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Obrigações - Porto de abrigo?

A subida recente dos preços das obrigações sugere que o potencial de ganhos pode ser limitado em 2011. Ainda assim, apesar da diminuição da aversão ao risco, os analistas admitem que podem surgir boas oportunidades nas obrigações dos países mais castigados e na dívida empresarial de maior risco

Edgar Caetano edgarcaetano@negocios.pt 21 de Dezembro de 2010 às 09:00
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Ben Bernanke | A retirada das medidas de estímulo pelo presidente da Reserva Federal marcará o final definitivo para o bom desempenho das "Treasuries".
A maioria dos especialistas tem uma atitude cautelosa quanto ao investimento em obrigações no próximo ano. Essa perspectiva baseia-se na previsão de que, numa situação de mais estabilidade e menor 'refúgio' nas obrigações, os títulos de dívida não consigam manter os ganhos recentes.

"Após a subida registada pelo mercado de obrigações, esperamos que os investidores abandonem este mercado e se virem para as acções e para as matérias-primas", considera Azad Zangana, economista da Shroders.

Nos mercados de dívida soberana na Zona Euro, a dilatação dos "spreads" que marcou a segunda metade de 2010 poderá incentivar uma recuperação no início de 2011, com os investidores a comprarem alguns títulos mais castigados, diz o Royal Bank of Canada Europe.

Pode haver, portanto, algum espaço para ganhos em títulos de dívida dos países da chamada "periferia" da Zona Euro. Mas não deixa de ser um investimento arriscado, sobretudo tendo em conta a indefinição que se mantém ao nível do futuro da Zona Euro.

"Os títulos de dívida soberana já não são o 'activo livre de risco' que eram antigamente", diz o Royal Bank of Canada
"Os problemas que afectam a Zona Euro (e que também afectam a dívida empresarial) não irão embora até que surjam soluções definitivas, independentemente de quão fundos nós pensemos que são os bolsos dos bancos centrais", comenta o Royal Bank of Canada.

"Tememos o risco de que o crescimento económicos dos países 'periféricos' fique aquém das expectativas", salientam analistas do Commerzbank em Londres. "Além disso, a concentração de reembolsos de dívida em Portugal e Espanha no segundo trimestre poderá voltar a alargar os 'spreads'", acrescentam os especialistas.

Quanto à dívida dos países mais ricos, o potencial poderá estar esgotado. O elevado défice dos EUA e a imprevisibilidade dos encargos que a Alemanha poderá ter se quiser manter a coesão da Zona Euro já produziu efeitos nas últimas semanas, com uma desvalorização da cotação dos "Treasuries" e das "Bunds".

Já as obrigações empresariais, "ainda que não se possam considerar subavaliadas" devem ter um desempenho superior às obrigações governamentais, antecipa Stefan Hofrichter, economista e estratega da RCM Capital Markets.

Para o investimento em obrigações, um dos aspectos a acompanhar de perto é a evolução da inflação, um fenómeno capaz de amputar os retornos do investimento em títulos de dívida.

O outro aspecto fulcral é o crescimento. Os analistas antevêem que o próximo ano continue a ser marcado pela divergência no ritmo de crescimento dos diferentes países europeus, ao mesmo tempo que nos EUA as autoridades não olham a meios para dinamizar o crescimento e o emprego.




Em alta

"High-yield" pode dar bons frutos


A dívida de países e empresas com notação de risco mais frágil (mas com retornos superiores) pode dar bons frutos em 2011.

"A nossa estratégia dentro das obrigações de empresas permane-cerá centrada num número de empresas, sobretudo do universo 'high yield', com um perfil de crédito estável e avaliações razoáveis", explica How Phuang Goh, especialista do mercado de dívida da Schroders.

As perspectivas para as empresas de "rating" mais robusto são menos promissoras. "Considerando as significativas entradas de fundos e a procura de rendimentos num clima de taxas extremamente baixas, esta área do mercado não parece barata", acrescenta How Phuang Goh.

O investimento em obrigações é um dos activos mais importantes numa carteira de investimentos, mas há que ter em conta que a divergência entre os ritmos de crescimento dos diferentes países da Zona Euro. Como afirma o Royal Bank of Canada, "os títulos de dívida soberana já não são o activo livre de risco que eram antigamente".



Em baixa

Obrigações dos Estados mais ricos

A corrida aos activos tradicional-mente mais "seguros" fez disparar os preços das obrigações de países como os EUA e a Alemanha. A turbulência nos mercados accionistas e na dívida dos países da chamada "periferia" fez aumentar os índices de aversão ao risco e elevou o valor das obrigações dos países mais ricos. Isso pode indicar que, à medida que as economias retomam o crescimen-to e as autoridades trabalham no sentido de definir as regras futuras da Zona Euro, o potencial de valorização das obrigações desses países pode estar esgotado.

A tendência já deu sinais de possível inversão nas últimas semanas, com os juros da dívida dos EUA a 10 anos a subirem para 3,5%, máximos de seis meses. A pressão sobre a cotação dos "Treasuries" está relacionada com o défice titânico das contas públicas norte-americanas. Por outro lado, as taxas de juro das "bunds" alemãs a 10 anos tocaram os 3%, um nível a que não chegavam desde Maio.
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