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Sonae Indústria - Crise coloca "luz ao fundo do túnel" cada vez mais longe

A empresa já sofre prejuízos e não se espera melhorias nos próximos meses.

Sonae Indústria - Crise coloca "luz ao fundo do túnel" cada vez mais longe
Raquel Godinho rgodinho@negocios.pt 13 de Novembro de 2008 às 12:51
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"Não se perspectiva a melhoria das condições de mercado num futuro próximo", refere a Sonae Indústria (SI) no comunicado onde apresenta os resultados dos primeiros nove meses do ano, período em que acumulou prejuízos de 27 milhões de euros. Esta é também a posição da grande maioria dos analistas que acompanha o título. A empresa actua num dos sectores mais penalizado pela crise económica, o imobiliário, e está presente nas regiões com condições económicas mais depressivas. O futuro avizinha-se difícil.

As adversas condições de mercado, a quebra na procura, o abrandamento global da economia e a subida nos custos das principais matérias-primas, problemas comuns a todas as regiões onde a empresa se encontra, penalizaram fortemente as contas da SI. Para os próximos trimestres não se esperam melhorias, dadas as previsões de recessão nos principais mercados onde actua. "A SI opera num sector que é um dos primeiros a sentir a dor de uma quebra no ciclo económico", avança Carlos Jesus, analista do Caixa BI, numa nota de investimento recente.

As contas trimestrais apresentadas na semana passada voltaram a decepcionar as previsões dos analistas, que já anteviam números penalizadores e foram unânimes em considerar os resultados da empresa "fracos". "Todas as regiões se comportaram pobremente", afirmou o analista João Mateus, do Millennium IB, na análise aos números divulgados pela companhia.

"No geral, estamos extremamente desapontados com esta ‘performance’ operacional e com a magnitude do impacto [da crise] nos resultados da empresa", sublinhou o BPI. O banco acredita que a empresa liderada por Carlos Bianchi de Aguiar vai continuar a enfrentar condições de mercado "muito negativas", realçando que espera uma maior deterioração no desempenho na Europa Central e Brasil, o que deverá implicar elevadas perdas. É com base nesta previsão que o BPI alerta que a SI poderá ser obrigada a levar a cabo um aumento de capital ou a vender alguns dos seus activos.

A forte quebra na procura já levou a SI a prolongar as paragens sazonais durante o terceiro trimestre de 2008, o que provocou, em média, paragens de um mês nas fábricas situadas na Europa. A empresa havia já anunciado o encerramento temporário da linha de aglomerado de partículas na Península Ibérica e de MDF na Alemanha.

Como consequência das quebras ao nível dos resultados, o Millennium IB afirmava, numa nota de investimento do início de Setembro, que não acredita que a política de pagamento de dividendos fosse mantida, e que esta apenas deveria ser retomada em 2012, quando estima que a situação operacional esteja mais estabilizada.

O analista Carlos de Jesus, do Caixa BI, apontava na última análise à empresa que o movimento de consolidação na indústria de painéis de madeira deverá continuar a ser um ponto-chave no futuro, e a Sonae Indústria "deve continuar a seguir este movimento de consolidação" .

Efanor detém 51,3% da Sonae Indústria
Estrutura accionista da empresa

Fonte: Site da empresa.






















Em 2008, o título perde mais de 69%
Evolução semanal das acções desde o início do ano

Fonte: Bloomberg.

2008 vai ser recordado como um ano negro para as acções da Sonae Indústria. Desde o início do ano, a empresa já perdeu 69,77% do seu valor de mercado, sendo apenas superada pela antiga "casa-mãe", a Sonae SGPS, que desvaloriza mais de 70,9%. O mau desempenho do título em bolsa leva a que a empresa apresente um elevado potencial de valorização (181,09%) face ao preço-alvo médio estabelecido pelas casas de investimento.






Empresa termina primeiros nove meses com prejuízos

Fonte: Apresentação de resultados dos primeiros nove meses do ano e Bloomberg.
*Valores em milhões de euros.











A Sonae Indústria fechou os primeiros nove meses com resultados líquidos negativos de 27 milhões de euros, face aos lucros de 63 milhões do período homólogo.

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