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Oportunidades para os investidores de obrigações estratégicas

Desde o início de 2012 até à data, os activos de risco têm sido sustentados pelo elevado nível de liquidez do sistema.

Miguel Luzárraga 21 de Maio de 2012 às 10:01
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Desde o início de 2012 até à data, os activos de risco têm sido sustentados pelo elevado nível de liquidez do sistema. Em Fevereiro, na segunda operação de refinanciamento a longo prazo (LTRO) lançada pelo Banco Central Europeu, houve 800 bancos que receberam 530 mil milhões de euros de financiamento a três anos, operação que se segue à injeção de 489 mil milhões de euros da primeira LTRO, ocorrida em Dezembro. Desde a introdução das LTRO, a apetência pelo risco tem aumentado substancialmente. Os rendimentos de obrigações italianas a dois anos chegaram aos 7,5% em Novembro, numa conjuntura caraterizada por crescentes preocupações sobre a capacidade da Itália em refinanciar a sua dívida. No início de Março, o rendimento destas obrigações rondava os 2%, e, embora o rendimento tenha aumentado recentemente, ainda está muito abaixo dos seus valores mais elevados.

Este importante apoio à liquidez não provém apenas do Banco Central Europeu. O Banco de Inglaterra anunciou em Fevereiro uma flexibilização quantitativa (QE) da ordem dos 50 mil milhões de libras, enquanto o Banco do Japão anunciou inesperadamente uma nova QE da ordem dos 10 mil biliões de ienes. O Banco do Japão introduziu igualmente uma nova meta de inflação de 1%, após mais de duas décadas de inflação nula ou deflação, um compromisso que deverá exigir um volume ainda maior de compras de activos. Nos mercados emergentes, entretanto, houve vários bancos centrais que começaram a cortar as taxas, e a China reduziu o rácio de reservas obrigatórias da banca. Em suma, esta tendência mundial representa o maior aumento de liquidez desde 2009.

Uma conjuntura favorável para o rendimento fixo
Estas injecções de liquidez, naturalmente, não estão isentas de risco. A LTRO pode ser encarada como um medicamento. Este remédio tem conseguido curar os pacientes - as dívidas soberanas europeias e a debilitada banca europeia - a curto prazo, mas a longo prazo poderá ter um efeito viciante, como acontece geralmente com os fármacos. Os investidores deverão observar com atenção se os bancos debilitados e as dívidas soberanas têm capacidade para largar a dependência do banco central.

No entanto, os elevados níveis de liquidez no sistema propiciam uma conjuntura extremamente favorável para o rendimento fixo. As taxas de juro deverão manter os níveis baixos por mais tempo: a Reserva Federal, segundo anunciou, continua a acreditar que as taxas vão apresentar valores extremamente baixos até ao final de 2014. Por outro lado, o Banco de Inglaterra tem vindo a manter o actual recorde de taxas baixas de há três anos a esta parte, e não se prevê que inverta esta tendência antes de 2014.

Numa conjuntura caracterizada pelo baixo nível das taxas, os investidores vão à procura de rendimento - quando têm dinheiro disponível, optam por obrigações de dívida pública; quanto têm obrigações de dívida pública, optam por obrigações de empresas classificadas ao nível de "investment grade"; quando têm obrigações de empresas classificadas ao nível de "investment grade", optam pelo alto rendimento. Trata-se de uma boa notícia para os investidores de rendimento fixo.

Boas oportunidades de alto rendimento e dívida dos mercados emergentes
Na actual conjuntura, o segredo do investimento em obrigações consiste numa escolha activa e dinâmica do sector de investimento. Devido às condições favoráveis que os mercados oferecem, o ponto fundamental para os investidores não é decidir se investem ou não em rendimento fixo, mas saber onde devem investir, para aproveitar as oportunidades.

Os sectores do mercado de dívida que atualmente parecem promissores têm a ver com o alto rendimento, que continua a beneficiar da solidez empresarial. As empresas estão de boa saúde e continuam a ter muitas cautelas quanto ao seu endividamento. As taxas de incumprimento, em termos históricos, apresentam valores baixos, e não prevemos nenhuma subida acentuada até ao final do ano. Prevalecem igualmente fatores técnicos favoráveis, dado que as empresas têm conseguido repartir facilmente a sua dívida, graças ao elevado número de investidores presentes na classe de activos. Por último, as avaliações são positivas, e os investidores tiram os devidos proveitos quando assumem o risco acrescido de investir em alto rendimento, comparativamente às obrigações de empresas classificadas ao nível de "investment grade" e às obrigações de dívida pública.

No mercado do euro, nomeadamente, existem verdadeiras oportunidades, graças à existência de sólidas empresas de alto rendimento que oferecem bom valor em plena Zona Euro. No ano transacto, as obrigações de alto rendimento denominadas em euros foram afectadas pela aversão generalizada aos activos europeus, resultante da crise da dívida. No entanto, os emissores de rendimento elevado em euros beneficiam, em termos médios, de melhor qualidade de crédito do que os seus congéneres norte-americanos, dispondo de duração média inferior e de maior rendimento médio. As injecções de liquidez do BCE têm servido para enfraquecer o euro, o que constitui igualmente uma boa notícia para as empresas de alto rendimento em euros, já que muitas delas são exportadoras beneficiando, por isso mesmo, da debilidade da moeda europeia.

A dívida dos mercados emergentes também parece promissora na actual conjuntura. Os investidores de obrigações são essencialmente prestamistas, e, como prestamistas que são, devem prestar a máxima atenção à capacidade de pagamento do devedor e à sua disposição em fazê-lo. Avaliando os mercados globais nesta base, verificamos que os mercados emergentes estão em melhores condições para pagar, devido ao seu baixo nível de endividamento e de défice público comparativamente aos mercados desenvolvidos.

Esta tendência é confirmada pela recente actuação das agências de notação: enquanto as economias desenvolvidas têm visto descer a sua notação de crédito, as economias de mercados emergentes assistem à sua subida. A notação de crédito média no índice de mercados emergentes situa-se actualmente ao nível de investiment grade.

Desta forma, os mercados emergentes têm capacidade para pagar. Também estão dispostos a fazê-lo, pois pretendem que as suas economias passem a desempenhar um papel mais activo no palco mundial. E, nas condições actuais, tal como acontece em relação ao alto rendimento, a dívida dos mercados emergentes é bastante compensatória para os investidores relativamente ao risco que assumem.

Uma abordagem flexível e estratégica ao mercado das obrigações é fundamental
Os investidores de obrigações podem aproveitar estas e outras oportunidades na actual conjuntura favorável do rendimento fixo vendendo as obrigações pouco promissoras e adoptando uma visão estratégica que abranja todos os mercados e sectores de obrigações a nível mundial. Essa abordagem flexível e internacional pode ajudar a melhorar a diversificação e a aumentar os retornos ajustados ao nível de risco.

Escolhendo de forma dinâmica as oportunidades de investimento nos mercados e sectores de obrigações em todo o mundo, os investidores podem aceder a um enorme leque de oportunidades a nível global e posicionar-se sempre onde se encontrem as melhores oportunidades.



*Senior Sales Executive do JPMorganAM



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