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Teixeira Duarte - Grandes projectos de construção podem animar títulos

Participação de 6,68% no BCP está a penalizar a empresa de construção.

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 10 de Março de 2008 às 08:00
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A Teixeira Duarte dificilmente  poderia ter regressado em pior altura ao PSI-20, com a sua reentrada a surgir numa semana em que o índice de referência apenas terminou a valorizar uma vez. Desde o início do ano, a construtora é, mesmo, a que mais perde, a seguir ao BCP, acumulando um “tombo” de mais de 34%. Ainda assim, os grandes projectos de construção do Governo que aí vêm poderão animar as acções.

A construção do novo aeroporto de Lisboa, de uma terceira travessia sobre o Tejo ou da linha ferroviária de Alta Velocidade são um conjunto de obras que poderão impulsionar o crescimento da construtora, uma vez que se trata de projectos que envolvem um investimento bastante elevado. Até lá, a empresa da família Teixeira Duarte vai-se voltando para outras obras, como é o caso da recente adjudicação do novo hospital de Cascais. Mas nem estas boas notícias têm impedido a construtora de prolongar a linha descendente que mantém desde Janeiro.

O sentimento negativo vindo dos mercados accionistas mundiais, com o mercado a temer novas perdas devido à crise do crédito hipotecário de alto risco, foi mesmo o maior constrangimento que a construtora enfrentou na passada terça-feira, quando substituiu a Impresa no PSI-20. Nem a notícia da adjudicação do hospital de Cascais foi suficiente para impedir os títulos de recuarem mais de 3,30%.

“Não teve uma estreia muito positiva, foi uma semana difícil para o sector, que está um pouco no cerne da crise do mercado imobiliário”, destacou João Miguel Lampreia, analista do BIG.

Outro aspecto que tem prejudicado o desempenho do título é a fraca liquidez da companhia, uma vez que, em alturas de maior incerteza e volatilidade, os investidores tendem a voltar-se para as grandes capitalizações.

De acordo com o mesmo responsável, a Teixeira Duarte parte com uma desvantagem face às suas pares nacionais. João Miguel Lampreia acredita que a falta de diversificação do negócio pode jogar contra a construtora. Porém, o especialista considera que este aspecto negativo é compensado pela forte actividade no mercado português, que “não está tão exposto à crise do mercado imobiliário como os Estados Unidos”.

Nos últimos meses, Pedro Teixeira Duarte foi um dos protagonistas da guerra interna do BCP, apostando na sua participação na instituição. Contudo, esta posição tem penalizado a empresa. “A participação de 6,68% no BCP é o principal entrave da empresa neste momento. O aumento de capital vai obrigar a uma aplicação de capital significativa”, realçou João Miguel Lampreia, analista do BIG.

O mesmo especialista adianta que, tal como têm sido pressionados pelas perdas do banco, os títulos da Teixeira Duarte poderão ser beneficiados, num cenário de recuperação do BCP.

Com uma desvalorização de 34,45% em 2008 e um potencial de subida de 51,76% face ao preço-alvo médio, os títulos estão a negociar a níveis atractivos, pois já estão “a incorporar um cenário bastante negativo”.

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