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OPA da Camargo Corrêa é para aceitar?

Preço oferecido é baixo. À falta de uma oferta concorrente, accionistas devem aceitar os 5,50 euros

OPA da Camargo Corrêa é para aceitar?
Paulo Moutinho 09 de Abril de 2012 às 11:19
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Francisco Lacerda | Cimpor volta a ser alvo de OPA, dois anos depois da CSN.


A Cimpor está novamente a ser alvo de uma oferta pública de aquisição (OPA). Depois da CSN, em Dezembro de 2009, agora foi a vez da Camargo Corrêa que, juntamente com a Votorantim ajudou ao fracasso da primeira OPA, lançar uma proposta de compra pelo restante capital que não detém. Oferece 5,50 euros por cada acção, um valor baixo mas que, à falta de alternativas, deverá vingar.

Há muito que o mercado especulava sobre uma movimentação deste género. A dúvida era de quem partiria a iniciativa, se da Camargo Corrêa, se da Votorantim. Acabou por ser a primeira a avançar, no final de Março com uma OPA pelo remanescente capital que não controla (detém, actualmente, 32,9% da Cimpor), mas apresentando um prémio reduzido de 10% face à cotação da cimenteira.

Porquê pagar tão pouco, quando há cerca de dois anos a Camargo constitui a sua posição na Cimpor a um preço de 6,50 euros? José Edison, o presidente da Intercement, grupo que detém a Camargo, diz que a oferta é "justa". "As cotações da Cimpor nos últimos anos terem sido influenciadas pelas expectativas de OPA. Em condições normais, a Cimpor teria acompanhado mais de perto a evolução geral do mercado", remata.

Neste sentido, há pouca margem para uma revisão em alta da contrapartida na OPA. É isso que diz o mercado, uma vez que as acções da Cimpor, depois de ajustarem aos 5,50 euros, têm-se mantido perto deste patamar (até ligeiramente abaixo do valor oferecido). E é o que dizem os analistas que seguem a empresa, tendo por base nas suas análises a decisão esperada por parte de alguns dos principais accionistas da Cimpor.





"Com dois dos principais accionistas (a CGD que detém 9,6% e o BCP, que controla 10%) a terem, alegadamente, aceite a oferta, a Camargo Corrêa consegue superar os 50% do capital (52,4%) e abre caminho para uma reestruturação da Cimpor com ou sem a Votorantim", dizem os analistas Bruno Silva e Filipe Leite, do BPI. "Com a Votorantim, a Camargo atingiria os 73,7%" e "acreditamos que Manuel Fino (com 10,7%) também venderá".

"Dado o contexto, a OPA tem muito pouca margem para falhar", acrescenta o banco de investimento, sublinhando que perante a "baixa probabilidade de uma oferta concorrente, recomendamos aos investidores que aceitem a oferta". Esta perspectiva, de que será difícil surgir uma oferta alternativa à da Camargo Corrêa, é partilhada pelo BESI que sublinha também a pouca margem de erro na OPA lançada pela empresa liderada por José Édison.


























Pedro Queiroz Pereira, o "patrão" da Semapa, que em tempos também lançou uma oferta de compra sobre a Cimpor "parece-nos o único potencial oferente numa oferta concorrente, já que tem afirmado, por várias vezes, que não gostaria de ver a Cimpor em mãos estrangeiras. No entanto, consideramos pouco provável que possa ter sucesso", referem os analistas Nuno Estácio e Inês Duarte Silva, numa nota de "research" em reacção à OPA.



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