Investidor Privado Quatro estratégias fora do baralho

Quatro estratégias fora do baralho

Os investidores que querem trunfos nas suas mãos têm de procurar novos naipes no universo de indicadores bolsistas.
Quatro estratégias fora do baralho
David Almas 15 de abril de 2011 às 08:44
As regras que os investidores seguem para decidir as compras e as vendas das suas acções tendem a não mudar ao longo do tempo. Os dividendos sempre foram um dos elementos mais procurados pelos aforradores, mas desde a Grande Depressão que a avaliação relativa - recorrendo a indicadores como o preço-lucros (vulgo PER ou P/E) - assumiu um papel central na selecção de títulos.

A análise de tendências e sinais nos gráficos de cotações sempre foi muito popular. Porém, no mundo das finanças, é preciso buscar incessantemente mais informação que permita aos investidores destacarem-se dos seus pares.

O Negócios procurou fora do baralho dos indicadores tradicionais novos naipes que garantam trunfos aos investidores portugueses. Estas novas métricas não devem ser encaradas individualmente nem as acções encontradas como apostas seguras. A partir daqui é preciso aprofundar o conhecimento sobre os títulos - cruzando com outros indicadores mais experientes.





Conheça quatro vias para encontrar novas oportunidades de investimento


1. Pergunte ao Google quais as acções que subirão

A informação mais valiosa que o Google, o motor de pesquisa na internet mais usado no mundo, pode fornecer aos investidores não está nos resultados das buscas. O mais importante que o Google pode dar é, provavelmente, um resumo das pesquisas mais populares na Internet. Essa informação agregada sumariza o sentimento conjunto das pessoas. "Descobrimos que certos termos de pesquisa são bons indicadores da propagação da gripe", diz a página do Google Flu Trends (google.org/flutrends), um serviço que pretende estimar as incidências da gripe em todo o mundo através da análise de certos termos procurados pelos cibernautas.

Em vez de se preocupar com a gripe, pode usar as estatísticas do Google, divulgadas através do serviço Google Trends (google.com/trends), para estudar tendências no mercado de acções. Três académicos norte-americanos - Zhi Da e Pengjie Gao, da Universidade de Notre Dame, e Joseph Engelberg, da Universidade da Carolina do Norte - confirmaram que é possível ganhar dinheiro investindo nas acções das empresas cujas pesquisas estejam em alta. Os investigadores concluíram que um aumento na frequência das buscas "prevê um aumento do preço das acções nas duas semanas seguintes e uma eventual reversão do preço até um ano".

O Negócios aplicou as descobertas de Da, Gao e Engelberg na análise das acções mais acessíveis aos investidores nacionais. Através de consultas no Google Trends, combinando a utilização dos nomes das firmas, das suas iniciais ou dos códigos de negociação, encontrámos cinco acções cujas pesquisas estão a aumentar há algumas semanas.




Estas companhias têm sido alvo de mais pesquisas na Internet, o que pode ser um sinal de interesse dos investidores. A portuguesa Galp Energia é uma das que têm assistido aos maiores aumentos de procura através do motor de pesquisa do Google.





2. Trabalhadores satisfeitos dão lucros perfeitos

É de bom senso acreditar que as empresas funcionam melhor se os seus funcionários forem felizes.

E, então, se os trabalhadores estão felizes é natural que isso se reflicta na subida do valor da companhia e no preço das suas acções cotadas na bolsa.

Há cada vez mais provas que confirmam o fenómeno de contribuição da felicidade dos trabalhadores para a valorização dos títulos. As estatísticas do Great Place to Work Institute, uma das firmas que conduz inquéritos de satisfação de empregados, comprovam isso mesmo: um portefólio de acções das empresas cotadas nas bolsas dos Estados Unidos da América que entraram na lista dos 100 melhores destinos para trabalhar rendeu cerca de 10% por ano desde 1998 até ao final de 2010, mais do dobro do que acumulou o índice geral de acções norte-americanas, o Standard & Poor's 500.

