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"Os investidores têm que estar expostos à Ásia"

As fortes valorizações dos mercados asiáticos desde os mínimos de Março podem ditar correcções no curto prazo. Mas, numa óptica de longo prazo, Pinakin Patel, vice-presidente da JP Morgan Asset Management, considera que é uma região que tem que...

Susana Domingos sdomingos@negocios.pt 14 de Outubro de 2009 às 09:45
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As fortes valorizações dos mercados asiáticos desde os mínimos de Março podem ditar correcções no curto prazo. Mas, numa óptica de longo prazo, Pinakin Patel, vice-presidente da JP Morgan Asset Management, considera que é uma região que tem que estar na carteira de qualquer investidor

Depois das fortes valorizações desde os mínimos de Março, os mercados asiáticos não estão sobreaquecidos?
É justo dizer que subiram bastante desde os mínimos. Mas o desempenho é explicado pelo crescimento muito forte dos resultados das empresas. O sistema financeiro permanece muito robusto, uma vez que não esteve exposto ao "subprime". Há também um elevado nível de poupanças. Portanto, os motores do crescimento não se alteraram de forma drástica e a Ásia continua a ser um dos maiores impulsionadores da economia global. No longo prazo, não há dúvida de que os investidores têm que estar expostos à Ásia.

E no curto prazo?
Iremos assistir a uma correcção. Aliás, já há uma certa retracção desde Agosto. Mas penso que os próximos dados económicos irão confirmar que as economias asiáticas continuam a ter um bom desempenho. A chave será a próxima época de resultados. Na primeira fase, os números resultaram de cortes de custos. Creio que vamos passar à segunda fase, em que as vendas começam a subir. As avaliações das empresas irão melhorar de forma significativa, fundamentadas na crença de que os lucros vão regressar.

O motor da banca na Ásia é a economia doméstica. Por isso, continua a ter elevado potencial de crescimento.

Estamos muito optimistas em relação à evolução da Índia, da Indonésia e da Tailândia.
Quais são as principais ameaças ao cenário que está a traçar?
Um deles é que as economias ocidentais voltem a entrar em recessão. O outro, é que não se materialize a expectativa de uma retoma dos gastos de consumo nos EUA.

Esse cenário é o mais provável?
À medida que os indicadores económicos divulgados melhoram, essa probabilidade tem vindo a reduzir-se. Mas os riscos não desapareceram. Ainda não estamos fora de perigo.

O facto de o sistema financeiro na Ásia estar muito forte pode significar que o potencial de valorização da banca na Ásia é, nesta fase, mais reduzido que no Ocidente?
Há ainda potencial de crescimento no asiático. A diferença é que o seu motor é a economia doméstica, enquanto a evolução do sistema financeiro europeu, por exemplo, está muito dependente do que acontece nos EUA. Na Ásia, a evolução da banca é determinada pelo crescimento dos próprios países e pelas alterações nas políticas.

A China está muito dependente das exportações. Há mudanças previstas nesta dinâmica de crescimento?
O nível de poupança é muito elevado. O governo terá que efectuar reformas - no sistema de Saúde e Segurança Social - nos próximos anos, para que os chineses tenham incentivos para reduzir as poupanças e aumentarem os gastos, estimulando a economia doméstica. Além disso, o governo já identificou novas indústrias que precisa de apoiar para reduzir a dependência das exportações. O imobiliário é uma delas.

A que sectores devem os investidores estar expostos na Ásia?
Estamos muito optimistas para os sectores ligados aos bens de consumo, porque há perspectiva de aumento do rendimento disponível. E sobretudo nas empresas que estão a apostar no interior do país. Estamos também optimistas em relação aos três subsectores do sistema financeiro: bancos, seguros e imobiliário. De uma forma mais selectiva, estamos optimistas em relação a algumas indústrias. Sobretudo as que têm uma quota de mercado dominante. Estamos também atentos às oportunidades que surjam na sequência de processos de consolidação em curso. As autoridades chinesas já afirmaram que há indústrias em que há demasiados "players".

FMI coloca Ásia a puxar pela economia mundial

A economia mundial permanece débil e as reticências sobre a sustentabilidade do crescimento económico são ainda muitas. Ainda assim, no início deste mês, o Fundo Monetário Internacional, na sua revisão trimestral das previsões económicas, revelava que o facto da economia mundial estar a sair do "vermelho" é o resultado do "forte desempenho das economias asiáticas". E é também para esta zona do globo que a instituição internacional liderada por Dominique Strauss-Kahn parece estar mais optimista.

"Nas economias emergentes, o crescimento estimado do PIB real deverá atingir os 5% em 2010, recuperando dos 1,7% em 2009", afirma o recente relatório do FMI. E acrescenta: "A recuperação será liderada pela China, pela Índia e por mais algumas economias da Ásia emergente".

Que indústrias são essas?
A do cimento, por exemplo, que é muito fragmentada. O governo quer criar um menor número de empresas, mas que sejam líderes. Não só líderes no mercado doméstico, mas que possam concorrer a nível global. Isto já é uma realidade nos principais sectores: nos bancos, na energia, nas telecomunicações. Também vemos com bons olhos as infra-estruturas e, até certo ponto, o aço.

A Ásia não se resume à China. A que outras economias asiáticas vale a pena estar exposto?
Estamos muito optimistas em relação à Índia, Indonésia e Tailândia. Nas recentes eleições políticas, os eleitores fizeram um voto pró-progresso e o mandato do governo é claro. Esse é um catalisador-chave para o crescimento nos próximos quatro a cinco anos. Além disso, as empresas na Índia são muito fortes, têm um elevado crescimento das receitas, têm boas equipas de gestão. A Índia não terá um crescimento tão forte quanto a China. Tem muitas questões estruturais por resolver, como a das infra-estruturas.

Em que sectores estão optimistas?
Tal como na China, Indonésia e Tailândia, também aqui estamos muito optimistas para o sector financeiro. Estamos também razoavelmente optimistas em relação às tecnologia de informação. E, de uma forma selectiva, em relação a empresas ligadas ao consumo.




Melhores fundos de acções na Ásia

No mercado asiático, os fundos de acções que apostam sobretudo no mercado chinês são os que estão a garantir retornos mais elevados num período de cinco anos, de acordo com a selecção oferecida pela Morningstar.


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