Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Pedra, cal e muito risco

Investir em imobiliário significa colocar o dinheiro numa aplicação de pedra e cal.

João Cândido da Silva joaosilva@negocios.pt 15 de Outubro de 2012 às 10:02
  • Partilhar artigo
  • 1
  • ...
Investir em imobiliário significa colocar o dinheiro numa aplicação de pedra e cal. Esta é a percepção generalizada de quem foge da volatilidade dos mercados de acções e quer ter as suas poupanças em lugar abrigado dos humores inconstantes de outros destinos. Mas a ideia de que o imobiliário é um activo à prova de bala tem os seus perigos.

Para a maioria das famílias que decidiram comprar casa própria durante o período em que o acesso ao crédito não oferecia obstáculos, tratou-se da oportunidade de satisfazer uma necessidade básica. Com o arrendamento bloqueado, a opção de se tornarem proprietárias gerou escassas dúvidas na hora da decisão.

Como a procura se manteve dinâmica e em crescimento durante anos consecutivos, a sensação de que o investimento não era apenas sólido, como também era capaz de proporcionar apreciáveis mais-valias no caso de se pretender vender o imóvel no futuro, funcionou como um poderoso incentivo.

Ser dono da própria habitação transformou-se no investimento de uma vida, na maior parte das vezes financiado com empréstimos de prazos longos. A 30 anos, a 40 anos ou, até, por períodos mais longos. De um dia para o seguinte, muitas vezes sem dispor de plena consciência do facto, quem comprou casa ficou totalmente exposto às oscilações do mercado imobiliário, ou quase. E as recomendações sobre a diversificação dos investimentos com o objectivo de diluir o risco acabaram por ser negligenciadas.

A má conjuntura económica, a subida da taxa de desemprego, os cortes salariais e o aumento da carga fiscal deitaram por terra muitas das expectativas anteriores. Entre as dificuldades para suportar os encargos com os créditos e a necessidade de responder à voracidade crescente dos cobradores de impostos, uma tendência que vai ser substancialmente agravada em 2013, o imobiliário entrou em desvalorização. E não há nada que permita indicar que o fenómeno registará uma inversão nos tempos mais próximos.

A amplitude do arrefecimento está reflectida no comportamento dos fundos imobiliários, dirigidos, por natureza, a investidores conservadores. Registam um percurso decrescente nas rendibilidades médias durante os exercícios mais recentes e têm sido confrontados com a perda de subscritores, o que gerou uma pressão para o endividamento, a solução inevitável para encontrar os recursos necessários que permitem responder ao aumento dos pedidos de resgate.

Investir em imobiliário, directamente ou através de um fundo, é uma opção de longo prazo. As menores rendibilidades de hoje não têm que significar mais retornos no futuro. Mas em Portugal gerou-se uma exposição excessiva ao sector. E os excessos é que transformam a segurança numa fonte de risco.


joaosilva@negocios.pt

Ver comentários
Outras Notícias