Embora tenham acesso aos mercados da América do Norte, os investidores portugueses não se cingem a esses mercados. Por isso, o Negócios foi à procura das empresas mais bem colocadas nas listas europeia e norte-americana das melhores empresas para trabalhar, segundo os últimos inquéritos do Great Place to Work Institute. Como a maior parte dos vencedores são empresas multinacionais, o Negócios seleccionou apenas as firmas cotadas na Europa na lista europeia e as firmas cotadas nos EUA a partir do "ranking" norte-americano. Contudo, há empresas que poderão estar em várias listas nacionais. É o caso da Cisco Systems, a maior empresa de sistema de redes: além de estar incluída na selecção da América do Norte, foi a vencedora de 2011 do Great Place to Work em Portugal.




A teoria diz que, como os empregados destas sociedades são dos mais satisfeitos, é possível que os seus negócios corram melhor, o que pode traduzir-se na escalada das acções. Os últimos 12 anos mostraram empiricamente que isso é provável.





3. Invista nas marcas mais valiosas

Pouca gente tem dúvidas que uma marca poderosa é muito importante para um negócio, mas nem todos se lembram que também é decisivo para o valor de mercado da firma.

A análise da Millward Brown Optimor, uma companhia que se dedica à maximização do retorno financeiro das estratégias de marca e de "marketing", mostra que as marcas são cada vez mais relevantes na avaliação das empresas. "Em 1980, virtualmente todo o valor da empresa média norte-americana consistia em activos tangíveis (cadeiras, fábricas, existências, etc.). Em 2010, os activos tangíveis representavam apenas 30% a 40% do valor da firma", explica Mario Simon, director da sociedade. Ele estima que quase 30% do valor dos negócios é atribuído à marca. "Não é descabido dizer que, para muitas empresas, a marca é o seu maior activo", conclui.

A Millward Brown Optimor diz que investir nas empresas com as marcas mais valiosas rende. Aliás, desde 2006, um portefólio composto pelas acções das companhias norte-americanas com as 100 marcas mais valiosas rendeu cerca de 19%, enquanto o Standard & Poor's 500 perdeu mais de 10%.

São publicadas, anualmente, muitas listas das marcas mais valiosas do mundo. Os líderes tendem a repetir-se, por isso, o Negócios seleccionou as oito empresas que têm as marcas mais valiosas do mundo, segundo um dos mais recentes estudos, o "BrandFinance Global 500". Excluindo a britânica Vodafone, todas elas são dos Estados Unidos da América.




Estas são as companhias detentoras das marcas mais valiosas do mundo, segundo a avaliação da BrandFinance. Nessa lista de 500 marcas, a única portuguesa a entrar é a EDP - Energias de Portugal.





4. Aconselhe-se junto de quem mais sabe sobre a empresa

As acções norte-americanas valorizaram-se 30% desde meados do Verão de 2010. Não surpreende que, em mais de 90% das companhias cotadas, haja administradores que se estão a desfazer dos seus títulos. Os gestores podem ter muitas justificações para isso, mas o sinal que chega aos investidores é que os actuais preços são bons para vender e não para comprar. Se acredita na avaliação dos dirigentes das empresas - que outras pessoas conhecerão tão bem a saúde dos negócios? -, o que deve procurar na bolsa são firmas cujos administradores estão a comprar acções para si ou para depositar nas contas da própria sociedade.

Vários estudos demonstram que acompanhar os movimentos dos dirigentes é uma das poucas estratégias que conseguem paulatinamente bater o mercado. O livro "Investment Intelligence from Insider Trading", do professor da Universidade do Michigan Nejat Seyhun, é uma das referências. Depois de investigar 20 anos desse tipo de estratégias, Seyhun concluiu que as acções norte-americanas adquiridas pelos administradores mas não vendidas por outros dirigentes ganharam mais 7,5% nos 12 meses seguintes do que a média. Mais recentemente, a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, a autoridade supervisora do mercado português de capitais, publicou uma investigação de Pedro Carvalho e de João Duque onde se demonstra que seria possível desenvolver lucrativamente uma táctica de seguir os movimentos dos gestores na Euronext lisboeta.

Para ajudar os leitores que querem implementar uma estratégia que use a informação dos principais conhecedores das empresas - os administradores - o Negócios pesquisou as sociedades nacionais e norte-americanas cujas acções foram fortemente procuradas nos últimos meses pelos seus dirigentes para as adquirirem para as suas contas pessoais ou para as contas das próprias firmas cotadas.



Os administradores destas sociedades portuguesas e norte-americanas acreditam no seu futuro. A prova disso é que, nos últimos três a seis meses, compraram muitas acções das suas companhias.



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