreas de formação haverá excesso de oferta e a racionalização pode passar pelo entendimento entre universidades ‘vizinhas’ para fundir cursos, como já se faz nos mestrados e doutoramentos.
“Excesso na oferta de cursos não é bom serviço à sociedade”
Bruno Simão/Negócios
Teresa Gens 13 de julho de 2016 às 09:00

A nossa economia não absorve a "imensidão de cursos" que existem actualmente diz Francisco Sanchez, manager da consultora de RH Ray Human Capital que cita como "bons exemplos do excesso de oferta, para a procura limitada que existe, face à dimensão do país e do ciclo económico que atravessamos, Arquitectura e Direito". O que constata leva-o a acreditar que a reestruturação da oferta nas instituições de ensino superior é o caminho:  "Existem cursos que terão que se fundir e outros até terminar".

Como alguém que faz a mediação entre quem tem qualificações, e quer trabalhar, e as empresas que procuram talentos, Francisco defende que o ensino superior também deve estar sujeito às leis da oferta e da procura e, como tal, os cursos adaptarem-se "ao longo do seu ciclo de permanência no mercado". Algo que do ponto de vista do vice-reitor da UL "seria um erro fatal para as sociedades". As universidades não podem funcionar "como meros fornecedores de necessidades imediatas do mercado". E explica, dando o exemplo da Engenharia Civil (cuja procura caiu fortemente) que "reduzir a capacidade formativa das universidades para os actuais níveis de procura seria um erro".

Neste caso pode dizer-se que a procura baixou tanto que actualmente "é insuficiente para a renovação natural" destes profissionais no futuro em Portugal. Além do que "não nos devemos esquecer que o mercado de trabalho não é local mas sim global", diz Eduardo Pereira.

Universidades copiam-se

Para o reitor da Universidade do Porto (UP) a procura dos cursos deve ser um ponto fulcral na gestão das universidades. "Não me guio por dados estatísticos da empregabilidade guio-me sempre pela procura, e se um curso a tem então tenho que ser capaz de garantir que ele tem qualidade". Pelo contrário, "se não há procura de um curso tenho eventualmente que descontinuá-lo".  Sobre universidades vizinhas, com o mesmíssimo curso e, às vezes, com um número de vagas ridículo, o reitor da UP e a reitora da Católica advogam o entendimento entre instituições. "Claramente do ponto de vista da gestão temos que chegar a um acordo interno nas universidades em que surjam critérios, se há um curso que não tem procura temos que resolver o problema ou, então, chegamos a um acordo com outra universidade não muito longe de nós", diz Feyo de Azevedo.Uma das áreas em que é especialmente conhecedor é a das engenharias – esteve na Ordem dos Engenheiros seis anos. "Havia um número absolutamente excessivo dos cursos de engenharia (aqueles de nicho)". Conclusão: "tem de se racionalizar aqui como noutras áreas: a da Arquitectura, a da Gestão e a das Letras, por exemplo". A reitora da Universidade Católica, defende que "as instituições de ensino superior, no seu todo, prestarão muito melhor serviço à sociedade se racionalizarem a oferta". O ponto a que se chegou, diz, tem origem no hábito de copiar. "Cá tende-se a copiar uma solução que correu bem, se uma universidade cria um curso e os recém-licenciados têm uma boa empregabilidade imediatamente se copia essa fórmula para obter o mesmo êxito" mas, a verdade é que, "quando vários se lembram de fazer o mesmo rapidamente esgotamos o mercado".

Se o diagnóstico está feito o que impede as universidades de avançar? O modelo global de governação das instituições de ensino superior público "é conservador, tem dificuldade em adaptar-se aos tempos e não é que sejamos maus em Portugal podemos é ser mais competitivos, mais sustentáveis", defende o reitor da UP. A reitora da Católica diz que a racionalização já se está a fazer ao nível dos cursos de 2º e 3º grau, mestrados e doutoramentos. "As universidades já se estão a juntar para oferecer o melhor doutoramento possível, para produzir o mesmo doutoramento e prestá-lo em três ou quatro universidades". É uma questão de avançar nesse sentido também nas licenciaturas.




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