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Um investimento com pouco retorno

Os fundos de tesouraria são por excelência os fundos de investimento escolhidos pelos portugueses. Seduzidos pela ideia de segurança e liquidez, a maioria dos aforradores nacionais opta por colocar as suas poupanças nestes produtos. No entanto, num...

Patrícia Abreu pabreu@negocios.pt 13 de Abril de 2010 às 09:30
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Fundos de tesouraria |
A elevada liquidez e a reduzida volatilidade do investimento são argumentos de peso para os investidores nacionais.

Num cenário de taxas de juro historicamente baixas, as rentabilidades dos fundos de tesouraria são baixas. Os depósitos a prazo são uma alternativa

Os fundos de tesouraria são por excelência os fundos de investimento escolhidos pelos portugueses. Seduzidos pela ideia de segurança e liquidez, a maioria dos aforradores nacionais opta por colocar as suas poupanças nestes produtos. No entanto, num período em que as taxas de juro na Zona Euro se situam no nível mais baixo de sempre, as remunerações são reduzidas e, nalguns casos, são mesmo negativas. A inversão da política monetária poderá suportar rendibilidades mais atractivas.

A elevada liquidez e o risco de investimento reduzido são argumentos de peso que fazem dos fundos de tesouraria a maior categoria de fundos nacionais, ainda que as remunerações sejam baixas. Cerca de 20,1% dos activos geridos pelos fundos de investimento nacionais no final de Março eram fundos de tesouraria. O carácter de investimento conservador dos aforradores nacionais leva-os a privilegiarem fundos de menor volatilidade. No entanto, a procura de produtos com pouco risco traduz-se em rentabilidades reduzidas.



Nos últimos 12 meses, os fundos de tesouraria rendem uma média de 2,24%. Dois fundos apresentam desempenhos negativos.




A ausência de comissões de resgate e subscrição possibilita uma elevada liquidez. A exposição recomendada é 30 dias.


De acordo com os dados divulgados pela Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Património (APFIPP), referentes ao final de Março, os 16 fundos de tesouraria comercializados pelas gestoras nacionais renderam uma média de 0,70% nos primeiros três meses do ano. Nos últimos 12 meses, a valorização é de 2,24%. Dois fundos acumulam mesmo desempenhos negativos.

"Depois de uma crise forte em activos de risco a que assistimos desde 2007 e que só foi quebrada em 2009 com a boa performance de mercados de acções e crédito, é natural que o 'efeito refúgio' em fundos de menor rendibilidade mas muito baixo risco ainda se faça sentir", refere o Santander Gestão de Activos. A mesma fonte adianta que "o fim do problema de liquidez, que atingiu valores críticos em 2008 e proporcionou taxas de depósito muito interessantes durante esse ano, foi desaparecendo durante 2009 e também esse facto provocou uma deslocalização de depósitos, que já não apresentavam taxas tão atractivas, para fundos de curto prazo".

"Os fundos de tesouraria, independentemente de crescerem ou não, perspectivam-se como continuando a ser das classes com maior volume sob gestão", explica a ESAF. Ainda assim, a entidade considera que "a dimensão do seu crescimento será influenciada pela forma como a taxa de juro evoluir e de como remunerarão os depósitos".

No boletim Proteste Poupança publicado a 8 de Março, a Deco Proteste realça o mau desempenho destes fundos, desaconselhando a sua subscrição, por considerar que "a diminuição das taxas de juro de curto prazo tornam-nos muito pouco interessantes". Na passada quinta-feira, o Banco Central Europeu manteve a sua taxa de referência em 1%, um cenário que, de acordo com o consenso dos economistas consultados pela Bloomberg, deverá manter-se até 2011.

"A recuperação da actividade económica e/ou ressurgimento de pressões inflacionistas provocadas pelas medidas monetárias e fiscais expansionistas poderá induzir o BCE a aumentar a taxa directora no ultimo trimestre do ano", defende a Caixa Gestão de Activos. Para o Santander, "a subida vai ser relativamente ligeira e mais concentrada em 2011 do que provavelmente já este ano", acrescentando que, "com um cenário de recuperação moderado, não parece existir na Europa o risco de subida agressiva de taxas de curto prazo".

Perante este cenário, outros produtos, como os tradicionais depósitos a prazo, aparecem, em alguns casos, com uma oferta mais atractiva (ver páginas VI e VII). De acordo com a Deco Proteste, o banco Popular comercializa o DP Mais Margem, que remunera 3,2% a um mês.

Com um mínimo de investimento recomendado entre um e três meses, os fundos de tesouraria têm a grande vantagem de carecerem de comissões de resgate, permitindo a desmobilização imediata do capital.





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