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Trichet prepara nova subida dos juros na Zona Euro

A taxa de referência do Banco Central Europeu deverá avançar para 1,5%, de modo a travar a subida da inflação nos países do euro.

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 04 de Julho de 2011 às 09:49
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Jean-Claude Trichet | O presidente do Banco Central Europeu garantiu que a instituição está em "forte vigilância" em relação à subida da inflação.


O Banco Central Europeu prepara-se para anunciar esta semana uma nova subida das taxas de juro. Nos últimos dias têm sido claros os sinais dados por Jean-Claude Trichet, presidente da instituição, nesse sentido e os economistas parecem não ter grandes dúvidas e antecipam um novo aumento dos preços do dinheiro na Zona Euro já esta semana.

Apenas três meses depois da autoridade monetária europeia ter quebrado um ciclo de quase três anos sem subidas dos juros, a entidade deverá esta semana voltar a mexer na taxa de referência. As expectativas dos economistas apontam para um subida de 0,25 pontos percentuais, colocando os juros em 1,5%.

O presidente do BCE tem reiterado as preocupações da instituição em relação à escalada da inflação na Zona Euro e disse que os responsáveis estão em "forte vigilância". Ainda na última quinta-feira, Jean-Claude Trichet admitiu a possibilidade de subir os juros já este mês.
"Estamos num estado de forte vigilância e estamos prontos para agir de maneira firme e oportuna para evitar a recente evolução dos preços que deram origem ao aumento das pressões inflacionistas a médio prazo", alertou o governador do BCE.

De acordo com estimativas rápidas do gabinete de estatísticas europeu Eurostat, a taxa de inflação deverá ter permanecido estabilizada nos 2,7% em Junho, um valor bastante acima da meta do BCE. A instituição fixa como objectivo uma taxa de inflação máxima de 2%.

Com o risco de contágio da crise grega momentaneamente controlado, após o parlamento do país ter aprovado um novo pacote de contenção orçamental no valor de 78 mil milhões de euros, a autoridade monetária tem aberto o caminho para prosseguir com a adopção de uma política monetária mais dura.

"O risco a curto prazo claramente diminuiu, com a Grécia a passar as suas leis e os bancos europeus a indicarem que estão a participar no envolvimento do sector privado", afirmou Ulrich Leuchtmann, em declarações à agência Bloomberg. O responsável pela estratégia cambial do Commerzbank considera que "a crise da dívida na Zona Euro não teve um impacto significativo no euro este ano como no ano passado, porque o BCE está a conduzir uma política monetária que é completamente independente do que se passa na Grécia, Portugal, Irlanda".

Nos últimos meses, a crise da dívida soberana na Zona Euro agravou-se, com Portugal a pedir ajuda ao fundo de estabilização da União Europeia e a Grécia à beira do incumprimento. A aprovação de novas medidas de austeridade no país helénico permitem viabilizar uma nova tranche de ajudas ao país. No entanto, os juros das obrigações gregas continuam a descontar o risco de incumprimento, pelo que a crise grega deverá continuar a comprometer a recuperação na Europa.

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