Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

"Daqui para a frente os retornos serão mais baixos"

As obrigações de alto rendimento, seja de empresas, seja de países, oferecem valor. Temos uma visão positiva, pelo retorno absoluto que podem proporcionar, por comparação com outros activos. Mas também em termos fundamentais elas estão...

André Veríssimo averissimo@negocios.pt 01 de Abril de 2010 às 09:31
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...
A retoma e a melhoria da saúde financeira das empresas favorece a dívida de alto risco. Mas os ganhos serão menores do que no ano passado

Faz sentido privilegiar as obrigações de alto rendimento em relação às de menor risco?
As obrigações de alto rendimento, seja de empresas, seja de países, oferecem valor. Temos uma visão positiva, pelo retorno absoluto que podem proporcionar, por comparação com outros activos. Mas também em termos fundamentais elas estão atractivas.

Depois da forte subida registada no ano passado, que ganhos são expectáveis?
No ano passado os retornos nestas classes de activos foi muito elevado. De acordo com o índice JPMorgan para as obrigações de alto rendimento, a valorização em 2009 foi de 58%. Daqui para a frente os retornos serão mais baixos e será mais difícil ir buscar rendibilidade. Mesmo assim os preços continuam atractivos, por várias razões.

Que razões justificam a aposta?
Uma delas é o facto de as empresas terem melhorado de forma significativa os seus balanços após o início da crise. Têm vindo a cortar custos, em face da diminuição da procura, acumulando dinheiro em tesouraria nos seus balanços. A qualidade do crédito é agora mais atractiva do que há 18 meses, com a economia a dar sinais de recuperação. Além disso acreditamos que ainda há espaço para um estreitamento nos "spreads". [diferença nos juros destas obrigações para a dívida de baixo risco].





A qualidade do crédito é agora mais
atractiva do que há 18 meses, com a
economia a dar sinais de recuperação.





As taxas de falência também estão agora a baixar, depois de terem chegado a um pico de 10% no final do ano passado. A nossa perspectiva é que as taxas possam descer até aos 4% a 6%.
Outro factor importante é o regresso do apetite pelo risco. Nos últimos meses assistimos a uma tremenda realocação do dinheiro por parte dos investidores, retirando-o da liquidez para os activos de maior risco. E essa tendência deverá prosseguir, porque ainda há muito dinheiro fora dos mercados.

Quais são os principais riscos de investir nesta classe de activos?
Os grandes riscos, a nível macro, são uma recaída da economia e o ressurgimento de dúvidas sobre a capacidade dos Estados com problemas orçamentais em conseguirem fazer face à sua dívida. Estes factores podem deprimir o apetite dos investidores pelo risco. Parece que o pior já passou na Europa. Mas eu penso que o tema do risco soberano ainda vai permanecer durante alguns meses.

Qual é a perspectiva para as obrigações dos países emergentes?
Nós estamos optimistas para os mercados emergentes de um modo geral e também para as empresas desses países. Achamos que, neste momento, em termos relativos, há mais valor na dívida emitida em moeda local, um segmento que tem registado um grande crescimento. Além disso , dessa forma é possível beneficiar com a exposição cambial.

As perspectivas de um crescimento mais robusto para estas economias deverá continuar a ditar uma valorização das respectivas moedas. Há oportunidades de investimento muito interessantes na América Latina e na Ásia.





Ver comentários
Mais lidas
Outras Notícias