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Quem não arrisca não petisca?

Admitir que "Quem não arrisca não petisca" não é equivalente a dizer que "Quem arrisca petisca". Quem olha diariamente para as oportunidade de investimento vê no horizonte menos risco e, obviamente, menos generosidade no petisco...

Helena Garrido Helenagarrido@negocios.pt 01 de Abril de 2010 às 09:30
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Admitir que "Quem não arrisca não petisca" não é equivalente a dizer que "Quem arrisca petisca". Quem olha diariamente para as oportunidade de investimento vê no horizonte menos risco e, obviamente, menos generosidade no petisco.

As retomas passadas, muito mais rápidas e certas do que esta, foram, em geral, marcadas por perdas nos investimentos em obrigações a taxa fixa. Apanhados desprevenidos pela pressão sobre as taxas de juro, muitos investidores foram em ciclos económicos anteriores apanhados pela queda das obrigações que tinham escolhido ter em carteira como alternativa a tempos menos ganhadores nas bolsas. Haverá um momento em que o risco de se perder dinheiro com as obrigações aumentará e até se confirmará. Para já não é essa a perspectiva de quem está todos os dias no mercado obrigacionista.

Quem olha para os investimentos em obrigações vê boas perspectivas de ganhos em títulos que representam dívida de alto risco. Uma previsão baseada num horizonte um pouco mais claro do mundo empresarial. Passada a grande tempestade, consegue agora perceber-se melhor quem resistiu e quem não resistiu. E entre as empresas que resistiram há muitas que estão com balanços mais sólidos - leia-se, menos dívida - mas que continuam a ser vistas como tendo um risco elevado. Depois da onda de "downgrade" nos riscos de crédito, espera-se agora que sejam mais frequentes as notícias de "upgrade" do "rating" de algumas empresas. E quem tiver essas obrigações na carteira ganhará com isso.

Todo este cenário pressupõe, obviamente, que as economias ocidentais - América do Norte e Europa - prosseguem no seu caminho de recuperação económica, com os norte-americanos mais adiantados que os europeus. O grande risco deste "petisco" das obrigações de alto risco é um sobressalto na retoma económica que coloque sob maior pressão as empresas e, especialmente, a dívida soberana, isto é, dos Estados.

O acordo obtido entre os Dezasseis na Cimeira da Primavera para ajudar a Grécia reduz a probabilidade de um novo mergulho da economia do Euro, assim como dissipa dúvidas, pelo menos de curto prazo, quanto ao euro. Um quadro que reforça as perspectivas de quem vê oportunidades de investimento em empresas classificadas como arriscadas mas que conseguiram ultrapassar a tormenta da crise com balanços mais sólidos. A confirmação da resistência e solidez dessas companhias exige agora que possam crescer pelos proveitos, o que só poderá acontecer se a retoma se começar de facto a desenhar.

A assumida ajuda à Grécia, caso ela precise, perspectiva ainda ganhos para quem saiu a tempo da especulação contra a dívida dos países ditos PIIGS (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e comprou barato para agora, se quiser, vender mais caro.

Este parece ser o tempo em que se começa a perceber quais foram as empresas em dificuldades que resistiram e se tornaram menos arriscadas. Há cada vez menos "Anjos Caídos" e mais "Estrelas Crescentes", há cada vez menos falências, há cada vez menos incidentes de crédito... Os tempos mais arriscados parecem estar a passar.

helenagarrido@negocios.pt





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