Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

No limiar de um novo ciclo?

“É interessante verificar como a banca inventou novas formas de perder dinheiro quando as antigas pareciam estar a funcionar na perfeição.” A frase é de John Stumpf, presidente executivo do Wells Fargo, um dos maiores bancos norte-americanos.

João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 28 de Abril de 2008 às 13:46
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

Sublinha, com ironia, como uma parte do engenho aplicado na inovação financeira durante os anos mais recentes acabou por se virar contra os seus criadores. Mas não responde à questão essencial: o Frankenstein que se libertou do cativeiro e deambula pelos mercados já aterrorizou os investidores o suficiente para dar por concluída a sua tarefa?

Bill Miller, gestor do Legg Mason Value Trust, acha que sim. Numa carta dirigida a investidores e citada pela agência Bloomberg, considerou que a venda do Bear Sterns, onde aquele fundo era o quinto maior accionista no final do ano passado, marcou o fim da crise. Para apoiar a tese, os resultados dos grandes bancos norte-americanos no primeiro trimestre deste ano foram maus, mas os analistas consideraram que estiveram de acordo com as expectativas, o que é visto como uma boa notícia.

O optimismo dos investidores institucionais é uma das tradições inabaláveis dos mercados. Não admira, por isso, que o índice de confiança no mercado de acções elaborado pela escola de gestão de Yale revele que 80% daqueles investidores estão, actualmente, confiantes que as cotações vão subir durante os próximos 12 meses. Só que a história não acaba aqui. Os investidores individuais não parecem estar tão crédulos na recuperação. Apenas cerca de 70% acredita naquela possibilidade e a proporção tem vindo a baixar.

Para os não profissionais, também existe uma tradição: ver para crer. A confiança só se instala quando os índices das bolsas já escalaram terreno suficiente para fazer confiar que o caminho continuará a ser sempre em subida. Isto pode significar que os institucionais estão de regresso e antecipam já a recuperação do ritmo de crescimento da economia norte-americana enquanto os investidores individuais vão esperar pelo assentar da poeira.

Se a história se repetir, o pior para os mercados pode, de facto, já pertencer ao passado. Em 1991, por exemplo, os Estados Unidos entraram em recessão. Ainda assim, o índice que reúne as 500 maiores empresas cotadas do país progrediu mais de 30%, depois de, no ano anterior, ter caído 3%. Independentemente da volatilidade no curto prazo, Wall Street pode estar no limiar de um novo ciclo de subida. A não ser que os banqueiros, entretanto, inventem novas formas de perder dinheiro e de o fazer perder.

Outras Notícias